terça-feira, 21 de julho de 2009

Caráter - Brennan

Continuando a discussão sobre defesas de Caráter, trago a visão de Barbara Brennan sobre a interação energética – áurica saudável e patológica dos tipos Reichianos. Brennan veio da escola de John Pierrakos, em suas tentativas de integrar a idéia dos segmentos corporais com estruturas energéticas chamadas Chakras. Estruturas tiradas da tradição indiana da Yoga. A obra resumida aqui é Luz Emergente, seu segundo livro. O trecho apresentado trata especificamente do relacionamento entre os tipos caracteriológicos. A pergunta básica que autora faz a si mesmo é Como podemos agir com cada tipo para tirá-lo de sua posição defensiva habitual. Para um entendimento melhor sobre os encaminhamentos que a autora propoe, incluí uma rápida explicação sobre os três modos de interação energética: A interação harmonica, as correntes bioplasmáticas e os cordões de luz. Boa leitura.

Capítulo quatorze. Três tipos de interação entre os campos auricos nos relacionamentos. Introdução resumida aos três tipos de interação aurica.

1) Indução harmônica.

Campos auricos mais fortes podem gerar influencia sobre outros mais fracos. Funciona da mesma maneira que um diapasão afinando um instrumento de cordas. É o que nos faz sentir melhor quando participamos de um grupo de Pathwork, mesmo sem ter participado diretamente/ativamente.
Se pulsarmos numa freqüência mais rápida, isso induz ao outro vibrar numa freqüência mais rápida também.
Quando as pessoas não estão vibrando na mesma faixa de freqüência, elas simplesmente não se entendem! É como se estivéssemos falando com uma porta, ou que suas palavras desaparecem numa nuvem.
Para que haja troca de informações, é preciso que um campo seja capaz de exercer influencia sobre o outro.
Nós imediatamente nos sentimos constrangidos quando percebemos a entrada de vibrações das quais não gostamos. Elas são registradas como repulsão, antipatia, medo ou ódio. Isso prossegue até que alguém mude.

2) Correntes bioplasmáticas.

Sempre que duas pessoas interagem há um grande fluxo de bioplasma entre elas. Quando duas pessoas gostam uma da outra uma grande quantidade de energia é trocada entre elas.
As cores e as formas das correntes descrevem o tipo de interação que está ocorrendo entre elas. As correntes podem ter qualquer forma e qualquer uma das cores do arco íris. Quanto mais vividas as cores, mais positiva, poderosa e clara será a energia-consciencia.
Casais apaixonados criam uma bela nuvem rósea de energia em torno delas. Todos nós gostamos de ficar próximos a eles, pois nossos campos auricos também passam a produzir energia rósea. Se houver paixão, o rosa terá um tom alaranjado, que exerce um efeito estimulante, e as ondas serão mais rápidas.
Quando as pessoas não se gostam, em geral elas tentam não trocar energia. Isso às vezes não funciona e o atrito entre elas se acentua. Se elas se atacam, a aparência das correntes bioplasmaticas é a de um raio, ou lanças, ou flechas.
A raiva, por exemplo, é pontiaguda, penetrante, agressivo e vermelho escuro. A inveja é escura, verde-acinzentada, viscosa e grudenta.
Se uma pessoa estiver tentando obter algo dissimuladamente da outra, as correntes são densas, viscosas e em forma de tentáculos, que tentam sugar a energia, como uma ventosa. Ou então poderão ser frágeis e penetrantes, enganchando-se no campo da outra pessoa e se prendendo a ele de uma forma desesperada.


3) Cordões de luz aurica.

As pessoas ligam-se umas as outras através de cordões que saem do primeiro ao sétimo chakra. O primeiro fenômeno observável para um curador são as interações entre cordões do terceiro chakra. Aparentemente em nossa cultura, esses são os cordões mais danificados. Esses cordões estão relacionados às pessoas com as quais nos relacionamos.
Cordões permanecem ligados mesmo entre pessoas já falecidas e pessoas vivas. Uma vez completa essa ligação, ela nunca mais se desfaz.
Heyoan (Guia espiritual da autora) diz que existem cinco tipos principais de cordões:

a. Cordões da alma. Ligam-nos a Deus. Por meio deles nos ligamos aos nossos guias pessoais espirituais.

b. Cordões da experiência passada. Ligam-nos as pessoas com as quais nos relacionamos em vidas passadas.

c. Cordões genéticos. Formam forte ligação entre os chakras do coração da mãe e da criança já antes da concepção.

d. Cordões relacionais/Pais. Desenvolvem-se entre todos os chakras. Permanecem ligados quer a criança permaneça ou não com os pais biológicos. Iniciam-se no útero. Caso a criança tenha novos pais, novos cordões se desenvolverão.

e. Cordões relacionais/Outros seres humanos. Cada vez que temos algum tipo de relação com outra pessoa, criamos novos cordões. Eles mudam e se desenvolvem à medida que a relação muda e se desenvolve. Os cordões só podem fazer a ligação entre os chakras se ambas as pessoas permitirem que isso aconteça.
Muitas pessoas não entendem que em caso de separação, divórcio ou fim da relação, certos cordões devem ser dissolvidos ao passo que outros devem ser conservados.



Capítulo quinze. Interação dos campos auricos nos relacionamentos.
(Uma estrutura para resolver as interações energéticas negativas)

1) Estrutura de caráter. Cinco básicas usadas no estudo da bioenergética. O modo como o nosso corpo físico se desenvolve depende das circunstancias da nossa infância.

2) Pessoas que tiveram circunstancias de relacionamentos Pai-filho semelhantes tem corpos semelhantes. 345. Pessoas cujos corpos são semelhantes têm estruturas psicológicas similares.

3) Essas dinâmicas dependem também da idade em que as crianças, pela primeira vez, experimentaram a vida de forma tão traumática que começaram a bloquear seus sentimentos. Um trauma sofrido no útero será energeticamente bloqueado de forma muito diferente de um trauma vivido na fase oral, anal, ou latente. 347.

4) As circunstancias e experiências da nossa infância são determinadas por experiências em outros planos de realidade e pelos sistemas de crenças que nos foram transmitidos por experiências em vidas passadas.

5) Karma. Não é punição. É a lei de causa e efeito em funcionamento. É as circunstancias de vida ou acontecimentos com que nos deparamos em conseqüência de nossos atos do passado. O modo como esses acontecimentos nos afetam depende inteiramente da forma como os experimentamos por meio de nossas imagens e sistema de crenças. Até que, com a experiência, nos tornemos capazes de purificá-las e curá-las. Cada vez que estes acontecimentos voltam a nos afetar, temos uma nova oportunidade de aprender a curá-los.

6) Karma dois: A única razão pela qual experimentamos um determinado acontecimento como punição é que o nosso conjunto de crenças o classifica como tal. Já ouvi muitas pessoas dizerem que no passado fizeram mau uso do poder, e que, por isso, lhes foi tirado e agora elas estão sendo punidas por meio da privação de qualquer poder. Seria perfeitamente possível que elas tenham feito mau uso do poder no passado e que certos acontecimentos tenham ocorrido em suas vidas em conseqüência da má utilização do poder no passado. Mas esses acontecimentos são justamente o que as pessoas precisam para aprender a fazer bom uso do poder. 347.

7) A estrutura de caráter é o padrão da distorção do campo de energia e do desequilíbrio na nossa forma física, resultante das imagens e crenças negativas, que muito provavelmente surgiram num passado distante, há várias existências. É o efeito das nossas crenças e imagens sobre a nossa psique, sobre nosso corpo áurico e sobre nosso corpo físico.

8) Nossos pais não fizeram isso a nós. As circunstancias e os relacionamentos de nossa infância servem para trazer à superfície e cristalizar as imagens e crenças que trouxemos dentro da gente para serem curadas. 348.

9) Os termos usados (Esquizóide, oral, psicopata, etc.) não tem o mesmo significado que os termos freudianos. Nasceram do trabalho e parceria de Lowen com Reich.

10)Mãos de luz. Analisa a estrutura do campo aurico e o seu desenvolvimento nos diferentes estágios de crescimento/desenvolvimento. Aqui analisarei os sistemas de defesa de cada tipo. 348.

11)As defesas mostram de que forma você não está sendo quem é. Ela é aquilo que você teme ser. Expressa aquilo que você é de forma distorcida.

12)Uma defesa de caráter é resultado de algum tipo de medo. Cada tipo tem uma questão básica ligada a um medo específico. As estruturas criam uma maneira de viver que acabam comprovando que o medo estava correto. 349.

13)O propósito de uma reação de cura é ajudar ambas as partes a voltarem para a realidade e para a comunhão o mais rapidamente possível.

14)As pessoas agindo na defesa vão exigir que você concorde com seus pontos de vista distorcidos acerca do mundo.

15)Fazer uma escala de porcentagem para estimar o quanto usa cada defesa: Por exemplo: 40% esquizóide, 10% oral, etc.349.

16)Estágios de vida diferentes para defesas diferentes.

Sistema de defesa do caráter esquizóide.

Principal problema:

1) Terror existencial. Tiveram muitas vidas marcadas pelos sofrimentos e pelos traumas físicos, geralmente passaram pela experiência de morrer sob tortura.

2) Para lidar com a tortura, essas pessoas encontraram meios de escapar do corpo.

3) Em virtude destas experiências, elas agora acreditam que viver no mundo físico é uma experiência perigosa e aterradora, e não estão muito interessadas em associar-se a terra. Elas não vão desejar associar-se com outros seres humanos e vão esperar hostilidade direta da parte deles. É assim que elas sentem que as pessoas são. 351.

4) O que determina a defesa é o modo como a criança sente, e não os fatos em si. A mãe está brava com a empregada, e a criança sente que é com ela, e que será atacada.
5) Os cordões de ligação com o terceiro e quarto chakras dos seus pais nunca se formaram de uma maneira saudável e, assim, elas não dispõem de nenhum modelo para se ligarem às outras pessoas. Elas têm medo de voltar à consciência e a energia firmemente para o corpo físico..

A ação defensiva contra o medo:

1) Desocupação do corpo físico. Descobriram uma maneira de cortar e depois desviar a energia-consciencia para que uma grande parte dela possa escapar pelo topo da cabeça ou pela nuca.

2) Como elas fazem isso repetidas vezes, às vezes desde o útero, são criadas distorções no corpo de energia, o qual se torna assimétrico e nunca desenvolve um limite externo forte para a aura. O revestimento do sétimo nível é muito fraco.


Efeitos negativos da ação defensiva esquizóide.

1) Mundo físico parece ainda mais inseguro.

2) Fronteiras muito vulneráveis, que são invadidas com muita facilidade pelos outros.

3) Os corpos acompanham as deformações do campo energético, e assim vão ter algum tipo de deformação na espinha que irá enfraquecê-los.

4) Os níveis inferiores dos campos auricos são fracos e subdesenvolvidos, resultando num corpo fraco e sensível.

5) Suas ações defensivas criam círculos viciosos que provam que a vida física é perigosa.

6) Passam a maior parte do tempo em domínios espirituais, em estado difuso de unidade, sem experimentar a essência individuada.

7) Não vivencia o tempo no presente, como algo linear. Vivem em todos os tempos.

Como saber se as pessoas estão usando a defesa esquizóide ?

1) Olhos vazios.
2) Sentir o medo em volta delas ou certa torção em sua postura física.

Necessidades espirituais.

1) Sentir-se seguras no mundo físico.
2) Aprender a se ligarem às pessoas nos relacionamentos humanos.
3) Aprender a viver no momento presente, com um passado e um futuro.
4) Saber que existe um Deus interior, que é a singular essência divina de cada pessoa.

Reações negativas à defesa esquizóide: (Vão usar de arrogância e fazer você saber que são mais psíquicas, evoluídas ou espirituais que você, para intimidá-lo e mantê-lo à distância).

1) Fica com raiva e projeta mais energia.
2) Sente-se abandonado e se agarra à pessoa.
3) Interrompe o processo, detém seu fluxo de energia e mergulha para dentro de si mesmo.
4) Nega-se a reconhecer o que está acontecendo, e conduz a conversação como se estivesse sendo ouvido.
5) Você também se afasta.

Como reagir de forma positiva:

1) Não ultrapassar as fronteiras vulneráveis com correntes bioplasmáticas. Seu campo aurico é como uma casca de ovo quebrada. (mantenha sua mente projetada esfericamente em todas as direções ao mesmo tempo. Sinta a forma oval de seu campo).

2) Aumentar suas vibrações até uma freqüência mais elevada e deixar que eles a sintam por meio da indução harmônica (concentre sua atenção na realidade espiritual mais elevada que você conhece).

3) Não a encare diretamente nos olhos.

4) Depois da indução harmônica, reduza gradativamente a freqüência de vibração de seu campo. Continue fazendo isso por um tempo, para influenciar os outros e fazê-los reduzir seus próprios campos, para se aproximar da vibração da terra.

5) Depois de transmitir a sensação de segurança, peça permissão para tocar. Peça à pessoa para ficar de pé e dobrar os joelhos. Ponha a mão direita na parte de trás do segundo chakra, transmitindo uma vibração calma, e sem projeção de correntes bioenergéticas. Com cuidado, deixe uma corrente bioplasmatica fluir de sua mão. Com a sua intenção, dirija-a para baixo e para o centro do corpo da pessoa em direção a terra. Por fim deixe que os cordões estabeleçam ligação entre o chakra cardíaco e o terceiro chakra de vocês dois. Terão que sair do centro do chakra e penetrar bem fundo na pessoa, pois esta não sabe como se ligar a eles.

Resultados de uma reação de cura positiva.

1) O esquizóide jamais sentiu segurança nas interações humanas ou na conexão que somos capazes de sentir quando os nossos cordões estão ligados de uma maneira saudável ao chakra do coração e ao terceiro chakra.

2) É fundamental aprender a ligar-se nos relacionamentos porque é apenas por meio deles que eles podem preencher suas mais profundas necessidades espirituais de experimentar a sua própria individualidade como algo divino.


Como sair da defesa esquizóide.

1) Observar que você está lá.
2) Está lá porque tem medo.
3) Dobre os joelhos e respire fundo. Mantenha os olhos abertos.
4) Concentre-se no topo de sua cabeça.
5) Faça sua consciência/energia descer pelo rosto, pescoço, parte superior do peito, até a planta dos pés. Continue a descer pela terra.
6) Repita o mantra: “Estou seguro. Estou aqui”.
7) Quando sentir a terra firmemente sob os pés, tente sentir a pessoa que está conversando com você. Tente abrir seu coração e seu plexo solar para ele.

Sistema de defesa oral.

Principal problema:

1) Nutrição. Tiveram muitas existências que passaram dificuldades e necessidades. Viveram durante períodos de fome e morreram à mingua, ou tiveram que fazer terríveis escolhas a respeito de quem iria consumir a pouca comida que havia.

2) Estes indivíduos não tiveram a experiência de ficarem completamente satisfeitos e tem medo da possibilidade de jamais terem o suficiente.

3) Vão, portanto, atrair circunstancia de infância que trazem esta crença. Elas experimentaram o abandono no início da vida e temem que isso possa acontecer de novo. Geralmente eles foram abandonados pelos pais.

4) Exemplo clássico: Uma mãe que não tem tempo suficiente para amamentar direito o bebê. Se o bebê for afastado antes de saciar-se ele não passará pela experiência de ficar completamente satisfeito, e de soltar automaticamente o peito.

5) Para que ele preencha sua própria essência, ela precisa ser preenchida com a essência da mãe/Deus.

6) O bebê aprende a experimentar sua própria essência saciando-se ao sugar o peito.

7) Se a mãe tem dificuldade, ou pressa, é impaciente ou deseja que o bebê se apresse, ela de certo modo está abandonando a criança. Se isso acontece repetidamente, o bebê vai ficar nervoso e não conseguirá sugar o leite com rapidez, prolongando o tempo de amamentação e tornando as coisas piores. Por fim o bebê aprende a abandonar a mãe antes que a mãe o abandone.

8) Elas crescem sentindo sua essência como algo fraco e insuficiente.

9) Esses bebês também sentiram que os seus Pais sugaram a energia deles. Infelizmente, os pais também comumente usam as conexões formadas pelos cordões do terceiro chakra para receber nutrição em vez de oferecê-la, e também por correntes bioplasmáticas.

Ação defensiva contra o medo:

1) Sugar a energia dos outros, de forma inconsciente.
2) Tentar ligar os cordões do terceiro chakra aos outros para atrair energia por meio deles.
3) Olhos de aspirador. Correntes bioplasmáticas formadas por contato visual.
4) Longas e enfadonhas conversas em que falam baixo demais. Os outros enviam correntes bioplasmáticas para poder ouvi-lo.

Efeitos negativos da ação defensiva:

1) O resultado é que o mundo físico parece ainda mais hostil.
2) Elas recusam a nutrição e não a conhecem.
3) Nunca desenvolvem seus chakras. Concentram-se em se preencherem a partir do mundo exterior, e não de suas fontes interiores.
4) Como ficam dependentes da energia pré-digerida de outros, elas são companhias extremamente desagradáveis, e são abandonadas e evitadas, recriando assim a dor original.

Como saber se alguém está usando uma defesa oral:

1) Vão se fingir de desamparadas e querer que você faça as coisas para elas ou cuide delas de maneira que não são normais para um adulto.
2) Talvez falem baixo.
3) Grande esforço para o contato olho no olho. Mas o que você vê nos seus olhos é um tipo de desesperado de súplica que diz: “Faça isso por mim” ou “tome conta de mim”.

Necessidades humanas e espirituais:

1) Passar pela experiência de serem completamente satisfeitas por elas próprias.
2) Aprender a experimentar a plena e poderosa estrela do âmago.

Qual é a sua reação à defesa oral?

(Puxar, impelir, deter e permitir).


Como reagir de forma positiva:

1) Não permitir que elas continuem a sugar sua energia. Evite colocar seu corpo na frente do dela. Não a encare. Imagine uma tela resistente sobre seu terceiro chakra.

2) É benéfico preencher seu campo áurico com correntes bioplasmáticas. Relaxe e imagine lindas e coloridas correntes de energia brotando de suas mãos e entrando no terceiro chakra d outra pessoa. Tudo sem tocá-la fisicamente.

3) Ao fazer isso, continue encorajando a pessoa a se tornarem auto-suficientes, com confiantes e encorajadoras afirmações onde você diz que ela tem pernas fortes e uma poderosa fonte interior de vida. Que ela tem capacidade.

4) Ao receber energia desta forma, elas não estão no controle e isso faz com que interrompam o fluxo e não vão conseguir receber muita energia. Depois de algum tempo, elas vão permitir a entrada apenas de uma pequena quantidade. Então elas concluem que não é suficiente ou que demora tempo demais, e interrompem o fluxo novamente. Elas te abandonam antes que você a abandone.

5) Esse processo para frente e para trás vai demorar um longo tempo. Logo que você ficar frustrado, elas interrompem o fluxo de novo e fazem demorar mais ainda. Nunca haverá o suficiente para elas. Você será desafiado a ficar junto delas e continuar o trabalho até que o preenchimento seja completado.

6) Concentre sua mente e sua intenção para mover a sua energia em direção à terra, numa forte conexão. Imagine o primeiro chakra (da pessoa?) se abrindo para permitir que mais energia entre da terra para (ela?).Permaneça ligado a ela através de suas correntes bioplasmáticas. É útil olhar para a parte do corpo em que você estiver se concentrando. A energia fluirá para dentro do corpo dela como num poço artesiano. Em seguida, libere sua conexão energética com ela para que ela possa se preencher sozinha.


Resultados de uma resposta de cura:

1) Aprender a se preencherem é o mesmo que se convencerem de que são suficientemente boas.
2) Depois disso, elas saberão criar relacionamentos sem a prática habitual de sugar, com trocas mais saudáveis entre duas pessoas do mesmo nível.
3) Espiritualmente, a tarefa desta pessoa consiste em conhecer a fonte de Deus individual interior.

Como sair da defesa oral:

1) Respire fundo e relaxe.
2) Diga a si mesmo que você tem todo o tempo do mundo.
3) Fique de pé, dobre os joelhos e ligue-se a terra.
4) Volte sua consciência para sua estrela do âmago e repita o mantra: “Sou bom o bastante”. Você não está desamparado. Você é Deus. 371.

Sistema de defesa de caráter psicopata.

O principal problema:

1) A traição. Passaram por muitas existências como guerreiras, lutando por uma grande causa.

2) Sacrificaram-se muito no nível pessoal. A boa causa as fazia boas e o inimigo ruim.

3) No final, essas pessoas foram traídas, derrubadas e provavelmente mortas justamente por aqueles em quem mais confiavam.

4) Elas tentam vencer uma guerra que não existe mais. Portanto, elas não confiam mais em ninguém. Todo mundo é se inimigo, mesmo seus associados mais íntimos. Elas encaram a vida como um campo de batalha.

5) Na família, elas experimentaram a traição muitas vezes na vida.Foram traídas muito cedo por um ou ambos os pais.

6) No início da infância, vencer era o mais importante. Um dos pais tinha que vencer, e o que vencia provava que era boa e a que perdia era má.

7) Em geral o pai do sexo oposto estava tendo problemas com o cônjuge e transferia para a criança muitas das necessidades que deveriam ser atendidas por este. Usavam de sedução. O menino era “o homenzinho da mamãe”, e a menina a “menina linda do papai”. Sutilmente lhe diziam o quanto este pai era melhor que o outro. O cônjuge era ruim, e a criança era boa.

8) A criança recebia responsabilidades maiores do que caberiam a sua idade e era estimulada a crescer rápido.

9) Essas crianças deram o coração ao pai/mãe, mas o sexo não estava incluído no pacote.

10)Na puberdade, quando a sexualidade aparecia, era o caos completo. O Pai, no caso das filhas e a mãe, no caso dos filhos tinham muito ciúme de qualquer pretendente. Supunha-se que a criança não deveria ter impulsos sexuais e que deveriam amar só os pai/mãe.

11)Por essa razão, essas pessoas têm muito medo da sexualidade e dos sentimentos. Ter sentimentos significa trair a mãe/pai, e que elas próprias são más. Elas são muito vulneráveis nessa área. Elas têm medo das pessoas do mesmo sexo que lembram o pai/mãe.

12)Assim continuaram lutando por uma causa (o pai bom contra a mãe má). Mas no fim, foram traídas, porque aquele pai/mãe ou ficou com o cônjuge ou arranjou outro companheiro/a.

13)Assim essas pessoas têm mito medo e vêem o mundo como um campo de batalha onde são forçadas a lutar. Elas têm medo da traição dos amigos íntimos, e tem medo de não suportar o pesado fardo que precisam carregar. 373.




Ação defensiva contra o medo:

1) Puxar seus corpos para fora e para cima nu esforço de crescer mais rápido que o normal com o propósito de assumir responsabilidades de um adulto.

2) Isso enfraquece a ligação com a terra, fazendo com que se sintam menos seguras.

3) Seus campos de energia são muito mais carregados na porção superior do corpo. Para manter o equilíbrio, elas também impelem energia para a parte de trás do corpo a fim de aumentar sua força de vontade.

4) Os cordões do coração estão contaminados pela traição de um dos pais, elas terão medo de ligar os cordões do coração a outro homem/mulher.

5) A vida é a luta por aquilo que é certo. Elas tendem a enfrentar a vida de uma maneira agressiva, pois o mundo é um ambiente hostil.

6) Sua energia é lançada contra o suposto agressor de forma poderosa e penetrante, e diz: “Você é ruim”.

Efeitos negativos da ação psicopática.

1) Comportamento agressivo traz a agressão de volta.

2) Sentem-se traídas porque lutam com seus amigos mais íntimos.

3) Seu campo de energia não é ligado a terra, e seus corpos não têm acesso à força vital da terra, e se sentem fracas e isoladas. Puxando a energia para cima e esgotando o primeiro e segundo chakras, elas ficam mais vulneráveis a terem o “tapete puxado debaixo de seus pés”.

4) Problemas com a sexualidade, pois o segundo chakra não está suficientemente carregado.
5) São sedutoras, mas com dificuldades nos relacionamentos duradouros, pos tem o coração desconectado da sexualidade.

6) Quando conseguem se ligar com o chakra do coração, elas estão programadas para a traição. Elas ajudam a preparar a traição do outro, ou se antecipam e traem primeiro.

7) O mundo é povoado por pessoas boas e ruins, e temem que possam ser as ruins.

8) Sempre procuram batalhas em que possam vencer para se sentirem boas, e acham que o mundo está tentando provar que são ruins.

9) Assumem mais incumbências do que podem administrar, desde cedo. Assumem uma pesada carga de trabalho, renunciando às suas necessidades pessoais, até encontrarem algum tipo de traição que as fazem colapsar, possivelmente ataque cardíaco.

10)Correm contra o tempo. Nunca há o suficiente para tudo o que elas precisam fazer. Viverão num futuro que nunca chega.

Como saber se alguém está usando a defesa psicopática.

1) Se ela tenta brigar com você ou provar que você está errado.
2) Não só errado, mas você também é realmente mau quando está errado.
3) Elas estarão dispostas em ajudá-lo com seus problemas, já que elas nunca têm problemas. Ficarão felizes em criticá-lo depois que você terminar.

Necessidades espirituais das pessoas com a defesa psicopática.

1) Livrar-se do terror e sentirem-se seguras.
2) Deixar de controlar os outros para obterem segurança.
3) Aprender a confiar em si mesma e nos outros.
4) Compreender que a terra não é um campo de batalha, mas um lugar de comunhão com os outros.
5) Desistir de lutar e deitar fora o fardo.
6) Parar de correr rumo ao futuro e entregar-se à expressão divina do universo, que é a vida no aqui e agora.
7) Encontrar segurança na humanidade imperfeita.
8) Permitir-se cometer um erro e mesmo assim sentirem-se seguras e boas. E assim reconhecer o caráter divino dos outros.

Como reagir de forma positiva a uma defesa Psicopática.

1) Não concorde com os seus pontos de vista deturpados a respeito do mundo, mas não entre em discussão.

2) Após sua reação de ataque, dobre os joelhos e respire fundo. Ligue-se a terra e não mande qualquer corrente bioplasmáticas, que será interpretada como agressão. Faça isso se tornando passivo e concentrando sua atenção em si mesmo enquanto continua a ouvir a pessoa. Deixe de olhá-la nos olhos.

3) Se elas exigirem que as olhem nos olhos, diga que você quer ouvir o que elas têm a dizer e que precisa se concentrar para fazê-lo.

4) Desloque a energia do seu campo para a terra, aumentando a sua porção interior para formar uma grande base, diminuindo o tamanho da porção superior.

5) Use o mantra: “Nenhuma disputa”.

6) Imagine seu campo aurico sendo constituído de teflon, de modo que qualquer agressividade dirigida a você seja simplesmente desviada, sem atingi-lo. Torne-se rosa e verde.

7) Preste atenção ao que houver de verdadeiro nas acusações exageradas.

8) Deixe a energia negativa deslizar para a terra ao atingir a aura de teflon.

9) Essas pessoas têm muito medo da traição, odeiam a si mesmas e se negam a reconhecer isso.

10)Deixe que elas prossigam até terminar. Faça e diga coisas que comuniquem sua intenção de não traí-las. Fale d quanto elas são boas, de como você confia nelas e quer continuar assim.

11)Peça-lhes que lhe digam mais coisas a respeito da situação sobre a qual estiverem falando. Faça com que saibam que você está realmente interessado em modificar a situação e o papel que você desempenha nessa situação.

12)Em seguida, reduza a freqüência das vibrações do seu campo. Nas discussões elas se tornam elevadas, desarmoniosas e irregulares. Faça isso se concentrando na terra e no quanto é bom senti-la sob seus pés, dando-lhe apoio, ou pensar em coisas que o faça sentir calmo, tranqüilo e seguro.

13)Quando a sua freqüência se equiparar à freqüência da terra, mantenha-a assim.

14)Através da indução harmônica, deixe que suas vibrações se relacionem com a pessoa que apresenta a defesa psicopática.

15)Amenize suas pulsações e faça com que elas assumam um movimento ondulatório. Pense num passeio de canoa no lago sereno numa tarde ensolarada. Mas não deixe de ouvi-las de mostrar que está presente e de ver o belo âmago dessas pessoas.
16)Quando elas acalmarem e você se sentir mais seguro, inclua uma quantidade cada vez maior da sua energia do coração. Aceite-as tais como são agora.383.

Resultados de uma resposta de cura.

1) Se você for capaz de fazer pelo menos uma parte do trabalho acima, você terá ajudado seu amigo a descobrir que a discussão/polemica não é tão importante quanto à aceitação de quem ele é. Por trás da incapacidade de reconhecer quem você é está certa incapacidade de reconhecer-se a si mesmo.

2) Elas sentirão que são ouvidas, embora você talvez não concorde com elas. Isso as fará se sentirem mais seguras da próxima vez que as encontrarem.

3) Mais importante que a discussão é o reconhecimento de quem elas são, mostrando também que você sabe que elas não são más, assim com você não é mau. Ao ficarem agressivas, você as contempla com aceitação amorosa. Assim elas terão uma nova experiência - A da comunhão.

4) Depois disso, elas serão capazes de reconhecer e confiar na essência divina que existe dentro de você. Vão começar a confiar em você.

5) Elas podem começar a reconhecer a sua missão de vida no nível pessoal como uma rendição à bondade que existe nela e nos outros.

6) No nível mundial, pode ser trabalhar em favor de uma causa, no mesmo nível que as outras pessoas.

7) Abordagem Junguiana: Trocar a condição de guerreiro pela de Rei ou rainha (aquele que é o servo de todos).

Como escapar de uma defesa psicopática.

1) Se você se vir avançando agressivamente para uma pessoa porque acha que ela o traiu, pare um momento.

2) Talvez a situação não seja tão ruim e você tenha reagido de forma exagerada.

3) Tente sentir a sua condição humana e a da outra pessoa.

4) Dobre os joelhos, respire fundo e concentre-se em si mesmo.

5) Pergunte-se: Você tem medo? Você está se sentindo magoado ou traído? Isto já lhe aconteceu ante? Muitas vezes? Você está defendendo a sua bondade? Sua energia está toda na parte superior do corpo?


6) Se estiver, faça-a retroceder um pouco e sinta o seu pé sobre a terra. Volte sua atenção para a terra. Faça os seus pés se aquecerem. Sinta a energia nas suas pernas. Concentre-se na sua estrela do âmago e repita o mantra: “Estou seguro. Sou a bondade.”.


O sistema de defesa do caráter masoquista.

O principal problema:

1) Não corresponde a definição freudiana.

2) Possibilidade de perder a privacidade ou de ser controlado.

3) Provavelmente passaram por muitas existências em que foram controladas e aprisionadas. Não tendo podido se expressar ou fazer aquilo que desejavam. Podem ter sido encarceradas, escravizadas ou sofreram algum tipo de controle religioso ou político por parte dos outros. A auto-expressão e a transgressão das normas eram perigosas. Elas tinham que se submeter.

4) No fundo, elas anseiam por liberdade, mas tem medo de exigi-la. Elas não sabem como se tornar livres.

5) Elas se ressentem por não ter liberdade, culpam os outros pela falta de autonomia e permanecem presas a essa dependência.

6) A nova família se torna a nova prisão e os pais os novos carcereiros. As mães são dominadoras e impunham-lhe sacrifícios.

7) Elas não tiveram nenhuma liberdade pessoal, nem mesmo com seus corpos. Eram controladas até para comer e ir ao banheiro. Faziam com que elas se sentissem culpadas por qualquer liberdade de expressão.

8) Eram humilhadas por causa dos seus sentimentos, especialmente pela sua sexualidade, e não receberam a oportunidade de se individuarem.

9) Seus pais usaram correntes bioplasmáticas para afogá-los com sua energia ou para engancharem nelas e controlá-las.

10)Usaram os cordões que fazem a ligação entre os terceiros chakras para controlar os filhos.

11)Ao mesmo tempo, eles os amaram ternamente e criaram sinceros e amorosos cordões de ligação entre os quartos chakras.

12)Um ou ambos os pais trataram as crianças como se ela fosse parte deles. Havia controle sobre tudo o que fazia parte ou advinha da criança, incluindo seus pensamentos, idéias e criações. Eles interferiam no seu processo de criação.

13)Se elas criassem alguma coisa, um desenho ou uma pintura, os pais imediatamente pegavam o que elas tinham feito e afirmavam sua autoria - a dos pais - com afirmações do tipo: “Oh, olhem o que o meu filho fez! É o desenho de um______”; Os pais então descreviam e definiam o objeto criado em vez de deixar simplesmente que a criança o definisse.

14)Assim, quando a criança que criou o objeto olhava para o seu reflexo, via nele a essência dos pais, e não a sua. Na verdade, os pais roubaram a essência da criança, e agora ela não consegue sentir a diferença entre a sua essência e a dos pais.

15)Outra maneira em que esse roubo acontece é quando os pais concluem as frases dos filhos.

Ação defensiva contra o medo.

1) Retirada para as partes mais profundas do seu corpo, e construção de uma sólida fortaleza física para manter de lado de fora os invasores que pretendem controlá-lo.

2) Não botam para fora o que está dentro deles. Afinal, se o fizerem, aquilo será simplesmente roubado ou usado para humilhá-las.

3) Campos auricos ficam muito grandes. Pouca coisa sai de dentro delas.

4) Por terem sofrido muitas invasões psíquicas, seus campos auricos nunca tiveram a oportunidade de se desenvolverem e serem definidos. Os níveis difusos e desestruturados tornaram-se mais carregados e desenvolvidos do que os níveis estruturados, que criam sólidas fronteiras. Assim, seus campos auricos são muito porosos.

5) O corpo grande, pesado e forte cria a ilusão de que essas pessoas são bem protegidas. Este não é o caso. A energia entra diretamente e pode ser sentida com grande intensidade, de forma que elas podem se retirar para dentro de si mesmas mais profundamente.

6) Num ponto de amadurecimento, elas vão procurar destruir os cordões do terceiro chakra, com os quais os pais as controlam. Fazem isso puxando os cordões para dentro e formando uma massa de cordões embaraçados no interior do terceiro chakra.

7) Carecem de autonomia e tem medo de agir por conta própria.

8) Ou ficam escondidas dentro de si mesmas ou tentam obter permissão das outras pessoas para se mostrarem.

9) Para obter permissão, irão enviar correntes bioplasmaticas ou tentar ligar os cordões do terceiro chakra ao plexo solar dos amigos, para fazer com que eles se envolvam de alguma forma com sua manifestação no mundo exterior.

Efeitos negativos da ação defensiva masoquista.

1) Suas ações fazem o mundo físico parecer uma prisão, onde a autonomia é proibida. Seu comportamento passivo, tentando envolver os outros, implica constantemente a experiência de ser controlado por eles.

2) Como se mantem dentro de si mesmas é como se o tempo tivesse parado. Vivem no presente, mas não tem muito futuro.

3) Nunca aprendem realmente a expressar-se, e suas criações ficam presas dentro delas.

4) Sua incapacidade para expressar idéias faz com que outros constantemente terminem suas frases, interferindo com seu desenvolvimento e com a formulação de suas idéias.

5) Mesmo a provocação como meio de expressar a raiva ainda é um pedido de permissão.

6) Ressentem-se do mundo por mante-las humilhadas e presas dentro de si mesma.

Como saber se alguém está usando a defesa masoquista.

1) Pessoas que não conseguem expressar suas idéias com pausas excessivamente longas.

2) Emitem sinais exagerados, para fazer com que você se envolva, embora estejam dizendo que estão tentando manter você a distancia.

3) Dizem: Trata-se de “nosso” problema, e não do “meu” problema.

4) O modo como falam e interagem indica uma incapacidade de distinguir entre elas próprias e você.

5) Sensações no plexo solar: Alguém o está agarrando e se emaranhando com os seus intestinos?

6) Conversa pesada, séria. Sensação de inércia e de humilhação.


7) Sensação de que você está controlando a pessoa e que ela nada pode fazer sem você.

8) Elas querem seu conselho, mas toda sugestão que você dá é errada e não ajuda.

9) Elas vão rejeitar tudo o que você sugerir. Ao passo que o oral vai sugar prazerosamente e pedir mais!

Necessidades espirituais do masoquista.

1) Necessidade de auto-suficiência.
2) Precisam se afirmar como seres humanos que são livres para viver a sua vida da maneira como desejarem.
3) Aprender a dar a si mesmas a permissão para ter e expressar todos os sentimentos.
4) Reconhecer a essência de seu âmago como sendo sua própria essência.

Reações negativas à defesa masoquista.

1) Fica zangado e transmite a elas energia penetrante e de rejeição.
2) Sente-se abandonado e procura chegar até elas para trazê-las de volta.
3) Detem o processo e interrompe o fluxo de energia.
4) Deixa a coisa acontecer para depois rejeitá-la, e continua a conversa como se não tivesse sendo incomodado.
5) Retira-se para fora de seu corpo, ficando longe, ficando sem contato.

Como reagir de forma positiva.

1) Elas estão tentando chegar até você para devassar a sua privacidade. Uma maneira de “vencer” a situação da infância de perda de privacidade.

2) Não deixar que essas pessoas aceitem esse plano ineficaz e inconsciente.

3) Ter muito cuidado para não invadi-las com suas correntes bioenergéticas ou com os cordões do terceiro chakra.

4) Não faça nenhuma corrente bioplasmatica!

5) Não as deixe penetrar no seu plexo solar com seus cordões do terceiro chakra. (Imagine uma cápsula resistente sobre o seu terceiro chakra , ou coloque as mãos sobre ele).

6) Se eles enviarem cordões bioplasmaticos, imagine que sua aura é feita de teflon e deixe que esses cordões caiam no chão.

7) Fique ao lado delas e dê-lhes muita liberdade.


8) Afaste-se fisicamente, para não misturar os campos auricos.

9) Faça sua freqüência aurica ficar igual ao dele (imagine que você está se transformando nelas).

10)Expanda seu campo, até que toque no campo dele. Deixe que elas estabeleçam a distancia.

11)Elas terão uma sensação agradável porque seu campo é como o delas, embora estej separado e não invada os outros. Isso vai deixá-los à vontade.

12)Apenas permaneça passivo e faça isso.

Resultados de uma resposta de cura positiva.

1) Ajudar o masoquista a descobrir que o mundo não é um lugar que serve apenas para controlar as pessoas.
2) Ajudar o masoquista a experimentar a própria essência e descobrir em que ela difere da sua. Elas vão se sentir respeitadas.
3) Você terá concedido todo o espaço de que precisam para se expressar, sem preencher os espaços que elas precisam descobrir por si mesmas ou as suas próprias idéias.

Como escapar de uma defesa masoquista.

1) Dobre os joelhos e respire.

2) Ligue-se a terra e deixe que a energia suba a partir da terra, através do seu segundo chakra.

3) Permita-se sentir ligado a todas as coisas a sua volta.

4) Proteja o terceiro chakra com as mãos.

5) Desconecte ligações de terceiro chakra com outras pessoas, e traga sua atenção para a essência do âmago.

6) Concentre-se na sua própria força interior e repita o mantra: “Sou livre, controlo minha vida”.

7) Se você está confuso e as suas idéias são complicadas e precisam de tempo para amadurecer. Faça um diário, e registre sistematicamente suas idéias. Dê tempo a elas.

8) Não mostre esse diário a ninguém. Dê a si mesmo o respeito que você merece.



O sistema de defesa do caráter rígido/inflexível

1) Principal problema: Inautenticidade. Separação da essência do âmago e pelo esforço em manter perfeito o mundo das aparências.

2) Passaram por muitas existências em que tiveram que manter as aparências para poderem sobreviver. Ocupavam provavelmente posições de comando nessas existências, como também é provável que ocorra agora.

3) No curso do desenvolvimento, houve intensa negação do mundo pessoal interior. Todas as experiências negativas foram recusadas o mais rapidamente possível, e a pessoa se concentrou num falso mundo positivo.

4) Mesmo com discussões, conflitos, doenças, alcoolismo dentro daquela família, na manhã seguinte tudo parecia estar em ordem.

5) A filosofia familiar: concentrar-se nas coisas boas e negar as ruins. As crianças inconscientemente pensavam: “Não há nada com que me preocupar. Aquela briga de ontem a noite não aconteceu realmente. Mamãe não esta com câncer. Isso foi minha imaginação”. Todo ambiente exterior é controlado para dar a falsa impressão de que tudo está perfeito.

6) A única maneira de fazer isso é negar o verdadeiro eu que está vivenciando os acontecimentos negativos de uma forma pessoal.

7) Mundo exterior é perfeito, o mundo psicológico não existe, e a essência do âmago também não existe.

8) Por trás da fachada do rígido, há um medo vago e distante de que falta alguma coisa e a vida está passando por elas.

Ação defensiva contra o medo.

1) Tornar-se ainda mais perfeita. Destacam-se no trabalho, tem o cônjuge perfeito, a família perfeita. Ganham dinheiro. Vestem-se bem.
2) Corpos físicos equilibrados e sadios. Maioria dos chakras funciona bem.
3) Raramente lançam correntes bioplasmaticas em direção a outras pessoas.
4) Para serem perfeitas, criam duas rupturas interiores. Controlam quaisquer efeitos da reação emocional, de modo a que o que acontece interiormente está desconectado do que aparece fora. A segunda manobra é colocar a essência do âmago longe de si mesma.



Efeitos negativos da ação da defesa inflexível.

1) O mundo fica menos significativo e as pessoas mais inautenticas.

2) Todos a invejam por sua vida perfeita e elas não tem a quem recorrer para pedir ajuda.

3) Nunca obtém muita satisfação com o que estão fazendo, porque parece que não são elas que estão fazendo! Parecem sentir-se incompletas.

4) Vivenciam o tempo como uma marcha linear para frente. Sentem que estão sendo passivamente levadas por essa marcha do tempo.

5) Como estão distantes do âmago, sentem muitas coisas internamente, mas não tem certeza se o que sentem é real.

6) Coração/afeição e sexualidade não funcionam ao mesmo tempo.

7) Amam uma pessoa ideal que não existe. Tem pequenos relacionamentos sexuais, até que a pessoa perfeita apareça.

8) Nos seus casos amorosos, quando as imperfeições do outro vem à tona, é o fim de tudo.

9) Como não acessam o âmago, precisam de distrações exteriores. A esse propósito, rápidos relacionamentos servem bem.

Como saber se alguém está usando a defesa inflexível?

1) Verifique a autenticidade da pessoa. Ela está envolvida de uma maneira pessoal com o que está acontecendo? Está alheia a conversa e falando de forma automática?
2) Você tem a sensação de que ela de fato não está ali?
3) Ela é do tipo de pessoa com o qual nunca há nada de errado?


Necessidades espirituais dos rígidos.

1) Serem reais.
2) Deixar a negação de lado e expressar seus sentimentos interiores.
3) Parar de controlar o próprio comportamento, e mergulhar no medo que está por trás da suposta perfeição.
4) Precisam descobrir quem realmente são.
5) Precisam experimentar o tempo presente, e não apenas o tempo linear.
6) Precisam experimentar sua essência do âmago.


Qual sua reação negativa à defesa inflexível?

(Impelir, puxar, parar e permitir).

Como reagir de forma saudável à defesa inflexível?

1) Técnica difícil porque requer muita capacidade sua para sentir sua essência do âmago e também a essência dessas pessoas.

2) Fique perto delas. Permaneça num estado de amorosa bondade e aceitação.

3) Sinta a sua essência dentro de você e preencha seu campo aurico com essa essência

4) Primeiro visualize a essência abaixo do umbigo. Em seguida, sinta-a no seu coração.

5) Mantenha sua essência próxima dos limites da outra pessoa. Descreva o que você está sentindo, ao mesmo tempo em que mantém a mão sobre o peito da outra pessoa.

6) Estimule-a a sentir a diferença entre a essência dela e a sua.

7) Faça tudo com muita calma e paciência.

Resultados de uma resposta de cura positiva.

1) Essas pessoas nunca passaram pela experiência de ter a existência de sua essência confirmada.
2) Se elas conseguirem senti-la, tudo muda.
3) Voltam a sentir o tempo presente, conseguirão expressar sentimentos, e assim conseguirão ser autenticas.
4) Quando seu amigo voltar ao seu perfeccionismo costumeiro, respire fundo e ligue-se à terra. Sinta sua própria essência do âmago e encha com ela o seu campo aurico.

Como escapar de uma defesa inflexível.

1) Pare, concentre-se em si mesmo e volte sua atenção para sua essência do âmago.
2) Fique ali até sentir a si mesmo.
3) Depois, com muita tranqüilidade, traga esse eu para a conversação.


Fim

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Defesas de Caráter - Calegari

Baseado no Livro Da teoria do corpo ao coração, de Dimas Calegari. Participei por dois anos do curso de formação vivencial e teórica ministrada pelo autor. A abordagem de Dimas é reichiana. Seu livro é claro e bem escrito. Ele consegue fazer um resumo do Reich terapêutico, ( mais da fase de análise do caráter do que da fase da vegetoterapia) num livro de pouco mais de 100 páginas. Dimas é muito generoso quando traz informações e descrições sobre os processos corporais e sobre a teoria complicada do mestre. É o melhor tradutor da obra de Reich disponível na lingua portuguesa que temos, de todos que pesquisei. Sua abordagem é influenciada pelo trabalho de Elsworth Baker, no que se refere aos tipos repressivo e insatisfeito, e pela abordagem de Alfred Adler, no que se refere a sua fase do poder ( fase latente Freudiana).
Mas porque ler Reich? Para entender com clareza as estreitas relações entre o mundo psicológico do cliente e a estrutura de seu corpo. Para frustração da psicanálise, que o renegou covardemente há quase um século, quando o terapia do ego falha, temos ainda um recurso valioso. Buscar a cura e o tratamento no corpo, na expressão emocional e caótica da libido represada. Sei do que falo, pois fui e sou reiteradamente curado pelo corpo, não pela mente. Meu argumento é vivencial.
Boa leitura.

Desenvolvimento do ego infantil.

Introdução.

1. Ainda no útero, a criança reage aos traumas da vida uterina, que são guardadas na memória biossistemica. Os traumas ocorridos nesse período levam à resposta vegetativa, e são núcleos que podem ser reativados mais tarde como couraças vegetativas do cerne ou visual. O autor afirma que a origem primaria das biopatias remonta ao período intra-uterino.

2. Após essa fase, podemos falar em desenvolvimento do ego infantil e dividi-lo em cinco partes: Visual, oral, anal, genital infantil e poder.

3. O desenvolvimento ocorre de tal modo que algumas áreas corporais, assim como sua forma de prazer estão em maior evidencia. O ego deverá desenvolver o controle corporal de tais funções, assim como equaciona-lo em sua relação com o meio ambiente.

4. A solução de cada etapa implica em conflitos, pois o ego precisa equacionar a sua relação com o meio: O conflito poderá ter três tipos de solução: Solução satisfatória, Fixação insatisfeita, fixação repressiva.

5. Solução satisfatória: O anel que representa o lócus corporal manterá sua pulsação e a energia fluirá normalmente para a fase seguinte, ativando outro lócus. O ego mantém o controle ativo sobre a função. Exemplo passagem do lócus oral para o andar (anal).

6. Fixação insatisfeita: O ego não desenvolve o controle ativo da função e mantém-se sintonico e preso a ela, limitando o fluxo energético para a fase seguinte, gerando comportamento infantil e impulsividade. Mesmo exemplo da oralidade. Não desenvolve o impulso de morder, fica fixado na necessidade de alcançar o prazer não obtido na infância. O andar, por sua vez, não se desenvolve plenamente e é frágil.

7. Fixação repressiva: O ego se mantém distonico com a função bioenergética, gerando formações reativas, limitando o fluxo para a etapa seguinte. No exemplo da oralidade, o ego será rígido, como que dizendo “não preciso de ninguém”. Terá uma rigidez na musculatura mastigatória, exacerbando a agressividade nessa fase oral.

8. Sempre que ocorrer qualquer tipo de fixação, isto influenciará a fase seguinte, pois parte da energia ficou retida na fixação. Implica que houve encouraçamento do anel em questão, com perda total ou parcial do prazer subseqüente.

9. A partir dessa perda, desenvolvem-se comportamentos e soluções substitutas. O comportamento se fixa. Na fixação repressiva, formações reativas ocorrerão. Estas reações tendem a ser contrárias ao impulso original.

10. Seguem descrições das fases de desenvolvimento do ego infantil.

a. Fase visual

1º movimento intencional que o bebe realiza: Movimento dos olhos. A criança começa a vivenciar um ego ativo-perceptivo. Esse movimento também ativa a onda energética ascendente onda um em direção aos olhos, o que faz com que o ego assuma o controle ativo e voluntário deles. Desenvolvem-se a convergência binocular e a visão bifocal. Percepção de objetos parciais: Seio, ponta do nariz. Essas partes da mãe fazem parte do eu, enquanto uma mãe vaga está separada. A fase visual caminha para a visão perceptiva clara de que se trata de dois corpos diferentes. O bebe é fisicamente separado da mãe. Aqui ocorre também o centramento da identidade energética do bebê. Se durante este primeiro impulso da criança, o mundo for percebido como hostil e perigoso, a onda um pode ser paralisada na nuca, impedindo-a de chegar até os olhos (esquizoidia). Os olhos apresentam-se com as pupilas dilatadas, baixa discriminação entre a visão macular e do campo, e precária visão binocular. Por trás dessa paralisação, encontramos sempre um pavor difuso do mundo. O movimento perceptivo de ir para o mundo leva a uma percepção clara do objeto, e uma separação perceptiva eu-tu. Assim, o campo energético do bebe começa a se organizar e a se separar da mãe. Quanto mais efetiva for a separação, mais energia se concentrará no cerne, conferindo a base energética da confiança básica (crença de que se pode retirar em direção ao eu sem culpa e sem temor de rejeição ao retomar contato). O não acolhimento traz a crença de que o mundo é rejeitador e que não vale a pena se relacionar. A angustia materna diante do recolhimento do bebe traz a vivencia da culpa primaria, que força a manutenção da simbiose e a negação da própria individualidade. Pessoas que se mantém em estado simbiótico manifestam culpa quando estão na iminência da separação. Os masoquistas, mais fechados, sentem culpa constantemente. Essa é a origem da culpa primária, e não a agressão ou negação ao outro.

A fixação pode ser:

- repressiva: O ego não assumiu o movimento de ir para o mundo. Olhos perdidos e distantes, desfocados. A identidade energética não está no corpo; Está distante.

- Insatisfeita: Olhos famintos. Ego rigidamente ligado aos olhos. O ego não consegue abandonar a atitude ativa do olhar. Baixa discriminação entre visão macular e de campo. Identidade energética está ligada de forma difusa ao campo energético, e não consegue retornar ao cerne. Voyeurismo e estados paranóicos (estado de vigilância constante).

b. Fase oral

Boca desempenha 1º movimento de contato e busca no mundo, o que leva a uma relação simbiótica com a mãe, e seu conseqüente prazer oral. Energeticamente significa a ativação da onda um até a boca, levando o ego a assumir os movimentos de sucção, deglutição, mastigação, busca ativa com os lábios, dentes e mãos e som articulado. Ocupa o primeiro ano da vida do bebê. O ego assume pouco a pouco o controle sobre a carga de excitação de seu organismo. O bebê busca a mãe para satisfazer suas necessidades básicas, e ao mesmo tempo em busca de amor e cuidados. Se a mãe responde positivamente, o bebe organizará a vivência de que o mundo é bom e que ele está sendo amado e recebido. A capacidade de busca manterá o nível de carga e excitação que resultarão na descarga e no prazer. Assim, a busca oral promoverá a crença num mundo bom que deve ser buscado, recebido e incorporado. Essas duas vivências se somam à crença de se ser ou ter algo bom internamente. Isso determinará a relação básica com o mundo, que se expressará como crença na vida, na relação, no amor, em si próprio. Assim, formam-se duas crenças básicas: Sou amado e o mundo é bom; Sou rejeitado, não sou digno de ser amado ou recebido. A força e eficiência da ação egóica nos lábios ativarão capacidades como ter garra, força, persistência e determinação na busca ativa do mundo. Na 1ª fase oral, cerrar os lábios é a única forma de dizer “não!” que o bebe dispõe. Em torno do sexto mês, surgem os primeiros dentes, e com eles uma ferramenta mais eficaz de expressar sua negação: O cerramento das mandíbulas e dos dentes. Nesse período, se inicia outra habilidade: A produção de sons guturais, independente da audição da criança. No mesmo período, a melhor articulação dos braços e pernas permite à criança uma busca mais ativa do mundo ao redor. Ele apreende objetos e os leva a boca para reconhecimento. O conceito da fase oral do desenvolvimento engloba funções ligadas ao anel oral e outras ligadas ao cervical e ao peitoral. “O bebê busca a mãe com os olhos, sente-a com a boca ao mamar e tenta alcançá-la quando a toca com as mãos, durante a amamentação”. A produção sonora, para Calegari, é importante no aprendizado da criança de que ela é um ente separado da mãe. O som “má” desencadeia intensas vibrações viscerais. A transição do sugar para o morder trará mudanças significativas. A situação torna-se critica com o desenvolvimento dos dentes. Ainda ligado ao seio e ao prazer suave, o ego infantil passa a ativar agressivamente a função muscular e a desfrutar da capacidade de ter força e de interferir no mundo. Esta função é que se desenvolve e leva ao rompimento da dependência absoluta da mãe. O prazer narcisico de ter força para dizer “não” a intrusão do alimento na boca, contra a invasão oral, conflitua com o prazer de sugar e se alimentar. Todo esse movimento da criança pode ativar angustias na mãe. A reação materna pode ser vivenciada pelo bebê como se ele estivesse atacando-a ou destruindo-a. Encontramos um temor inexplicável em pessoas que se fixaram nessa fase, quando em terapia é pedido que mordam. Pode haver culpa. Nesse período se estabelece a confiança básica na ação. A noção de que se é amado em sua atitude agressiva e ativa no mundo. Após a energia de a onda um chegar aos braços, ela segue para baixo, descendo as pernas e pés, e relaciona-se com a busca de amor na figura paterna e em seus substitutos. Após estabelecer o controle dos olhos, o bebe começa a organizar a sustentação da cabeça. A ativação da musculatura da coluna é primeiro passo no desenvolvimento da postura ereta e de sua auto-sustentação.
A postura ereta é anterior à função de caminhar. É necessária para que as estruturas egoicas se formem. É preciso se auto-sustentar para depois agir! É função do eu.

Etapas de se alcançar a postura ereta:

- Engatinhar.
- Uso dos membros superiores como sustentação.
- Intensificação da lordose lombar.

A organização da coluna e da postura ereta está ligada à relação com o pai. O centramento energético e desenvolvimento da postura ereta são funções primitivas e se relacionam com a organização interna da pessoa, enquanto o ego liga-se ao mundo das relações. Deficiências no centramento e na postura levam o ego a se comprometer com elas, tendo conseqüências futuras no desenvolvimento.
O ego infantil tem agora duas vivencias que precisam ser integradas. A visual (Organiza a percepção do mundo e a auto-imagem), e a oral (Base da ação egóica efetiva no mundo). Sua não integração leva a distorções entre o que uma pessoa pensa ou imagina sobre si e sobre o mundo e sua capacidade de ação.

- Fixação oral repressiva

Anel oral contraído, pele fria e acinzentada, boca fechada e retraída. O ego não conseguiu assumir integralmente as funções orais. Movimento de busca e de contato muito rebaixado, inclusive para alimentos. Anorexia e depressão. Anel oral apresenta baixa carga, e incapacidade de descarga ou de prazer. Se a baixa carga predomina, o quadro resultante é o da depressão. A auto-imagem e capacidade egóica estarão muito rebaixadas, pois a fixação será repressiva em ambos os anéis. Se houver alta carga e excitação sem descarga, a alta energia poderá levar a função fálica com a oralidade repressiva. Em tal situação, a auto - imagem poderá divergir da ação efetiva, se houver visualidade insatisfeita. A frustração total ou a interrupção precoce do sugar podem levar ao desenvolvimento prematuro do morder. A vivencia infantil estará assentada na descrença na relação e numa atitude determinada de não precisar do outro. Possíveis causas: Frustrações alimentares, falta de contato com a pele, desproteção em relação ao frio ou calor, a não amamentação, seio frio e insensível, substituição do leite materno, não acolhimento afetivo. Resulta na incapacidade de desfrutar o prazer oral, e na descrença na relação e no amor. Por trás da declaração “não preciso” está o “não consigo (alcançar o prazer oral suave)”. O desenvolvimento precoce do morder produz o endurecimento da musculatura oral e a fixação no prazer narcisico expresso no “Não preciso de ninguém”. Quanto maior o nível de carga e a impossibilidade de prazer suave, maior o endurecimento da musculatura mastigatória, o que trará a vivencia narcísica de força e poder. A falta de amor e de proteção ocasiona o desenvolvimento precoce e reativo da auto-sustentação com intenso comprometimento do ego. A postura torna-se rigidamente ereta e as pernas espásticas como estacas fincadas no chão. O eu está protegido e não vem para a relação. Não acredita nela! Na oralidade repressiva encontramos a critica mordaz, a ironia, a anorexia e a depressão. A função oral é muito importante para a manutenção de carga no organismo, o quadro depressivo pode caminhar para quadros biopáticos, pela baixa progressiva de carga nos tecidos. Quando a magreza, fragilidade física, depressão, isolamento e sintomas vegetativos forem traços marcantes, a tendência biopática deve ser levada à sério. Seus traços básicos são a descrença no prazer suave e na relação. Quando se associam a visualidade e a oralidade repressivas, a descrença na relação mais a experiência de um mundo hostil conduzem a um encolhimento geral do organismo. A área diafragmática apresenta-se chupada e contraída, retraindo a energia para o centro do corpo, impedindo sua expansão. Todo aumento de tensão, seja de carga ou excitação, é experimentado como insuportável, levando-o a descargas como vomito diarréia, pânico. Hipersensibilidade a alimentos, ambientes com muito estimulo, relações mais intensas. É como se o corpo, em especial o anel diafragmático não possuísse espaço para abrigar aumento de tensão.

- Fixação oral insatisfeita.

Ego mantém-se fixado no sugar. Estabelece uma relação de dependência constante com o ambiente. Anel oral expandido, pele quente, boca aberta e avançada, como que a busca do seio. Baseia-se na incapacidade do ego para promover a descarga do anel oral. Fixação na atitude de sugar e desenvolvimento insuficiente do morder. Carece de atitude narcisica, pois sempre “precisa de tudo e de todos”. Sua vivencia infantil baseia-se na crença de que ele é amado, de que o mundo é bom, mas perderia a mãe se desenvolvesse a satisfação narcisica. A criança necessita e exige muito da relação! Musculatura oral hipotônica (mordida insuficiente). Hipotonia se manifestará em outras partes do corpo, que caracterizará sua baixa capacidade de ação no mundo. Auto-sustentação precária. Eu exposto e sem proteção. Está sempre disponível para a relação, porém com pouca capacidade de se reorganizar e retomar sua individualidade. Auto-imagem engrandecida, em contraste com a baixa capacidade de ação efetiva. É comum ligação com drogas e álcool. Oralidade insatisfeita liga-se muitas vezes a visualidade insatisfeita e sem centramento da identidade energética. Essa condição pode levar a estados maníacos ou psicótico-maniacos. Tal associação do visual com oral insatisfeitos remonta à relação com a mãe, que compensa oralmente o bebe, ao não suportar o rompimento da relação simbiótica. Ela estimula a manutenção da dependência oral e a preservação do estado simbiótico.
Voracidade, obesidade, drogadição, alcoolismo, quadros hipomaniacos e maníacos. Extensa variedade entre a depressão e a mania. Psicose maníaco-depressiva (Bi-polar).
Função oral: Podemos entender a dinâmica da inveja: Tendo algo entre os dentes, não mastiga e usufrui nem o larga. A boca permanece rigidamente entreaberta, não se abre para abocanhar o objeto desejado nem se fecha, paralisando o anseio. Ante esse impasse interno, a única solução é a de destruir o valor do objeto desejado.

c. Fase anal

Após estabelecer a confiança básica na ação, o movimento seguinte será o de estabelecer a autonomia interna. Até então os movimentos respiratórios, excretórios e emocionais eram vividos de forma passiva. O crescente desenvolvimento neuromotor leva a criança ao controle progressivo da ação, cujo ápice é o desenvolvimento da marcha e do estar ereto sem esforço. Controlar os esfíncteres e tudo o mais expressam sua autonomia em relação às funções internas e a conquista de um espaço mais amplo de relação com o mundo. Estende-se até os dois anos e meio. Energeticamente ocorrerá a ativação da onda dois do orgonome material. Essa ativação levará ao controle da respiração e dos esfíncteres, e da fixação da posição dos quadris, estruturando a base corporal ereta.

Diferenças que a fase anal traz:

- Fonte do prazer: Eliminação de produtos internos, e não mais contato com objetos externos.
- Movimento energético passa a ser descendente, ao invés de ascendente (oral).
- Ao prazer da excreção soma-se o prazer narcisico de prolongar, reter ou ativar a eliminação.
- O processo de descarga anal é altamente eficiente na solução biossistêmica (baixo nível de angustia do tipo anal passivo).
- Movimento descendente da energia ativa funções a serviço do contato com a terra, com o mundo das relações, com a realidade.

Período em que a criança já não é mais um bebê, que se volta para si mesmo, a fim de estabelecer uma identidade e autonomia interna. Sua solicitação de amor e cuidados diminui ao mesmo tempo em que começa a organizar seu espaço e seus objetos pessoais. Seu quarto, sua caminha, seus brinquedos e seu prazer pessoal passam a ser o centro de seu mundo.
Sobre essa evolução natural sobrevém exigência de controle esfincteriano e de higiene que conflitua com o prazer anal. Esse fato chama a atenção da criança para a importância que o adulto dá ao seu excremento. O coco passa a ser um recurso eficiente para controlar o interesse dela por ele. E também um meio de manipulá-la e agredi-la. O comportamento anal passa a ser o modelo básico de manipulação do mundo.
Fixação: Controlar todas as saídas viscerais. Negar expressão quando solicitado, ou expressa-las em situações impróprias como meio de agressão, manipulação, controle do mundo, como se expressões, emoções, impulsos e comunicações fossem produções excretoras.
Atender a onda dois (Expulsar os excrementos) ou a onda um (Retê-los e ter a garantia do amor materno) passa a ser modelo básico de ambivalência e dúvida. As conotações de feio, sujo e vergonhoso se estendem às emoções, impulsos, comunicações, etc.
Assim, eliminar as fezes pode ser tanto um ato prazeroso quanto agressivo. Segurá-la pode ser tanto a busca de amor quanto uma atitude hostil.
A ambivalência dúvida e as culpas estarão sempre implícitos no comportamento anal. A ambivalência estará expressa em tensões musculares contraditórias que impedem movimentos espontâneos, leves e graciosos. Isso mantém a pessoa acossada internamente, com a constante sensação do temor do ridículo. Com medo de expor suas coisas sujas. A ambivalência se manifesta na conduta: A pessoa pode ser mesquinha, e no outro momento gastar muito. Surge a necessidade de manter um controle racional estrito e uma auto-critica feroz sobre toda produção interna, o que leva a dúvidas torturantes. O sistema se fecha, evitando formas eficientes de descarga. Isso gera culpa pelo isolamento em relação ao outro e ao mundo. A defesa anal encerra o eu num castelo intransponível, absorve energia do oceano orgone cósmico, e não descarrega nem devolve ao universo o que lhe é de direito. A pessoa fica impossibilitada de restabelecer contato com sua natureza interna e externa, assim como com Deus. A racionalidade anal procura sempre racionalizar a imensa culpa que sente.

- Analidade repressiva.

Nesse caso, as forças de contenção predominam sobre a busca do prazer excretor .Autonomia interna torna-se rígida, e a individualidade se fecha num bloco corporal compacto. Reter e acumular passam a ser traços valorizados, de onde derivam à mesquinhez e a avareza. Preocupação excessiva com dinheiro e bens. O controle racional, a auto-critica, a dúvida a ambivalência e a culpa atingem o seu grau máximo.

- Analidade insatisfeita.

Apresenta a contenção predominando no bloco funcional superior, enquanto o bloco inferior apresenta-se mais livre. A contenção se faz sobre a onda emocional. É como se o ego tivesse desistido da busca do amor em prol do prazer anal e dos ganhos secundários derivados dos cuidados e atenção com a higiene. O controle racional, a ambivalência, a culpa, a dúvida continuam presentes, mas num grau mais ameno. A mesquinhez e a avareza estão ausentes em função da liberação anal. Buscará pessoas que cuidem dele, limpem e ordenem suas coisas pessoais e organize seu tempo, seu trabalho, etc. Como a onda descendente (dois) está presente, este caso está a meio caminho da genitalidade, e sua ambivalência se expressará entre a solução anal passiva e a genitalidade. Essa defesa passiva é próxima da defesa histérica, para alguns orgonomistas.

O desenvolvimento da função mental/racional está ligado à fase anal. Separar o intelecto saudável do patológico (intelecto como defesa).
No animal, as sensações internas (fome) e as percepções externas (um predador) são mutuamente ativantes, geram uma tensão e levam à ação. A fome leva a localização (percepção) do alimento. O predador (percepção externa) gera uma sensação (medo), que os faz agir.
No ser humano, a função mental possibilita a contenção da tensão interna, bloqueando seu livre fluxo para o músculo. Essa contenção desvia o fluxo energético de volta para o cérebro. Além da contenção geral da musculatura, a retração do anel oral e sua fixação ao cervical fazem o trabalho de desviar o fluxo energético para a cabeça. Esse mecanismo é saudável e está na base da postergação. Até a fase oral, os problemas requerem soluções imediatas. Na fase anal, a criança começa a desenvolver a capacidade de postergação, ou seja, passa a suportar um aumento da pressão interna, buscando situações mais adequadas a sua satisfação.

Função mental:

Definição bioenergética: Capacidade de desviar o fluxo energético para avaliação das sensações e percepções, ensaiar a ação, e por fim, dirigi-la de forma voluntária.
Os bloqueios da fase anal ocasionam um isolamento do eu e o enrijecimento da percepção. Nessas condições, a racionalidade perde seus pilares do sentir profundo e da percepção fluida. Ego, buscando equacionar-se no mundo, aberto a idéias, pessoas, crenças, ideologias, perde a possibilidade do questionamento a partir do sentir profundo e da percepção mais livre. Assim, forma-se uma racionalidade secundaria que alimentará comportamentos rígidos e constantes, que refletirão circularmente em percepções rígidas de si próprio e do mundo. Essa racionalidade secundaria preenche o vazio perceptivo ao mesmo tempo em que impede o acesso a ele. Ela é desprovida de sentimentos, de coração.
As fixações insatisfeitas, de modo geral, apresentam baixa capacidade de contenção, sendo, dessa forma, impulsivas. As defesas repressivas apresentam maior capacidade de contenção. Uma racionalidade mais intensa, que, constantemente, os impede de agir. O bloqueio do anel cervical, entretanto, está presente em todos os tipos de neurose.

d. Fase genital infantil

A criança se volta para a diferenciação sexual e para a aprendizagem dos modelos com os quais se identificarem. Irá até a fase dos seis anos. Energeticamente, significa que a onda descendente já estruturou suas bases e agora vai para frente, ativando os órgãos genitais. O ego passa a lidar com o prazer genital e precisa aprender novos comportamentos para lidar com essa função emergente. Corporalmente, ele deverá assumir a flexibilização da pelve para uma liberdade genital maior e sua mobilização anteroposterior para atender a necessidade sexual. A energia está se dirigindo para os genitais.

Desenvolvimento e relacionamento com os pais:

1. Fases visual e oral: O bebe necessita do mundo, centralizado na figura materna, para o alimento, proteção e acolhimento.
2. Fase anal: Diferenciação entre as figuras paterna e materna. A mãe representa o centro da relação de dependência. Pai passa a ser a ponte efetiva para o desenvolvimento da autonomia e modelo para uma relação com o mundo mais amplo. Nessa fase, a criança, independente de sua sexualidade, precisa que a mãe aceite o afrouxamento progressivo da dependência e o pai o apóie no desenvolvimento da autonomia e segurança.

3. Fase genital: Os papéis dos pais variam, dependendo da identidade sexual.


- Menino:

O pai é modelo de como ser homem. Este tentará imita-lo nos gestos, atitudes, gostos. Imitação, identificação e supervalorização paterna. Após identificar-se como homem, o garoto volta-se para a mãe, buscando-a como mulher (apenas o papel. Ele não tem maturidade para efetivar). Ele precisa ser amado em seu novo papel, mas ao se aproximar da mãe, é invadido pela angústia incestuosa. O pai passa a ser um rival, o que pode gerar competição e confronto. Porém, essa rivalidade também serve para diminuir a angustia. O pai é o limite ao seu desejo e a salvação contra a angustia incestuosa.

> Se a figura paterna for muito frágil: Formação de um tipo de impulsivo sexual com fortes traços incestuosos, sobretudo se também ocorrer sedução materna. Diante da angustia incestuosa pode dar-se ainda um recuo para a analidade passiva ou oralidade.

> Figura paterna muito forte ou agressiva/competitiva: Intensa angustia de castração, com o risco de uma fuga da genitalidade.

- Menina:

Período de reconhecimento, identificação e imitação/supervalorização. Em seguida, busca o pai para experimentar seu novo papel. Mãe surge como rival, estabelecendo os limites da relação. Angustias incestuosa e de castração entram em cena.

>Figura materna frágil e sedução paterna: Fixação na busca sexual incestuosa.

> Mãe agressiva e competitiva: Poderá ativar a angustia de castração e recuo para analidade ou oralidade.

Quando uma criança não se sente amada em sua identidade sexual, ela pode:

- recuar para estágios anteriores.
- Permanecer na genitalidade, porém carregada de mágoa, ressentimento e desejos de vingança.

Dificuldades da criança em seu desenvolvimento:

- Dificuldades de identificação com o genitor do mesmo sexo, por aspectos negativos que ele expresse em relação a sexualidade. Mãe submissa, pai passivo, mensagens negativas a respeito da sexualidade e das figuras materna e paterna.
- Falta de receptividade do genitor do sexo oposto, gerando a experiência de não ser amado em sua diferenciação sexual, o que ativa a mágoa, o ressentimento e os impulsos vingativos na relação afetivo-sexual. Com freqüência os pais não suportam o contato físico com os filhos quando estes começam a mostrar interesse sexual.

- Ausência de limites expressa por um ou os dois genitores. Intensificação da angustia incestuosa e eventuais recuos às fases anteriores. Pais passivos ou ausentes; Separação nessa fase crítica e liberalidade sem contato emocional.

- Sedução pelo pai do sexo oposto, geralmente associadas a indisfarçáveis discriminações entre os vários filhos. Intensificação da competição e dificuldades entre irmãos do mesmo sexo, além de ativar uma busca incestuosa impulsiva. Em casais com dificuldade, pais podem arregimentar sedutoramente os filhos como aliados em sua disputa pessoal.

- Limite e competitividade agressiva exageradas impostas por pais rígidos e inseguros ou diante de uma irmandade muito grande ou muito competitiva intensificam a angustia de castração fazendo recuar a genitalidade e o impulso ao crescimento. Advém daí o medo de lutar, de conquistar, de ter sucesso.

A fixação na fase genital infantil (defesa rígida) é dividida em dois sub-tipos:
Em cada um, há o traço insatisfeito e o repressivo.Culturalmente, o tipo fálico-narcisista é masculino, e o tipo genital-incestuosa é mais feminino.

- Fálico-narcisita. Dois sub-sub-tipos.

O homem fálico e a mulher agressivo-masculina.

Ligado a sexualidade de forma narcísica. Vivencia centrada nas funções mental e muscular. Pouco contato com a função visceral. O fálico insatisfeito age com impulsividade, em busca da conquista sexual, que se sobrepõe ao prazer sexual. O fálico repressivo, a força narcísica age em direção oposta ao impulso, criando intensa atitude repressiva sobre a sexualidade e sobre atitudes sexuais no nível social. (Parece-se com o caráter compulsivo de Lowen).

-Genital-incestuosa. Dois sub-sub-tipos.

Mulher histérica e o homem passivo-feminino. Manteve-se visceralmente ligado a sexualidade, porém com intensa angustia incestuosa. No traço insatisfeito, o ego foge da angustia numa busca frenética de sexo, podendo chegar a ninfomania. No traço repressivo, o medo da sexualidade gera contenção do prazer sexual, resultando anestesia genital ou recuo para analidade/oralidade.





4. Fase do poder

A fase do poder é posterior a fase genital infantil. Alfred Adler chamou a atenção para a importância da busca do poder no desenvolvimento humano.
Em cada etapa do desenvolvimento o ego assume controle sobre um determinado grupo de músculos responsáveis pelo controle de funções bioenergéticas específicas. Na fase do poder, a onda bioenergética envolvida liga-se às ondas emocional e do prazer. O ego desenvolve o controle sobre a musculatura diafragmática.

Respiração:

Duas formas de respiração: Torácica e abdominal. A torácica é mais fácil de controlar, pois tem inervação predominante via nervos espinais. Começa a ser assumida pelo ego na fase anal. O controle voluntário é mais acessível. A respiração abdominal é mais involuntária, pois o diafragma é enervado via nervo frênico. Como também tem enervamento espinhal, pode ser controlada voluntariamente, embora de forma mais tardia.
A ação egóica sobre o diafragma possibilita o controle dos blocos funcionais, podendo bloquear as ondas emocional e do prazer. Esse controle possibilita a expeeriencia do controle interno, que servirá de base para o controle e busca do poder externo. Estabelece assim, o poder mental sobre os sentimentos e sobre os impulsos. A vida começa a ser dirigida racionalmente.
Aos sete anos, a criança empreende seu movimento de ir para o mundo externo/social. Começa a desenvolver a racionalidade e as habilidades físicas, ligando-a ao mundo dos esportes competitivos. Necessitará de modelos de comportamento social e de apoio para ser bem-sucedida. Os conflitos nessa fase têm origem na falta ou traição ao apoio necessário. Também na falta de modelos significativos. Normalmente as duas coisas ocorrem juntas.

Exemplo de formação da defesa psicopática:

Um garoto que necessita do modelo paterno para o comportamento social. Se a mãe desqualifica o pai ou este for muito severo, distante ou frágil, o garoto volta-se para a mãe retomando a identificação com ela. Em geral, contará também com muita sedução da parte dela. Passará a ser o filho especial que a salvará daquele pai ou do mundo. A criança desloca então toda sua energia para a cabeça para lidar com o mundo e enfrentar a vida social. Carregará internamente uma identidade feminina. Mais tarde, contará com a reprovação materna por seu comportamento. Para ser o garoto especial teve que fazer uma traição interna em relação a sua identidade masculina e depois se sentirá também traído pela mãe. A partir daí, apresentará um comportamento duplo: Será um bom garoto na aparência e terá seu comportamento psicopático numa vida dupla. Com a menina pode ocorrer a mesma dinâmica, mas com relação ao pai.
Outras situações que podem ativar esta forma de defesa: Falta de apoio na fase de socialização da criança, desorganização familiar, recorrência de situações de injustiça, traição familiar em seu esforço de conquista social. Todas as situações em que a criança necessita crescer rápido, fazer esforço para sobreviver ou suportar injustiças exigirão dela o abandono precoce da infância e o uso prematuro da mente racional para confrontar-se com o mundo. A sensação interna de traição será constante.
Corporalmente, a defesa psicopática se organiza a partir do controle dos blocos funcionais. O controle sobre a onda descendente desvia a energia para o bloco superior, fornecendo energia ao movimento de conquista, competição, poder e prestígio. O controle sobre a onda ascendente, por sua vez, bloqueia a resposta emocional, proporcionando energia para o poder místico e a megalomania. Esse bloqueio leva ao deslocamento da energia para cima, em direção a cabeça. A atitude de superioridade expressa esse deslocamento. O controle mental sobre o prazer sexual. Este pode ser rebaixado e substituído pelo prazer oral, como demonstra a “barriga proeminente” do homem bem sucedido. A área diafragmática apresenta-se abaulada, indicando o uso do poder como evitação do medo.
Atitude espoliativa sobre a vida interna e sobre a natureza e as pessoas. A culpa resultante exige a reparação frente a sociedade, e sua não-solução resulta em atitudes auto-destrutivas.
Toda neurose tem um encouraçamento do diafragma e uma não aceitação da vida em sua expressão natural.

- Fixação insatisfeita:

Busca constante e impulsiva da conquista, domínio, posse e subjugação do mundo. Controle constante do mundo externo. Quando ligada a onda dois (descendente), expressa-se num poder efetivo de ação no mundo. Se predominar a onda ascendente (um), pode haver uma atitude sugadora e megalomaníaca, quando ligada a oralidade, ou mística, quando ligada ao visual.

- Fixação repressiva.

Luta contra os impulsos e teme a subjugação interna e externa. Temor pode se ligar a um poder real externo (genital), um medo vago de ser explorado (oral), ou dominado por forças misteriosas (visual). Controle espoliativo se dá sobre a vida interna e num afastamento dos estímulos que ativem as funções vitais temidas e controladas. Conflito básico entre dominação ou subjugação. Suas defesas são conhecidas como deslocamentos ou defesas psicopaticas.

e. Formações reativas, impulsividade e sublimações.

Segundo Baker, todo adulto medianamente são atingiu a fase genital infantil. A fase de organização final do caráter retomará as defesas que de alguma forma tiveram mais eficiência na solução biossistêmica e na garantia do amor da infância É claro que uma fixação na fase visual ou oral diminuirá a energia disponível que se orientará para a analidade, e uma fixação nesta diminui a força da genitalidade. “não existem tipos caracteriológicos puros , mas uma mescla de soluções com predominância em determinadas formas de descarga energética.” Mesmo essa predominância varia no decorrer da terapia e do dia a dia.
Uma superposição de duas ou três defesas é o que costuma ocorrer, com uma delas predominando e dando o colorido específico ao caráter. O trabalho analítico em geral é feito a partir da defesa mais superficial em direção as mais profundas (É o “descascar a cebola” de Reich).
Ao tentar estabelecer um diagnóstico, o trabalho é bem mais complexo, visto que a organização final do caráter é uma disposição dinâmica de defesas. “Estamos interessados na disposição dinâmica das defesas, e não no estabelecimento de um diagnóstico de caráter!”.

No adulto, a energia que ultrapassa o nível genital fica disponível para a sublimação, para o desenvolvimento de potenciais humanos superiores. A energia que se mantiver fixada nas várias fases do desenvolvimento será consumida, alimentando comportamentos específicos. Tais comportamentos constituem as formações reativas e comportamentos impulsivos.
Conceito de sublimação em Freud e em Reich: Para Freud, a sublimação é a contenção do impulso e seu redirecionamento para comportamentos sociais (como a formação reativa de reich). Para reich, a sublimação ocorre quando ultrapassa o nível genital adulto, e não antes dele, passando a ficar disponíveis para potenciais superiores. Reich observava que após a liberação das fixações infantis, ocorria uma mudança qualitativa em seus clientes. Eles se tornavam naturalmente amorosos e ligavam-se a uma moral natural e a valores universais. Postulou a existência de um caráter natural e saudável: O caráter genital.

Emergência do ego maduro:

Resolvidos os conflitos até o nível genital, a energia do homem fica disponível para os potenciais humanos superiores. O autor os chama de potenciais pós-genitais, ao invés de sublimações, como Reich.
Em cada fixação há retenção de energia, frustração de anseio, dor e raiva. É mantida no corpo por retenções musculares e na mente por crenças.

Fim

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Análise do Caráter - Alexander Lowen

Análise do caráter – Pequeno histórico.

a. Análise do Caráter, de 1933. Wilhelm Reich. Resultados de nove anos de trabalho psicanalítico.

b. Um texto básico da literatura psicanalítica. Junção entre psicologia e biologia. Para o autor, é a maior realização da técnica psicanalítica.

c. Caráter: Expressão do funcionamento do individuo tanto no âmbito psíquico quanto somático.

d. 1908: Freud publica: “Caráter e erotismo anal.” A fórmula de Freud mostrou-se inadequada porque não era possível derivar o caráter a partir de nenhuma combinação entre os traços. Ao contrário, os traços são aspectos de uma estrutura unitária.

e. 1921: Abraham. Artigo sobre traços orais na fase anal. Em 24/25, ampliou os estudos sobre os tipos de caráter com mais dois artigos sobre os caráteres oral e genital. Considerações teóricas sem comprovação clínica.

f. Reich: Problema prático. Procura compreender o caráter em seu papel de resistência à interpretação analítica, e em sua função na economia orgânica da libido. Do primeiro ponto de vista, emergiram os princípios da análise do caráter que trataremos aqui.

Definições de caráter.

g. Abraham: Direção habitualmente tomada pelos impulsos voluntários de uma pessoa.

h. Atitude básica com a qual o individuo confronta a vida, seja na sessão analítica, seja em qualquer situação.

i. O caráter descreve uma realidade objetiva. Pode ser observado pelos outros, mas com mais dificuldade pela própria pessoa.

j. Ele apresenta um padrão típico de comportamento ou uma direção habitual. É um modo de responder que está estabelecido, congelado ou estruturado. Tem uma “característica” que sempre indica o modo de ser peculiar da pessoa.

k. Toda estrutura de caráter é patológica. O individuo que nunca teve suas energias libidinais estruturadas de modo típico ou numa direção, não é considerado dono de uma estrutura de caráter.

l. Personalidade e caráter: O primeiro é mais subjetivo: Descreve nossa resposta emocional a um outro ser. É a expressão da força vital num ser humano, e extensão dessa força no meio ambiente. Fulano é magnético, radiante, etc. O segundo é passível de observação objetiva.

Ego e caráter:

m. O ego é uma percepção subjetiva do self.

n. Otto Fenichel: Os modos costumeiros à disposição do ego para o ajustamento ao mundo exterior, ao id e ao superego, assim como os tipos característicos de combinações de todos estes modos constituem o caráter.

o. O ego ideal, ou idealizado: Parte da estrutura do caráter.

p. O individuo neurótico se identifica com seu caráter. Ele é a única modalidade na qual a vida instintiva tem sido capaz de funcionar.

q. O aspecto do ego ideal (determinação, por exemplo), é o maior triunfo e o maior empecilho à realização de uma vida mais bem sucedida. 120.

r. O caráter é resultante de forças opostas: o impulso do ego e as defesas do ego. Se pudermos separar o ego da estrutura de caráter na qual está enraizado, está livre o caminho para a modificação da estrutura. Para isso, devem ser vencidas as defesas egóicas. Essa é a tarefa de todas as terapias analíticas.

s. A análise do caráter tem um objetivo básico: Fazer com que o paciente sinta seu caráter como uma formação neurótica que limita e interfere nas funções vitais do ego. O paciente percebe o sintoma neurótico como alheio ao ego, enquanto aceita o caráter como ego. O problema analítico requer uma análise persistente e consistente do padrão de comportamento, mostrando como é que cada ação se encaixa no quadro total.

Estruturas de caráter.

1) Segue uma breve descrição de cada tipo de defesa e estrutura de caráter (imagens principais do Pathwork).

2) Aqui, abordamos o ponto de vista de Alexander Lowen, um dos principais estudiosos do caráter, e suas aplicações práticas para terapia.

3) Os sentidos dados aos termos “masoquista”, “psicopata”, “oral”, etc. tem um sentido Reichiano, e não Freudiano.

4) Mesmo assim, é possível fazer muitas correlações com a psicanálise clássica, principalmente com a escola objetal, a partir de Margareth Mahler e Melanie Klein.

5) O caráter rígido aqui é apresentado numa versão extremamente simplificada, não considerando as variações histérica, fálico-narcisista, compulsiva e passivo-feminino.

6) As estruturas de caráter aparecem conforme problemas no desenvolvimento acontecem, e acordo com a tabela abaixo:

Fase do desenvolvimento

Distúrbio

Caráter

Nascimento e primeiros meses de vida

Rejeição forte da mãe.

Esquizóide

Fase oral da 1ª infância. Até os doze meses.

Nutrição inadequada; Falta de contato íntimo com a mãe.

Oral

Fase oral/anal. Início da fase genital.

Falta de contato íntimo com a mãe. Posterior padrão de sedução e abandono.

Psicopata

Fase anal. 2º ano de vida.

Mãe invasiva e controladora. Criança não tem direito à expressão de sua independência e integridade.

Masoquista

Fase genital. Até a puberdade.

Frustração edipiana típica. Criança é rejeitada em suas expressões de afeto corporal

Rígido

A seguir, uma breve descrição dos cinco principais tipos de estruturas de caráter.

Estrutura de caráter esquizóide:

1) Tendência à formação do estado esquizofrênico.

a. Cisão do funcionamento unitário da personalidade. Ex: Pensamento dissociado do sentimento e do comportamento.

b. Refúgio dentro de si mesmo rompendo ou perdendo contato com a realidade externa.

2) Senso de si mesmo está diminuído; ego é fraco e cujo contato com seu corpo e sentimentos está diminuído em grande parte.

3) Aspectos físicos:

a. Corpo estreito e contraído. Com elementos paranóides na personalidade, o corpo fica mais cheio e mais atlético.

b. Principais áreas de tensão: Base do crânio, articulações dos ombros, articulações pélvicas e ao redor do diafragma.

c. Esta última é severa e tende a cindir o corpo em duas partes.

d. Ou extrema inflexibilidade ou maleabilidade nas articulações.

e. Face: Aparência de máscara. Olhos sem vivacidade.

f. Braços pendem como apêndices.

g. Pés contraídos e frios. Revirados. Peso do corpo nas bordas externas.

h. Discrepância entre as duas metades do corpo. Parecem não pertencer à mesma pessoa.

i. Situações de tensão: Corpo assume posição recurvada.

4) Correlatos psicológicos:

a. Senso de si mesmo inadequado.

b. Dissociação; Atitudes antagônicas.

c. Limite precário do ego. Falta de carga periférica. Resistência reduzida à pressão vinda de fora.

d. Evita relacionamentos íntimos e afetuosos.

e. Ações não baseadas em sentimentos: Comportamento “Como se”.

5) Fatores históricos e etiológicos:

a. Rejeição logo no início da vida, por parte da mãe. Com hostilidade encoberta ou não.

b. Isto cria o medo no paciente de toda busca, toda tentativa de auto-afirmação, conduza a este aniquilamento.

c. Falta de um sentimento positivo cheio de segurança e alegria.

d. Terrores noturnos na infância.

e. Conduta não emocional, retraimento, crises de raiva, comportamento autista.

f. Se um dos pais tiver protegido a criança em excesso no período edipico, por motivos sexuais, acrescenta-se um elemento paranóico à personalidade. Isto dá margem a “Acting out” (ato de chamar atenção exageradamente), no final da meninice e fase adulto.

g. Intensa vida de fantasia a fim de sobreviver (dissociação da realidade e do corpo).

h. Sentimentos predominantes: Terror e Fúria assassina. Encarcera os sentimentos para fugir de si mesma.

Estrutura de Caráter Oral.

1) Personalidade que contém muitos traços típicos da primeira infância.

2) Fraqueza, dependência dos outros, agressividade precária, sensação de precisar ser carregado, apoiado, cuidado.

3) Falta de satisfação e fixação neste período da infância.

4) Disfarce com atitudes compensatórias. Independência exagerada que não se sustenta em situações de tensão.

5) Carência afetiva.

6) Características físicas.

a. Corpo estreito e esguio.

b. Falta de energia e de força na parte inferior do corpo.

c. Vista fraca. Tendência à miopia. Excitação genital reduzida.

d. Difere do esquizóide por não estar tão enrijecido.

e. Musculatura é subdesenvolvida, mas não fibrosa (esquizóide). Braços e pernas compridas e magricelas.

f. Pés estreitos e pequenos. Pernas parecem não sustentar o corpo.

g. Joelhos encolhidos.

h. Tendência a escorregar.

i. Sinais físicos de imaturidade. Pelve menor que o normal. Pelo do corpo é esparso.

j. Corpos de criança.

k. Respiração superficial (baixo nível energético). Impulso de sugar reduzido.

7) Correlatos psicológicos.

a. Tendência a amparar-se em alguém.

b. Incapacidade de ficar sozinho. Desejo exagerado de estar em companhia das pessoas para receber seu calor e seu apoio.

c. Sensação de vazio. Outros preenchem esta lacuna.

d. Supressão de desejos e sentimentos intensos. Se fossem expressos, resultariam num choro muito profundo e numa respiração mais forte.

e. Sujeito a alternâncias de humor entre a depressão e a elação (euforia, animação).

f. Atitude de que as coisas lhe são devidas. O mundo deve sustenta-lo. Deriva das primeiras experiências de privação.

8) Fatores históricos:

a. Privação inicial: Morte da mãe, doença, ausência para trabalhar, mãe deprimida.

b. Desenvolvimento precoce: Aprender a falar e a andar mais cedo que o normal.

c. Amargura na personalidade (Frustração de contato e calor humano).

d. Depressão no final da infância e início da adolescência.

e. Não tem comportamento autista do esquizóide. Elementos esquizóides no oral e vice-versa.

Estrutura de caráter psicopata.

1) Negação do sentimento. Atitude psicopática. Diferente do esquizóide que se dissocia do sentimento.

2) O ego/mente volta-se contra o corpo/sentimento, principalmente de natureza sexual.

3) Grande acumulo de energia na própria imagem.

4) Motivação de poder e necessidade de controlar e dominar.

5) Dois modos de ter domínio sobre o outro:

a. Oprimindo diretamente.

b. Sedução.

6) Características físicas:

a. Parte superior do corpo “cheia de ar”.

b. Parte inferior parece com a da estrutura oral.

c. Hiperexcitação da capacidade mental.

d. Olhos atentos e desconfiados. Não abertos para os inter-relacionamentos.

e. Necessidade de controle contra si mesmo: Cabeça muito erguida (não posso perder a cabeça) mantém o corpo rijo nos limites de seu controle.

f. O corpo do sedutor é mais regular sem aparência inflada.

g. Costas hiperflexiveis.

h. 1º tipo: Pelve tem carga reduzida e é sustentada de maneira rígida.

i. 2º tipo: Carga excessiva e desconectada.

j. Ambos apresentam espasticidade acentuada do diafragma.

k. Tensões no segmento ocular.

l. Tensões musculares graves na base do crânio.

7) Correlatos psicológicos.

a. O psicopata “depende” de alguém para controlar. Dose de oralidade.

b. Medo de ser controlado/usado.

c. Disputa pelo domínio entre pais e filhos.

d. Não admite fracasso (necessidade de estar por cima). Coloca-se na posição de vítima.

e. O prazer na atividade tem menos importância em relação ao desempenho próprio ou à conquista.

f. Estratégia: Fazer com que os outros precisem dele, para que ele não precise expressar essa necessidade. Deste modo está sempre acima dos demais.

8) Fatores históricos.

a. Dificuldade em elucidar experiências de vida, pois nega os sentimentos/experiências.

b. Presença do pai sexualmente sedutor. Encoberta e realizada para satisfazer às necessidades narcisisticas do mesmo.

c. O pai sedutor é alguém que rejeita a criança, em suas necessidades de apoio e de contato físico. (Traço oral).

d. Nesta situação, qualquer tentativa de sair em busca de contato coloca a criança em posição de extrema vulnerabilidade. A criança desprezará a necessidade (deslocamento ascendente), passando por cima dela, ou a satisfará através da manipulação dos pais (tipo sedutor).

e. Traço masoquista: Submissão ao genitor sedutor. Ela não tinha como se revoltar ou sair da situação. Quanto mais abertamente a criança se submete, mais perto do genitor conseguirá ficar. (Mais presente no tipo sedutor).

f. Depois que tiver funcionado a sedução e estiver firme vinculo com a outra pessoa, o papel se inverte e emerge o sadismo.

Estrutura de caráter masoquista.

1) Aquele que sofre e se lamenta. Que se queixa e permanece submisso.

2) Tendência predominante é a submissão.

3) Internamente, acontece o contrário. Emocionalmente, a pessoa acolhe sentimentos intensos de despeito, negatividade, de hostilidade e superioridade.

4) Estes sentimentos estão fortemente aquém dos ataques de medo, que explodiria num violento comportamento social.

5) O medo de explodir é contraposto a um padrão muscular de contenção. Músculos densos e poderosos restringem qualquer asserção direta de si, permitindo somente as queixas, os lamentos.

6) Características físicas.

a. Corpo curto, grosso, musculoso.

b. Pelos no corpo.

c. Pescoço curto e grosso (atarracamento da cabeça).

d. Cintura mais curta e mais grossa.

e. Projeção da pelve à frente. Encurtamento para cima e achatamento das nádegas. Cão com rabo entre as pernas.

f. Dobra na cintura (resulta das tensões na região).

g. Mulheres: Rigidez na metade superior e masoquismo na metade inferior (Nádegas e coxas pesadas, tonalidade escura da pele, da estagnação da carga energética).

7) Correlatos psicológicos.

a. Agressão e auto-afirmação bastante reduzidas, substituídas por queixumes e lamentos.

b. Conduta provocativa substitui a assertividade. O objetivo é receber uma resposta poderosa para que o masoquista tenha condições de reagir violenta e explosivamente (no sexo).

c. Sentimento “de estar preso num atoleiro”. Incapaz de movimentar-se livremente.

d. Submissão e cordialidade.

e. No consciente, identificação com a tentativa de agradar. No inconsciente, esta atitude é negada por despeito, por negativismo e por hostilidade.

f. Estes sentimentos reprimidos devem ser liberados antes que possa haver uma resposta descontraída frente à vida.

8) Fatores históricos.

a. Amor e aceitação ao lado de uma repressão severa.

b. Mãe é dominadora e se sacrifica. Sufoca a criança, que é levada a se sentir culpada por qualquer tentativa de declarar sua liberdade ou de afirmar sua atitude, quando negativa.

c. Pai passivo e submisso.

d. Ênfase exagerada à alimentação e à defecação, fator que se soma à pressão já mencionada.

e. “Seja um bom menino. Coma toda sua comida. Faça coco direitinho. Deixe a mamãe ver”.

f. Todas as tentativas de resistência, inclusive os acessos de birra, foram esmagadas.

g. Sentimento de ter sido ludibriado. Só é possível reagir com despeito, que, por sua vez acaba na autodestruição. Não há possibilidade de saída, do ponto de vista da criança.

h. O paciente quando criança lutava consigo mesmo, com um profundo sentimento de humilhação, toda vez que se deixava soltar livremente, na forma de vômitos, de desafios, de fazer xixi e coco nas calças.

i. Tem medo de meter-se em situações delicadas (ficar sobre um pé só) ou de intrometer-se (espichar o pescoço - vale o mesmo para os genitais) por medo de ser rejeitado. A ansiedade de castração é muito acentuada.

j. Pior medo: Ser afastado dos relacionamentos familiares, provocadores de amor, embora sob certas circunstancias.

Estrutura de caráter rígida.

1) Tendência a se manterem eretas, de orgulho.

2) Cabeça bem erguida, coluna reta.

3) Medo de ceder. Ato de submeter-se é como perder-se completamente.

4) Rigidez: defesa contra uma tendência masoquista subjacente.

5) Está sempre alerta contra situações onde possam aproveitar-se dele, onde possa ser usado ou enganado.

6) Defesa: Contenção de todos os impulsos de sair em busca exterior, de abrir-se.

7) Rigidez é segurar-se nas costas. Capacidade de conter: Forte controle do ego e elevado teor de controle comportamental.

8) Posição genital forte. Bom contato com a realidade, que é empregado como meio de defesa contra os impulsos que buscam o prazer/ceder. Este é o conflito básico de sua personalidade.

9) Características físicas.

a. Proporcional. Harmonia entre as partes.

b. Pessoa se sente integrada e conectada.

c. Vivacidade do corpo. Olhos brilhantes, boa cor da pele, leveza de gestos e movimentos.

d. Se a rigidez for grave: Diminuição das características descritas. Menos graça e leveza.

10)Correlatos psicológicos.

a. Mundanos, ambiciosos, competitivos, agressivos. A passividade é experimentada como vulnerabilidade.

b. Orgulho/teimosia, mas não despeitada.

c. Ceder é parecer imbecil. Então se contém. Acha que a submissão acarretará na perda de sua liberdade.

d. Caráter rígido descreve vários tipos de personalidade.

e. Tipos fálicos, narcisistas (masculinos), cujo elemento central é a potencia eretiva.

f. Tipo vitoriano da mulher histérica (Reich). Usa o sexo como defesa contra a sexualidade.

g. Caráter compulsivo também faz parte.

11)Fatores históricos.

a. Sem situações severamente traumáticas com posições defensivas mais complexas.

b. Experiência de frustração na busca da gratificação erótica, no nível genital.

c. Proibição da masturbação infantil e em relação ao pai do sexo oposto.

d. Rejeição das buscas de prazer erótico é considerada pela criança como uma traição de sua ânsia de amar (sexualidade é amor, nessa fase).

e. O rígido não abandona sua consciência. Ela age com o coração, com restrições e sob o controle do ego.

f. Estado desejável: Render o controle.

g. Move-se de modo indireto e dentro dos limites de sua guarda no sexo. Não é manipulativo como o psicopata. As manobras buscam a proximidade.

h. A rejeição de seu amor sexual é um ataque ao seu orgulho, insulta seu orgulho.

Hierarquia dos tipos de caráter e uma declaração de direitos.

1) Hierarquia. Do esquizóide à saúde emocional.

2) Critério: O grau de intimidade que se permitem ter.

3) O esquizóide evita a proximidade íntima.

4) Oral entra em intimidade com base em sua necessidade de ter calor humano e apoio, em bases infantis.

5) Psicopata só consegue se relacionar com os que precisam dele. Enquanto for necessário, permite um grau limitado de intimidade.

6) Masoquista é capaz de estabelecer um relacionamento intimo, com base em sua atitude submissa. É superficial, mas é mais intima do que todas as três anteriores.

7) O rígido estabelece relacionamentos relativamente íntimos, pois mantem-se alerta, apesar da aparente aproximação e compromisso com as outras pessoas.

8) A estrutura de caráter é o melhor arranjo que a pessoa conseguiu propor-se.

9) Conflitos inerentes às estruturas de caráter:

a. Esquizóide: Se eu expressar minha necessidade de estar próximo de alguém, minha existência entra em perigo. Só posso existir se não tiver necessidade de intimidade. Portanto, ela tenta permanecer em isolamento.

b. Oral: Se eu sou independente, devo desistir de toda necessidade de apoio e calor humano. Posso exprimir minhas necessidades na medida em que não sou independente. Se esta pessoa abandonar sua necessidade de aproximação e amor, cairá na esquizofrenia.

c. Psicopata: Posso aproximar-me se eu deixar você me controlar ou usar-me. A criança é forçada a inverter os papéis nos relacionamentos posteriores e torna-se a parte controladora e sedutora (principalmente com orais). Mantendo então o controle sobre o outro, pode permitir-se certa intimidade. “Você pode ficar ao meu lado enquanto me olhar de baixo para cima”, em vez de “Eu preciso estar perto de você”.

d. Masoquista: “Se eu for livre, você não me amará”. “Serei seu menininho bem comportado e então você me amará”.

e. Rígido: Posso ser livre se não perder minha cabeça e se não entregar-me totalmente ao amor.

10)Dualidades:

a. Esquizóide: existência x necessidades.

b. Oral: Necessidades x independência.

c. Psicopatico: Independência x intimidade.

d. Masoquista: Intimidade/proximidade x liberdade.

e. Rígido: Liberdade x Ceder ao amor.

11)A cura está em fazer desaparecer o antagonismo aparente das proposições. Você pode ter as duas coisas.

12)Declaração de direitos:

a. Direito de existir.

b. Direito de ter segurança nas próprias necessidades.

c. Direito de ser autônomo e independente.

d. Direito a auto-afirmação.

e. Direito de ter desejos e de fazer esforços no sentido de satisfazê-los direta e abertamente.

Fontes bibliográficas.

Lowen, Alexander. O corpo em terapia.

Lowen, Alexander. Bioenergética.

Reich, Wilhelm. Análise do caráter.

Mahler, Margareth. O nascimento psicológico da criança.

Thesenga, Susan. O eu sem defesas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

The Evolving Self

Segue um resumo da obra de Robert Kegan: "The evolving Self". 1982. Harvard University Press. Este livro é leitura árdua, não tenha ilusões quanto a isso. Mas abre perspectivas novas e instigantes no trabalho com psicoterapia.
Considero sua leitura fundamental para a construção de uma visão de desenvolvimento do ego adulto na sociedade contemporânea. E também para entender os intrincados processos cognitivos a que estamos sujeitos nas crises da vida, muito além dos traumas emocionais e das questões infantis. Para muito além do corpo e do estudo do caráter.
Boa leitura.
E. Kant - “A Percepção sem conceituação é cega” .
A. Huxley “Experiência não é o que acontece a você, mas o que você faz com o que acontece a você”.
A proposta principal do trabalho do autor é integrar a abordagem cognitiva - desenvolvimentista de Jean Piaget com as linhas neo –psicanalíticas, em especial a abordagem de relações de objeto.
Essa sua obra inicial, "The evolving self", de 1982, ainda sem tradução para o português, delineia uma teoria completa nessa direção. A 1ª parte do livro explora as teorias de Piaget e Lawrence Kohlberg, que serão integradas no capítulo 3 da parte 1. No capítulo 3 o autor faz uma rápida descrição de sua taxonomia, de um ponto de vista estrutural. Como num "scanner", passamos rapidamente pelos estágios de crescimento a que estamos sujeitos durante toda uma vida. Na parte 2, o autor inicia uma investigação fenomenológica, capítulo a capítulo, etapa por etapa, das fases de desenvolvimento propostas. A saber: A incorporativa/impulsiva (Nível um), Imperial (nível dois), Interpessoal (nível três), Institucional (nível quatro). O estágio interindividual (nível cinco) não é abordado nessa obra. Ele reaparece no seu segundo livro “In over our heads”, de 1994, onde o autor a desenvolve em vários contextos da vida adulta.
Para o autor, a abordagem piagetiana está mais bem equipada para lidar com as questões mais centrais e atuais das psicologias psicodinâmicas, mais em voga na prática clínica contemporânea.
O tema deste livro pode ser descrito como o estudo do ser humano tanto como processo (visão construtivista) quanto como “coisa”, ou entidade. O ser humano é visto como uma atividade: Aproveitando essa fecunda discussão, o autor nesta introdução nos apresenta às duas idéias que, segundo sua visão, mais influenciou a atividade intelectual nos dois últimos séculos: O construtivismo (pessoas ou sistemas constroem a realidade) e o desenvolvimentalismo (Sistemas orgânicos evoluem através de princípios regulares de estabilidade e mudança).
Refletindo sobre a natureza de como a cognição é construída e mantida, o autor argumenta que o que um “organismo faz de mais básico é organizar”. E o que ele organiza é o sentido. Não se trata de afirmar que a pessoa “cria” ou “faz” o sentido. É mais como afirmar que a atividade de ser uma pessoa é a atividade de criar ou fazer sentido.
Não há, portanto, nenhum sentimento, experiência, pensamento ou percepção independente de um contexto de criar sentido. Nada se torna um sentimento, uma experiência, um pensamento, uma percepção por si só.
“A principal coisa que fazemos com o que nos acontece é organizar aquilo”.
Piaget e Lawrence Kohlberg foram dois importantes autores que verificaram o formato universal e transcultural em que ocorre o desenvolvimento humano.
A perspectiva construtivista-desenvolvimentista não teve igual interesse no outro lado da mesma atividade: A maneira que essa atividade é experienciada por um “eu mantido dinamicamente, e com esforço”. Os ritmos e trabalhos da luta por fazer sentido; Para ter sentido, para proteger o sentido, para ganhar e perder o sentido e perder o eu, ao longo do caminho.
Piaget via a construção de sentido pelo lado de fora. O que permaneceu ignorado pela sua abordagem foi uma visão de dentro, interior, o que Fingarette chamou de “Visão Participativa”. O ponto de vista do eu.
As abordagens fenomenológicas e humanistas/existenciais levantaram essas mesmas questões sobre o ser humano, sobre a aquisição de significado, e sobre processo de gerar uma nova visão que contextualiza esse novo eu (e portanto um novo compromisso, uma nova agenda). Mas esses teóricos não tiveram o poder metodológico e teórico de falar em profundidade de uma maneira intersubjetiva sobre essa atividade de criar sentido; De colocar ou mesmo explorar as regularidades entre pessoas nessas atividades, em respeito as suas formas e processos.Fomos deixados, então, com uma abordagem rigorosa porém reducionista, por um lado, e uma concepção rica, mas vaga de atividade psicológica, de outro.
A segunda grande idéia: O “Desenvolvimentismo”. Afirma Phillip Rief: “Consideremos quatro grandes formadores da maneira como nós modernos moldamos nossa experiência: Freud, Marx, Darwin e Einstein. Três deles são desenvolvimentistas. Consideremos agora três grandes contribuidores na área da psicologia: Freud, Piaget e Skinner. Dois deles são desenvolvimentistas”.
Há uma dinâmica curiosa entre as duas linhas de trabalho em psicologia aqui mencionadas. A psicanálise tem pouca vida dentro das academias, mas é a prática guia dentro de hospitais e clínicas. Já a abordagem cognitiva tem florescido dentro da academia, mas está ausente no trabalho clínico. De todo modo, ainda permanece a necessidade de uma meta-teoria que integre as duas visões, com cada uma de suas contribuições. Uma das dificuldades de integração entre as duas abordagens é o fato que cada uma colhe um tipo de dado. E também observa fenômenos diferentes. A psicanálise olha para o “como” e “porque” do equilíbrio psicológico (defesas disponíveis, estilo de caráter, força e capacidade do ego). A abordagem cognitivo-desenvolvimentista lida com o “que” e o “qual” do equilibro psicológico (Distinções qualitativas, entre balanços universais, Estados ou níveis do ego). A psicanálise é comumente associada ao estudo do afeto, e Piaget ao estudo da cognição. Mas ambas estão relacionados a ambos os aspectos. Cada uma tende a eleger um aspecto como dominante e a fazer do outro seu escravo.
Kegan descreve mais à frente o momento sublime em que sua filha aprende a ler a palavra “Areia” (“sand”). Descreve com emoção a dignidade de outro ser humano lutando e se esforçando para criar e dar sentido ao mundo. “O sentimento que senti não tem muita relação com o fato dela ser minha filha ou ser esperta. Mas o assombro de presenciar um ato íntimo de tentar fazer sentido – É muito tocante”. É uma experiência mais comum de presenciar nas crianças do que em adultos ou adolescentes. Será porque somos menos capazes de reconhecer estes fenômenos quando eles ocorrem? Sabemos identificar e apreciar um adulto lutando para reconhecer a si mesmo no meio de sentimentos conflituosos e em transformação? Ou a um adolescente em conflito entre a lealdade a seus próprios desejos e satisfação e sua emergente lealdade a preservação dos relacionamentos recíprocos? Ou a um homem tentando reconhecer suas necessidades de proximidade e inclusão? Ou a uma mulher tentando reconhecer sua necessidade de autonomia e poder pessoal? A teoria aqui proposta nos habilita a ver melhor o que as pessoas estão de fato fazendo. E o que os olhos vêem melhor o coração sente mais profundamente.
A idéia de estágios ou níveis de desenvolvimento encontrava muita resistência na época em que o livro foi publicado. Sua junção da dualidade sujeito - objeto com a idéia de desenvolvimento cognitivo de Piaget abre portas no entendimento do processo psicoterapêutico.
Segue uma descrição dos estágios de Robert Kegan.
No estágio um a criança é seus impulsos e percepções (Sujeito). Kegan o chama de Eu impulsivo/estagio um. Seu objeto de percepção são seus reflexos (sentidos, movimentos). Cognitivamente funcionam no estagio Pré-operacional de Piaget. No estágio dois (eu imperial) a criança se define por seus desejos, necessidades, interesses (Sujeito).Seu novo objeto de percepção e ação, antes sujeito, é internalizado (impulsos e percepções). Seu nível de cognição (Piaget) é o estagio Concreto – operacional. O próximo estagio, o estágio três, ou eu interpessoal, o adolescente reconhece que ele não e o único que possui desejos, interesses e necessidades. Existe o outro, igualmente portador de uma subjetividade. O adolescente objetifica então seus desejos e os negocia em suas relações. O relacionamento passa a ser a instancia onde a pessoa se define (O novo Sujeito). Cognitivamente, o adolescente se encontra no nível inicial que Piaget chama de formal operacional.
O próximo estágio a relação é relativizada e objetificada, e o eu (novo sujeito) passa a se definir por uma ideologia interna ou idéia de como as coisas devem ser. As relações se submetem ao novo eu, autônomo e auto-responsável. É o nível quatro do Autor, o Eu institucional. Assim chamado porque precisamos dele para funcionar bem nas instituições humanas como a família (filhos), a carreira (empresa), o casamento (parceiro), a faculdade (pós – graduação), etc. O nível seguinte, o nível cinco, ficará de fora dessa explicação. Já é bastante complicado entender até aqui.
Resumindo a idéia toda num quadro, temos:
Eu sou meus impulsos e percepções (Sujeito)- Eu impulsivo/1 (. Lido com meus reflexos (sentidos, movimentos)- Objeto. Piaget : Pré-operacional.

Eu sou meus desejos, necessidades, interesses (Sujeito) – Eu Imperial /2. Lido com meus impulsos e percepções. Piaget: Concreto – operacional.

Eu sou meus relacionamentos, a mutualidade interpessoal (sujeito) – Interpessoal/3. Lido com meus desejos, necessidades, interesses (Objeto). Piaget: Formal operacional inicial.

Eu sou minha ideologia, autoridade, administração psíquica, (Sujeito)– Institucional/4. Lido com meus relacionamentos (Objeto). Piaget: Formal operacional maduro.

Eu sou a interindividualidade, sou a interpenetrabilidade dos sistemas de eu (sujeito) – Interindividual / Lido com minha ideologia, autoridade, administração psíquica (Objeto). Piaget Pos formal/ Dialetica. (Niveis não estudados por Piaget, mas por seus seguidores)
Para o autor, as demandas da vida moderna como ser pai e mãe, ter sucesso na carreira, ter um relacionamento estável dependem do sucesso de a pessoa atingir o estágio quatro , ou o eu institucional. Nele a pessoa não se define mais por seus relacionamentos, mas se relaciona com seus relacionamentos. A pessoa é capaz de ficar numa instância cognitivamente superior que regula suas relações pessoais em função de uma ideologia ou conjunto de idéias ou convicções de como as coisas devem ser. E o estágio que nos permite ser líderes, de assumirmos responsabilidades e ter autonomia. Em termos de Piaget, nesse estágio a pessoa alcançou o nível Formal operacional maduro.
Os focos investigativos do livro são as etapas de transição, exatamente onde se encontram a maioria dos problemas adultos que levam as pessoas a psicoterapia.  Através da descrição e análise de casos, vamos entrando na mente dos personagens e conhecendo seus problemas por dentro.
No capitulo final chamado de "terapia natural"Kegan avalia como a cultura e a sociedade poderiam servir melhor como facilitadores das etapas de transição da consciência ao longo do caminho. Como numa terapia natural, poderíamos criar ambientes culturais que apoiassem o nosso crescimento.



FIM

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Dinâmica em espiral

Pedi a autorização do Ari Raynsford para publicar essa tradução sua de um trecho do livro “Integral Psychology”. Nele Wilber introduz Don Beck e faz descrição breve da Dinâmica da espiral, ou espiral do desenvolvimento. No final, uma pincelada nos níveis da espiral, bastante útil para um entendimento rápido. Quero um link de referência para consulta porque pretendo mencionar os níveis da espiral nos meus textos.
Para mais informações sobre a espiral, consulte o site de Don Beck
http://www.spiraldynamics.org/
Abraços.
Andre Barreto.
São Paulo, 16 de julho de 2008.

A Espiral do Desenvolvimento

Clare Graves foi um dos primeiros (juntamente com James Mark Baldwin, John Dewey e Abraham Maslow) a considerar um esquema desenvolvimentista e mostrar sua extraordinária aplicabilidade numa ampla gama de atividades, em negócios, no governo, em educação.
O trabalho de Graves foi retomado e ampliado significativamente por Don Beck. Spiral Dynamics, escrito com seu colega Christopher Cowan (eles fundaram o National Values Center), é uma magistral aplicação de princípios desenvolvimentistas em geral (e de princípios de Graves em particular) para um vasto leque de problemas socioculturais. Longe de serem analistas de escritório, Beck e Cowan participaram das discussões que culminaram com o fim do apartheid na África do Sul (e depois prosseguiram, usando os mesmos princípios, montando a estratégia de "corações e mentes" da equipe de rugby sul-africana, que venceu a Copa do Mundo de 1995). Os princípios da Espiral do Desenvolvimento foram aplicados frutiferamente para reorganizar negócios, revitalizar comunidades, reformar sistemas educacionais e apagar o estopim de tensões internas em cidades.
A situação na África do Sul é um excelente exemplo de como o conceito de níveis de desenvolvimento (cada um com sua própria visão-de-mundo, valores e necessidades) pode realmente reduzir, e mesmo suavizar, tensões sociais, e não exacerbá-las. A Espiral do Desenvolvimento vê o desenvolvimento humano segundo oito níveis de consciência ou estruturas profundas: instintivo (urobórico), animista/tribal (tifônico-mágico), deuses de poder (mágico-mítico), absolutista/religioso (mítico), individualista/conquistador (racional-egóico), relativista (visão-lógica inferior), sistemático/integrativo (visão-lógica média) e global/holístico (visão-lógica superior). Não são níveis rígidos, mas ondas fluidas que se sobrepõem e se interconectam, resultando numa teia ou espiral dinâmica do desdobramento da consciência.
A abordagem liberal típica para dissolver tensões sociais é tratar igualmente todos os valores e depois tentar forçar um nivelamento ou redistribuição de recursos (dinheiro, direitos, mercadorias, terras), ao mesmo tempo em que deixa os valores intocados. A abordagem conservadora típica é considerar seus valores particulares e tentar impingi-los a todo mundo. A abordagem desenvolvimentista é reconhecer que há muitos valores e visões-de-mundo diferentes; que uns são mais complexos que outros; que muitos problemas de um estágio de desenvolvimento só podem ser minorados pela evolução para um nível mais elevado; e que somente reconhecendo e facilitando essa evolução poderá alcançar-se, finalmente, a justiça social. Mais ainda, reconhecendo que todas as pessoas possuem todos esses níveis potencialmente disponíveis, as linhas de tensão social são redesenhadas: não em termos de cor da pele, classe econômica ou ideologia política, mas sim no tipo de visão-de-mundo no qual a pessoa, grupo de pessoas, clã, tribo, negócio, governo, sistema educacional ou nação está operando. Como ressaltado por Beck, "o foco não é em tipos de pessoas, mas em tipos nas pessoas". Isto tira a cor da pele do jogo e focaliza alguns dos verdadeiros fatores subjacentes (valores e visões-de-mundo) que geram as tensões sociais; foi exatamente essa abordagem que ajudou a desmantelar o apartheid na África do Sul.
Beck e Cowan usam vários nomes e cores para se referir a esses diferentes oito níveis do ser. Mas estes não são simplesmente fases que passam, no desdobramento do self; são capacidades e estratégias de atuação permanentemente disponíveis que, uma vez emersas, são ativadas conforme as condições de vida apropriadas (e.g. instintos de sobrevivência podem ser ativados em situações de perigo; capacidades de ligação são ativadas em relacionamentos humanos íntimos, e assim por diante).
Os seis primeiros níveis são "níveis de subsistência" marcados pelo "pensamento de primeira-camada". A partir daí, ocorre uma guinada revolucionária na consciência: a emergência dos "níveis do ser" e do "pensamento de segunda-camada". A seguir, uma breve descrição das oito ondas, a percentagem da população mundial em cada onda e a percentagem de poder social que cada uma detém.



Níveis de Subsistência (Pensamento de Primeira-camada).

1. Bege: Arcaico-Instintivo

Nível básico de sobrevivência; alimento, água, aquecimento, sexo e segurança são prioritários. Usa hábitos e instintos apenas para sobreviver. A individualidade está no início do despertar e quase não se sustenta. Reúne-se em bandos de sobrevivência para perpetuar a vida.
Onde é encontrado: primeiras sociedades humanas, recém-nascidos, pessoas senis, pessoas em estágio avançado do mal de Alzheimer, moradores de rua mentalmente doentes, massas famintas, pessoas com traumas de guerra.
0,1% da população mundial adulta. 0% de poder.

2. Roxo: Mágico-Animista

O pensamento é animista; espíritos mágicos, bons e maus, fervilham pela Terra trazendo bênçãos, maldições e encantamentos que determinam os acontecimentos. Reúne-se em tribos étnicas. Os espíritos existem nos antepassados e aglutinam a tribo. Parentesco e linhagem estabelecem os vínculos políticos. Aparenta ser "holístico" mas na verdade é atomístico: "Há um nome para cada curva do rio mas nenhum nome para o rio."
Onde é encontrado: crença em maldições do tipo vodu, juramentos de sangue, ressentimentos antigos, feitiços de boa-sorte, rituais de família, superstições e crenças étnicas mágicas. Forte em comunidades do terceiro-mundo, gangues, equipes esportivas e "tribos" corporativas.
10% da população mundial. 1% de poder.

3. Vermelho: Deuses de Poder

Primeira emergência do self distinto da tribo; poderoso, impulsivo, egocêntrico, heróico. Espíritos mágico-míticos, dragões, feras e gente poderosa. Deuses e deusas arquetípicos, seres poderosos, forças com que se pode contar, tanto boas quanto más. Senhores feudais protegem os servos em troca de obediência e trabalho. A base dos impérios feudais – poder e glória. O mundo é uma selva cheia de ameaças e de predadores. Conquista, engana e domina; aproveita ao máximo, sem desculpa ou remorso.
Onde é encontrado: "Terrible twos", juventude rebelde, mentalidades de fronteira, reinos feudais, heróis épicos, vilões de James Bond, líderes de gangues, soldados mercenários, narcisismo new-age, astros de rock pesado, Átila o Huno, "Lord of the Flies".
20% da população mundial. 5% de poder.

4. Azul: Regra Conformista

A vida tem significado, direção e propósito, com eventos determinados por um todo-poderoso Outro ou Ordem. Esta Ordem justa impõe um código de conduta baseado em princípios absolutos e invariáveis de "certo" e "errado". A violação do código ou das regras apresenta severas, e talvez permanentes, repercussões. A obediência ao código gera recompensas para os fiéis. Base das nações antigas. Hierarquias sociais rígidas; paternalista; um, e apenas um, modo correto de pensar sobre tudo. Lei e ordem; impulsividade controlada através da culpa; crença concreto-literal e fundamentalista; obediência à regra da Ordem. Freqüentemente, a Ordem ou Missão é "religiosa" [no sentido da associação-mítica; Graves e Beck referem-se a isto como o nível "santo/absolutista"], mas pode ser secular ou atéia.
Onde é encontrado: América Puritana, China Confucionista, Inglaterra Dickensiana, disciplina de Singapura, códigos de cavalheirismo e de honra, boas-ações caridosas, Fundamentalismo Islâmico, Escoteiros e Bandeirantes, "maioria moralista", patriotismo.
40% da população mundial. 30% de poder.

5. Laranja: Realização Científica

Neste nível, o self "liberta-se" da "mentalidade de rebanho" do nível azul e procura a verdade e o significado em termos individualistas – hipotético-dedutivos, experimentais, objetivos, mecanicistas, operacionais – "científicos" no sentido típico. O mundo é uma máquina racional bem lubrificada com leis naturais que podem ser aprendidas, controladas e manipuladas visando a interesses próprios. Altamente orientado para a conquista de objetivos; na América, especialmente para ganhos materiais. As leis da ciência regulam a política, a economia e os acontecimentos humanos. O mundo é um tabuleiro de xadrez onde partidas são jogadas e os vencedores conquistam superioridade e privilégios em detrimento dos perdedores. Alianças de mercado; manipulação dos recursos naturais visando a ganhos estratégicos. Base dos estados corporativos.
Onde é encontrado: O Iluminismo, Atlas Shrugged de Ayn Rand, Wall Street, a Riviera, classe média emergente em todo o mundo, indústria de cosméticos, caça de troféus, colonialismo, a Guerra Fria, indústria da moda, materialismo, auto-interesse liberal.
30% da população mundial. 50% de poder.

6. Verde: O Self Sensível

Comunitário, vínculo humano, sensibilidade ecológica, operação em rede. O espírito humano deve livrar-se da ganância, dos dogmas, das divergências; sentimentos e cuidados substituem a fria racionalidade; acalentar a Terra, Gaia, a vida. Contra hierarquias; estabelece ligações laterais. Self permeável, self relacional, interrelacionamento de grupos. Ênfase no diálogo e nos relacionamentos. Base das comunidades coletivas (isto é, afiliações, baseadas em sentimentos comuns, escolhidas livremente). Decide através da reconciliação e do consenso (lado negativo: "processamento" interminável e incapacidade de chegar a decisões). Renova a espiritualidade, cria harmonia, enriquece o potencial humano. Fortemente igualitário, anti-hierárquico, valores pluralistas, construção social da realidade, diversidade, multiculturalismo, sistemas relativos de valores; esta visão-de-mundo é freqüentemente denominada de relativismo pluralista. Pensamento subjetivo, não-linear; mostra um alto grau de calor humano, sensibilidade e cuidado pela Terra e por todos os seus habitantes.
Onde é encontrado: ecologia profunda, pós-modernismo, idealismo holandês, aconselhamento rogeriano, sistema de saúde canadense, psicologia humanística, teologia da libertação, Conselho Mundial de Igrejas, Greenpeace, direitos dos animais, ecofeminismo, pós-colonialismo, Foucault/Derrida, o politicamente correto, movimentos de diversidade, assuntos de direitos humanos, ecopsicologia.
10% da população mundial. 15% de poder.

Níveis do Ser (Pensamento de Segunda-camada)

7. Amarelo: Integrativo

A vida é um caleidoscópio de hierarquias naturais (holarquias), sistemas e formas. Flexibilidade, espontaneidade e funcionalidade têm a máxima prioridade. Diferenças e pluralidades podem ser integradas em fluxos naturais interdependentes. Igualdade é complementada por graus naturais de excelência, onde apropriado. Conhecimento e competência devem substituir posição, poder, status ou grupo. A ordem mundial prevalecente é resultado de diferentes níveis de realidade e dos inevitáveis padrões de movimento para cima e para baixo na espiral do desenvolvimento. Boa autoridade facilita a emergência de entidades através dos níveis de crescente complexidade (hierarquia nidiforme).

8. Turquesa: Holístico

Sistema holístico universal, hólons/ondas de energias integrativas; une sentimento e conhecimento [centauro]; múltiplos níveis interconectados num sistema consciente. Ordem universal, mas num modo vivo e consciente, não baseado em regras externas (azul) ou ligações de grupo (verde). É possível uma "grande unificação" em teoria e na prática. Algumas vezes envolve a emergência de uma nova espiritualidade como uma teia de toda a existência. O pensamento turquesa usa a espiral completa; vê múltiplos níveis de interação; detecta harmônicos, as forças místicas e os estados de fluxos que permeiam todas as organizações. ... A diretriz fundamental é a saúde da espiral completa e não o tratamento preferencial para algum nível específico.
Pensamento de segunda-camada: 1% da população mundial. 5% de poder. Onde é encontrado: com apenas 1% da população no pensamento de segunda-camada (e somente 0,1% no nível turquesa), a consciência de segunda-camada é relativamente rara, sendo, atualmente, a "ponta de lança" da evolução coletiva da humanidade. Como exemplos, Beck e Cowan mencionam itens como a noosfera de Teilhard de Chardin e o crescimento da psicologia transpessoal, com aumentos na freqüência definitivamente a caminho – e mesmo níveis mais elevados em futuro próximo...

Tradução de Ari Raynsford

domingo, 27 de abril de 2008

As quinze dualidades

Este ensaio foi escrito como parte da minha revisão pessoal, dentro do meu processo de autoconhecimento e autotransformação. O texto abaixo contém informações de caráter extremamente pessoal. O objetivo dessa postagem é ajudar as pessoas a começarem um processo semelhante de auto-investigação. Esse processo é muito benéfico e vale cada segundo de esforço. O resultado é mais satisfação pessoal, felicidade e paz interior. Espero que o acesso ao meu trabalho o motive a iniciar um processo semelhante.
Boa leitura e abraços.
Andre Barreto, 18 de janeiro de 2008.

As Quinze Dualidades.

As quinze dualidades a que me refiro significam direções de ação, pensamento e sentimento opostas, dentro da minha personalidade. Um lado da dualidade recria os meus mesmos problemas e queixas de sempre. O outro lado da dualidade é um caminho de saída desses padrões destrutivos. É ousar uma atitude ou ação diferente daquela a que se está acostumado. Significa coragem para confiar num caminho não testado. Significa a maturidade de tentar o novo, ao invés do caminho mais fácil e conhecido.
Essas quinze dualidades da minha personalidade são a síntese de oito anos do meu trabalho pessoal de auto - observação ininterrupta. São o cerne dos problemas e dos temas que tumultuavam o meu ego infantil e por conseqüência a minha vida. Resumem as descobertas principais da primeira etapa do caminho: O autoconhecimento. Na etapa seguinte usarei essa informação para transformar as minhas reações emocionais, meus padrões de conduta e minha vida para muito melhor. Eis as minhas quinze dualidades, colocadas de forma muito sucinta:

1. Desamparo x Auto-nutrição.
2. Dispersão mental x Focalização corporal.
3. Invasão x Fronteiras claras.
4. Isolamento x Contato.
5. Medo x poder.
6. Exclusividade x relacionamentos.
7. Ser criança x Ser adulto.
8. Luxúria x Casamento.
9. Desonestidade x integridade.
10. Orgulho x Auto-estima e humildade.
11. Obstinação/mimo x Entrega.
12. Perfeccionismo x Compaixão.
13. Mesquinhez x generosidade.
14. Inércia x Criação positiva.
15. Morte x Desapego.

Cada pseudo solução infantil envolve outro tipo de dualidade. Ligado ao sistema nervoso límbico, as pseudo-soluções foram elaboradas e adotadas na nossa infância, quando tínhamos de 0 a sete anos de idade. São do tipo "ou – ou", como nos exemplos abaixo. É como se nos deixassem numa sinuca ou beco sem saída. Tipo "se ficar o bicho come, se correr o bicho pega":

1) "Ou vou morrer e desaparecer ou vou passar o resto da minha vida tentando em vão vencer a morte."
2) Ou fujo da realidade e não vivo a vida material real ou vivo uma vida encarnada no meu corpo, mas dolorosa e sem sentido.
3) "Ou sou invadido humilhantemente ou me torno independente logo mas fico carente e desamparado."
4) "Ou sou egoísta, mesquinho e manipulador e todos vão me odiar por isso ou serei infeliz porque não conseguirei as coisas ao meu modo."
5) "Ou fico com alguém e não sinto excitação ou sinto excitação mas não fico com ninguém."
6) "Ou sou perfeito e sou respeitado, e digno do meu respeito próprio mas com isso sacrifico todo o resto do meu tempo e minha vida ou aceito que sou medíocre, que ninguém me amará ou me admirará, e principalmente, perderei o meu respeito próprio."
7) "Ou tenho desejos e vou sofrer com a frustração ou paro de ter desejos e frustração, mas terei uma vida vazia e sem nada."
8) "Ou aceito estar com as pessoas e ser invadido ou não sou invadido mas fico sozinho me sentindo desamparado e carente. "
9) "Ou traio a mim mesmo ou apanho por desafiar a ordem externa".
10) "Ou aceito que minha mulher dê atenção para outras pessoas, mas aí sei que vou perdê-la ou não permito que ela o faça, mas aí também vou perdê-la."


Pseudo - soluções infantis para a felicidade.


Investigar o inconsciente é uma das aventuras mais interessantes e difíceis. Lacan defendia a idéia de que o nosso inconsciente infantil é estruturado como uma linguagem. Um tipo de "linguagem perdida da infância". Essa linguagem tem uma lógica própria, embora limitada, é consistente para o nível cognitivo de uma criança de quatro anos. Esse nível de raciocínio foi usado por nós para tentar minimizar o nosso sofrimento infantil e para tentar controlar o ambiente em que vivíamos. A idéia era tentar maximizar o prazer e minimizar a dor. Estamos no nível pré-operacional de Jean Piaget. Um mundo mágico, de poderes e seres míticos. Um mundo, embora esquecido, ainda muito ativo em nossa vida e em nosso subconsciente. Exemplos de uma conclusão errônea infantil, tirada do meu próprio ego infantil: "Meus pais só pensam em dinheiro. Meus pais são infelizes. Portanto, dinheiro faz as pessoas infelizes. Eu quero ser feliz, portanto não quero dinheiro" ou esse: "Papai quer que eu seja garanhão e conquistador de mulheres. Mamãe não quer que eu lide com sexo, pois ele é sujo e mau, e as mulheres o odeiam". Preciso agradar aos dois para ser amado, mas não sei o que fazer. “Empurrado em direções contrarias, fico confuso e prefiro me afastar e não lidar com o assunto o máximo que conseguir”.
Embora talvez eu nunca tenha pensado essas questões nesses termos, o meu inconsciente funcionou e de muitas maneiras ainda funciona desse modo.
Para superar os problemas causados por tais distorções e conclusões equivocadas, foi preciso cavar fundo e descobrir essas vozes dentro de mim na observação diária, de uma maneira muito vívida e real. Teoria apenas não basta. É preciso acessar a voz do ego infantil.

Autoconhecimento.


O meu trabalho de autoconhecimento começou com diários. Neles, tentei identificar meus padrões de comportamento de reações emocionais, de pontos problemáticos, que me causavam angústia. Fiz minha primeira lista em 95, num retiro de um ano em Nazaré Paulista. Usei a idéia do Claudio Naranjo de identificar meus padrões de conduta e de drenagem de energia do ego. Um pouco depois, quando comecei a estudar a abordagem de autoconhecimento criado por Eva e John Pierrakos aprendi a técnica da revisão diária. Essa prática incluía identificar o evento que me causava reações emocionais negativas, identificar os pensamentos e crenças infantis ligadas ao evento. A revisão diária poderia também ser feita em forma de formulário, como o abaixo:

Quadro um: Revisão diária.
http://blog.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.view&friendID=249083440&blogID=386304814


Modelos mais sofisticados hoje estão à nossa disposição, como os modelos da terapia cognitiva de Aaron Beck, dos quais falarei em outra oportunidade.
Depois da etapa de identificar os padrões de reação emocional e as imagens a elas relacionadas, tentei identificar um padrão, uma origem na minha história de vida e a lógica infantil e distorcida por trás de cada comportamento. Tentei rastrear os resultados de se levar adiante tal conduta infantil. Em geral, os resultados eram negativos e frustrantes. Ao final de cada semestre, revisava o diário e tentava localizar temas com os quais já tinha lidado, e temas novos que estava descobrindo.
(Veja postagem sobre meus diários no meu Blog:
http://bcpandre.blogspot.com/2007/10/vinte-cadernos.html).

Abaixo, um exemplo tirado de um desses resumos semestrais. Os números de páginas citados se referem às páginas do diário da época.


24/06/98.
Síntese do trabalho com o eu observador – 1º semestre de 1998.
1. Aprendendo a reter minha energia do ego, ao invés de deixá-la esvair-se.
2. Compulsão à negatividade x Prazer positivo de estar bem no relacionamento com minha namorada (ver pág. 219).
3. Aprendendo a ser um homem em contato com sua dor oral, ao invés de ser um menino que se protege da dor.
4. Vontade para a vida espiritual, contra a displicência e falta de disciplina na prática espiritual. Percebendo o prazer em estar com a consciência expandida, mesmo em dor oral.
5. Curando minha relação com meu irmão (Ver pág. 221).
6. Organizando minha vida profissional. Evitando exageros em compilações sem necessidade.
7. Lidando com agressividade dos alunos (Pág. 194).
8. Facilidade para traumatizar (Pág. 198).
9. Descobrindo a imagem: "Todas as minhas amizades são motivadas por algum tipo de interesse egoísta. Portanto, vou eliminá-las".
Etc...

Aos poucos, fui percebendo padrões em minhas reações emocionais e comecei a fazer uma lista deles. Com pouco tempo, minha lista preenchia algumas páginas de caderno. Foi a primeira grande compilação de autoconhecimento significativa que fiz. O passo seguinte foi tentar localizar no tempo e no espaço a origem daquelas ocorrências na minha infância. Depois de alguns anos, retomei os resumos semestrais e comecei a organizar uma lista das questões principais da minha vida; Aquelas que permaneciam me causando problemas, ou seja, as questões recorrentes; As mais difíceis de modificar. Sem perceber, a lista foi saindo. Eram cerca quinze questões difíceis para mim. Todas ligadas a um ponto da trajetória do meu desenvolvimento. Todas traziam pseudo-soluções infantis para a resolução do problema. Todas inevitavelmente me criavam ainda mais problemas (Como se observa quando se analisa as conexões dos meus problemas infantis com os problemas que tive no início de minha vida adulta). Todas com um potencial intrínseco de transformação.

Resignificação.

Cada ponto parado do meu desenvolvimento significa uma imaturidade; Algo em mim que não cresceu e se desenvolveu como deveria por qualquer razão e um esforço do ego infantil para lidar com algo além de sua capacidade. Aqui entra a segunda parte do trabalho. Ativar o ego adulto para negociar com o ego infantil, a fim de encaminhar primeiro uma nova visão do problema, mais alinhado com a realidade adulta, mais provido de instrumentos eficazes de resolução das pendências e angústias. Por exemplo, o meu ego infantil tem medo quando precisa dividir a atenção de minha esposa com uma pessoa que ela goste. Meu ego infantil sente como se fosse perder a pessoa amada, exatamente quando aconteceu aos três anos de idade, quando ainda ansiava pelo amor materno e paterno, mas tive que lidar com o nascimento de minha irmã. Como já havia um problema anterior de desamparo e abandono, a sensação de perigo e de ameaça à sobrevivência foi muito real para mim aos três anos, mas não é mais aos 41! Então, quando a situação se repete, o sentimento aparece, começo a suar frio, quase entro em pânico. Então é o momento de argumentar com o ego infantil, acalmá-lo, dizer a ele que não há mais aquele perigo; Que as coisas mudaram agora. Que ele não vai morrer se a atenção da mulher for direcionada para outra pessoa por alguns momentos. O ego adulto acompanha internamente o ego infantil, dando suporte emocional e checando a realidade constantemente: Dizendo algo como: "Está vendo? Tudo está bem. Não há motivo para pânico!" Nas ocasiões futuras em que essa situação se repetir o medo irá diminuir mais e mais, enquanto o ego infantil se torna mais forte e confiante e a autotransformação se consolida. Mas perceba que é preciso que o eu se identifique e confie no ego adulto, abrindo mão de sua identificação anterior com o ego infantil. Esse é o trabalho.
Perceba também que seguir o caminho novo proposto pelo ego adulto também significa desafiar uma solução infantil há muito tomada, e que haverá muita resistência e medo para abandoná-la. Literalmente, isso significa que entraremos num embate interno entre dois lados da nossa personalidade! É preciso alguma habilidade para não perder o fio da meada durante essas incríveis negociações interiores.
Essa segunda etapa também é chamada de resignificação. Na abordagem de Eva Pierrakos chamamos de "trabalhar com as imagens". Sempre significa o confronto de uma visão de mundo infantil que nos causa problemas com uma visão adulta positiva, alinhada com uma abordagem psicológica saudável, com o potencial para desdobramentos transpessoais.
Abaixo, exemplos extraídos das dez dualidades, expressas em termos de confronto entre essas duas visões, conforme o meu trabalho pessoal.

Quadro dois: Resignificação.
http://blog.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.view&friendID=249083440&blogID=386307339


Potenciais transpessoais.

Na minha visão de ser humano, o crescimento não pára ou não deveria parar na fase adulta. Há potenciais para além de uma mente equilibrada e funcional que nossa cultura ainda não assimilou completamente. São nossos potenciais transpessoais, ou espirituais. Chamamos de espiritual ou porque não o entendemos ou porque a ciência empírica é incapaz de detectá-la com instrumentos de medição externos. Os instrumentos necessários para acesso ao reino transpessoal são internos. É necessária uma ciência interior. Essa ciência já está aí, trazida em parte pela psicologia, em parte pelas tradições de sabedoria.

Transformação.

Concluindo, cada dualidade trazida envolve um problema da infância, uma visão errada de como a resolvê-la, uma visão correta, e um potencial transpessoal de desenvolvimento.
Também se manifesta numa área específica no meu corpo, e está ligada a um tipo específico de dor ou sofrimento. Estes aspectos estão mais bem descritos na tabela mais abaixo.
Voltando à minha metodologia de trabalho de transformação interior, a etapa seguinte consistiu em usar as duas principais ferramentas de transformação: A meditação e a visualização criativa em conexão espiritual.
A meditação nos ajuda a desidentificar nosso ego dos aspectos que queremos mudar, afinando a nossa percepção interior para futuras recaídas. E a visualização criativa em conexão espiritual, ou simplesmente oração focalizada, fortalece a intenção da transformação. Aqui é que o poder do segredo se manifesta com força total. Feita a lista, que passei a chamar de "quinze dualidades". Afirmo em voz alta a minha intenção: "Desejo morrer/secar/desvitalizar para este aspecto negativo e crescer/desenvolver/vitalizar na direção de seu equivalente positivo". Um exemplo tirado do meu próprio caso poderia ser: "Desejo (ou: Peço ajuda espiritual para) morrer para minha idéia equivocada da morte, e crescer na direção do desapego e de uma visão mais acurada e realista da morte".

Quadro três: Quinze dualidades.
http://blog.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.ListAll&friendID=249083440

História das dualidades.

Durante as dores do parto comigo, minha mãe não teve dilatação da bacia. O médico, um velhinho, insistiu para que o parto fosse natural até o último momento. Mamãe foi levada para a sala de operações às pressas. Nasci no último momento possível. Estava roxo, quase asfixiado, segundo as testemunhas que estavam na sala. Acredito ter desenvolvido um tipo de defesa de retirada energética e uma impressão de que o mundo físico é um lugar hostil. Essa impressão me acompanha desde que me conheço por gente. Na escola, os professores chamavam a atenção de meus pais para o meu perfil "avoado", sonhador, que não mantém os pés no chão. Meus interesses sempre foram ligados à filosofia, temas esotéricos, música. O mundo material me é estranho e doloroso. Faço o que posso para viver na minha cabeça e esquecer a minha condição de estar encarnado. Embora nunca tenha sido diagnosticado, tenho certeza que desenvolvi algum tipo de déficit de atenção (TDA). Com vinte anos tive uma fortíssima crise de pânico ao consumir numa festa dois tipos de substâncias diferentes: Durante essa experiência, minha pressão caiu, não consegui mais sustentar o peso do meu corpo, e literalmente entrei em um estado de consciência alterada. Comecei a visualizar miríades de cores confusas, e a sensação corporal era da morte iminente. Sabia que se perdesse a consciência, não retornaria mais. Lutei para manter a sanidade por algumas horas. A angústia que experimentei não foi à proximidade da morte real, mas a experiência de reviver o meu trauma do nascimento. A partir de então, por muitos anos, avaliei a morte do mesmo modo como avaliei meu difícil nascimento. Acredito que a morte pode ser bem mais harmoniosa do que o nascimento naquelas condições.
Na fase oral, sentia a invasão da minha mãe e me recolhia dela. Tentava crescer rápido para não precisar dela. Tentei me direcionar ao papai. Essa manobra me deixou vulnerável e desamparado. Sempre fui uma pessoa triste. Essa melancolia me acompanha desde sempre. Sinto pouca vontade de ir para a vida e tenho dificuldades em me conectar com outros seres humanos, já que essa conexão básica com minha mãe nunca se consumou. Há uma falta básica em mim. Um buraco que não tampa. Uma ferida que não cicatriza. Minha tristeza é um sintoma dessa falta básica. Quem ficava comigo a maior parte do tempo era uma babá. O modelo de mãe da minha mãe era minha vó, que também não soube acolher com intimidade nenhum dos filhos. É provável que ela também não tenha tido uma mãe muito atenta às suas necessidades. Essa corrente atemporal de patologia provavelmente atravessa eras até um passado remoto de minha família. Em especial minha mãe não teve atenção de minha vó. Ela nasceu um ano antes da Helena, minha tia, que ao que parece, teve a prioridade como bebê de colo. Com um ano,
Mamãe já foi deixada de lado.
Mamãe era muito invasiva, barulhenta e estabanada. Não tinha a calma necessária para se conectar comigo aos cinco meses de idade. Inevitavelmente eu sentia um tipo de repulsa quando estava em seu colo. Tentei crescer bem rápido para escapar do seu colo opressor. O resultado disso é que fiquei com um profundo sentimento de desamparo e abandono, que volta com freqüência para mim.
Com poucos meses, desamparado, sentindo-me invadido por minha mãe, fui ao encontro do Papai. Queria que ele suprisse a minha carência oral, o que obviamente era impossível.
Aos três anos, nasceu minha irmã, que ficou com todas as atenções da casa para ela. Nesse ponto para frente, passei a me sentir, além de desamparado e abandonado, com a minha vida ameaçada. "Agora nem a migalha de atenção que recebo é mais garantida". Sentia a frase anterior no meu estômago. Passei toda a minha infância com esse sentimento de medo e ameaça. É o sentimento que experimento quando tenho que dividir a atenção da minha mulher com alguém. Preciso de exclusividade na relação. Costumo me relacionar com uma pessoa de cada vez, como numa relação mãe e filho.
Desesperado pela atenção de meus pais, acabei regredindo à fase oral por volta dos quatro ou cinco anos. Percebia que era o único modo de chamar a atenção. Numa fase em que as crianças estão buscando sua autonomia, voltei a fazer xixi na cama. Acordava com muita vergonha. Apanhei algumas vezes na região dos genitais. A herança dessa fase foi uma retenção tão grande na musculatura da bexiga que desenvolvi uma dificuldade em urinar que me acompanha até hoje.
A percepção que mamãe teve de mim na época foi bem precisa: Fiquei abalado com o nascimento de minha irmã. A solução é que não foi saudável. Ela tentava compensar aquilo da maneira que ela sabia: Mimava-me, tentava fazer pactos comigo, como aquele da casa do vovô (sentindo-se abandonada por papai, quando estávamos na casa de meu avô paterno funcionava um tipo de pacto entre nós: "Eu te faço sentir-se especial e você não me deixa sentir abandonada" – O resultado dessa atitude foi uma polarização afetiva que nos deixava de um lado, e papai com meus irmãos do outro. O problema é que eu queria fica do outro lado, que achava mais legal, e não entendia porque era um pouco deixado de lado nessa época). De certa forma, mamãe comprava minha insatisfação me beneficiando com pequenas coisas. Lembro-me do pacote de figurinhas, em nossos álbuns de coleção. Sempre comprava mais para mim do que para meus irmãos. A vida para mim era um desfile de desejos que tinham que ser realizados. O problema dessa atitude foi o egoísmo com o qual tive que lidar a vida inteira. Tenho compulsão ao egoísmo. Se abrir mão dele, da minha mesquinhez, encontrarei um profundo sentimento de desamparo por trás. Estou aprendendo aos poucos a penetrar na dor e a abrir mão da mesquinhez. Estou descobrindo o prazer de ser generoso traz. Outro problema do egoísmo é a culpa que ele gera e a necessidade de autopunição para aplacar esse sentimento. Muitas vezes, ao ter sucesso ou me dar bem, sentia uma ansiedade. Examinando essa ansiedade, descobri uma voz que dizia: "Cuidado, você está se dando bem demais! E você não merece esse sucesso, pois você é um menino mau, egoísta".
Também desse período, lembro-me do ambiente edipiano em que cresci. Uma mãe assexuada e um pai explosivo: Resultado: defesa de caráter passivo – feminino. Sexo primeiro era uma coisa inexistente. Quando descobri aos sete anos que o pinto do homem servia para outra coisa além de fazer xixi, fiquei intrigado. Depois, passou a ser uma coisa feia e proibida. Por isso a promiscuidade sempre me atraiu e me excitou. Sempre acreditei que as mulheres não gostavam de sexo. Era algo que só os homens queriam e algo para se envergonhar. Lembro-me de descobrir maravilhado na adolescência, com minha namorada na época, aliás, minha atual mulher, que uma boa relação sexual era boa para ambas as partes. Havia um sentimento de preenchimento mútuo. Isso nunca tinha passado pela minha cabeça!
Com seis anos, fiz planos com um amigo de ir à "Amazônia para caçar 100 índios". Íamos saltando de um ônibus a outro até chegar lá. "E moraríamos em casas feitas por Castores". Chegamos a sair a pé em direção à estrada, eu e meu amigo. Fomos resgatados por uma amiga da família, que passou de carro e nos viu. Demorou anos para decodificar o significado desse projeto infantil. Meu pai dizia ser filho de índios. Esse era o meu grito edipiano mudo e deslocado, projetado nos índios da Amazônia. Jamais ousaria sequer pensar conscientemente qualquer desejo hostil contra meu pai. Ele era um homem violento e imprevisível. Minha agressividade era totalmente rechaçada por ele. Não ousava desobedecê-lo ou contrariá-lo. Procurava ler nas entrelinhas o que ele queria de mim e tratava de me tornar rapidamente aquilo. Essa submissão, esse medo de ser espancado me acompanha até hoje. Ainda tenho alguma dificuldade de lidar com pessoas agressivas. Também tenho alguma dificuldade em me impor. Impor meu pensamento e minhas idéias. O trabalho como professor e o contato com os alunos muito me ajudou nesse aspecto. Meu casamento com uma mulher com perfil agressivo também.
Na fase do poder, oscilava entre as turminhas ou do Marcos ou do Luis Fernando, que eram os reais líderes da turma, na minha escola. Estamos falando aqui da primeira e segunda série primárias, dos meus oito anos de idade. Eu era um tipo de pau mandado. Não tinha autoconfiança. Tinha medo de brigar, de ser espancado. Uma vez tomei um soco do Juliano porque passei na sua frente para escovar os dentes e não reagi. Tinha medo não de apanhar, mas de ser massacrado. Não tinha o incentivo do Papai, que me via como um tipo de rival. Ele não me incentivava, ou me acompanhava em brincadeiras. Eu só tinha medo dele me bater, se eu fizesse alguma coisa errada.
Essa ação da mamãe de me mimar, de me fazer acreditar que o mundo está aí para satisfazer meus desejos combinado ao fato do meu ótimo desempenho no futebol formou o contexto para que eu construísse uma auto-estima substituta: Um sentimento de valor próprio baseado no meu desempenho no futebol. E eu era talvez o melhor jogador do meu clube. Lembro do "Nelsão", treinador do clube, comentando quem seria convocado a viajar para representar o clube em São Paulo, num campeonato: "Precisa ter a raça do Andre", ele disse. Um colega comentou no meu ouvido: "Você já está garantido nessa convocação". Eu era realmente bom no futebol. Eu sabia. Todo mundo sabia. Foi assim até o fim do colegial. Era respeitado ali naquela arena, pela primeira vez na vida. E gostei daquele sentimento. Não saía de lá. Minha vida se afunilava cada vez mais numa coisa só. Também tinha boas notas, mas não um desempenho comparado ao futebol. Construí uma auto-imagem de ser "o melhor" e me agarrei a ela. Depois, tentei transferir essa auto-imagem para outras áreas, mas não adiantava: Não tinha o mesmo desempenho. Assim nasceu meu orgulho.
O perfeccionismo compulsivo veio depois. No futebol, tudo o fluía naturalmente, sem esforço. Era uma relação transcendente com a bola, o espaço, a antevisão da jogada, a arte de colocar a bola onde eu queria. Mas com o resto não funcionava assim: Com a música, tive que sempre me esforçar muito. Em todo o resto, não bastava ser bom: Eu queria recriar a experiência de ser o melhor, que estava acostumado na adolescência! Isso teve um alto preço! Passei muitos anos trancafiados, estudando, para nada, ou muito pouco. Muita perda de tempo e de oportunidades de ser feliz de outras formas mais saudáveis. Até hoje percebo minha tendência mental compulsiva para fazer as coisas de maneira não boa, mas excelente. É muito difícil sair dessa compulsão, depois que já estou dentro dela.
Eu crescia me sentindo preso e oprimido por meus dois pais: Com mamãe, nada batia. Não combinávamos em nada. A relação era muito difícil. Meu pai era muito duro e rígido. Não me entendia tampouco, nem de longe. Não gostava de música. Nunca conheci ninguém além dele que não gostasse de música! Queria me livrar de tudo aquilo. Fantasiei muitas vezes fugir de casa. Acabei concretizando duas fugas. Uma em 84 e a maior, em 87. Pensava: "Quando me emancipar, só vou fazer o que tiver vontade!" Outro sintoma de não querer crescer é a minha estatura baixa. Quando imaginava como seria minha vida após a faculdade, nada vinha: Não tinha nenhuma referência do que era a vida adulta. Trabalho, profissão, carreira. Isso tudo era grego para mim. Não havia orientação de nenhum lugar. Por isso demorei dez anos a mais na adolescência do que seria o necessário. Os planos frustrados da minha infância foram projetados para a minha vida adulta jovem: Viajar, fazer só coisas legais. Veja a profissão que escolhi: Música! Pura diversão. "And your chics for free". Essa abordagem (de ser criança para sempre) me levou para comportamentos que são compreensíveis numa criança, mas inadequados num adulto. Meu comportamento manipulador, às vezes desonesto, para ajustar o mundo à minha vontade. Pequenas mentiras, exageros, pequenas desonestidades. Que mal fariam, não é mesmo? O problema é a culpa inconsciente que esse comportamento gerou. A culpa inconsciente conduzia a um desejo de autopunição que sabotou por anos meus planos e minha felicidade.
Outro lado da minha falta de maturidade é o extremo egoísmo e a mesquinhez, já comentada anteriormente. Felicidade para mim era ver meus desejos realizados. Aos poucos fui percebendo que realizá-los não me realizava como pessoa. Sobrava um sentimento de vazio. Estava desconectado da vida social. Era eu comigo mesmo.
Conforme ia descobrindo que a vida não é o palco onde meus desejos são inexoravelmente realizados, o sentimento de frustração aumentava e com ele um ódio auto-direcionado, e comportamentos autodestrutivos. No terceiro ano da faculdade, a tensão com minha família alcançaram o auge. Cursava Publicidade e Propaganda, mas não estava realmente interessado. Aquele curso era mais uma forma de atenuar a pressão que vinha do meu pai. Minhas ações estavam na profissão de músico. Tentara montar uma banda em São Vicente, com músicos que conhecera em pequenos trabalhos. A coisa foi bem durante o verão de 85. Em Março, o sonho acabou. Meus colegas não toparam largar tudo para encarar a carreira de músico. Fiquei realmente deprimido. Ao final do ano, saí para viajar e não voltei mais. Passei nove meses viajando por aí, meio sem destino, e mais perdido do que nunca. Quase cheguei ao ponto onde não há mais volta. Em Ouro Preto, envolvi-me com política estudantil e passei a militar. Queria dedicar minha vida a uma causa. Envolvi - me numa busca esotérica seguindo os passos de Carlos Castaneda. Experimentei estados alterados de consciência. Meu mundo caiu numa crise quase psicótica ao voltar para São Paulo, e também com a morte do Papai.
A morte de papai piorou as coisas. Toda a família se apoiava nele. Ele era a referência de realidade para todos nós, em todos os sentidos. Nós quatro: Mamãe eu e meus irmãos éramos todos crianças inexperientes, ingênuas e incapazes de conduzir sozinho nossas vidas. Lembro-me de ter pensado no hospital, no dia em que ele morreu: "Estou ferrado; Agora serei eu e a mamãe. Será um inferno!". A partir dali um difícil aprendizado iria começar para todos nós. E pior: A morte de papai me obrigaria a ficar em São Paulo, ajudando mamãe a cuidar das necessidades materiais que se faziam urgentes. Inventário, seguro de vida do papai, apartamento com dívida ativa, e outros. As duas pessoas com relação mais difícil colocadas para viver juntas. Odiei profundamente aquela situação, a frustração era imensa e meu potencial autodestrutivo estava crescendo rápido. "Como a vida ousava fazer aquilo comigo? Contrariar meus planos!"
Obrigado a ficar em São Paulo contra os meus planos, isolei-me cada vez mais. As tendências distorcidas de personalidade começavam a prevalecer na minha personalidade. Comecei a fazer terapia. Desprezava a sociedade, os caminhos normais de carreira, de casamento. Abominava tudo isso. Fui me afastando de meus amigos. Fui ficando mais e mais arrogante na minha cegueira. Por trás do isolamento e da arrogância, um profundo sentimento de inadequação; De baixa auto-estima. De sentir que tinha alguma coisa errada comigo.
Com o aprofundamento da percepção de que a minha felicidade estava ficando cada vez mais fora do meu alcance, comecei a parar de querer, de desejar. Há essa altura, felicidade ainda era sinônimo de ter os meus desejos realizados. O raciocínio por trás dessa decisão pode ser expresso assim: "Se não consigo realizar meus desejos, vou parar de vez de ter desejos. Assim quem sabe sofrerei menos". Minha vida entrou numa inércia. Diminui o ritmo. A angústia era maior que nunca. Era hora de procurar ajuda.
Toda essa descrição interior não faz e mim um crápula, ou alguém sem caráter. Saber que tenho impulsos de comportamento e sentimentos dentro de mim não significa que cederei a esses impulsos. Quanto mais conheço esses impulsos, quanto mais se tornam familiares, mais é possível lidar com eles e transformá-los. Tomar caminhos diferentes. Quanto mais fugimos deles, que é o que todos fazemos a maioria das vezes, mais força lhes delegamos para controlar nossas vidas e aparecerem em momentos indesejados.
Com a terapia, iniciou - se um longo e fértil processo de autoconhecimento e autocura, que se desdobra até hoje. Estou muito longe da pessoa que eu era no início de minha vida adulta. Novos desafios foram surgindo, basicamente todos ligados a aprender como é viver uma vida como adulto. E esse aprendizado continua até hoje. Conhecer o meu ego infantil me libertou dele e dos problemas por ele causados. Foi e ainda é a maior tarefa da minha vida. Hoje tenho clareza de que a felicidade, se é que ela existe, está em minhas mãos. Não depende de mais ninguém.

Eu observador especializado.

Uma vez iniciado o processo de auto – observação, ele não tem mais fim. Há uma idéia equivocada a respeito desse exercício. As pessoas pensam que é cansativo ou exasperante manter a atenção focada constantemente no que acontece dentro de nós. Esse tipo de atenção é uma atenção relaxada. Estamos acostumados a prestar uma atenção tensa às coisas. É preciso aprender com a própria prática. Para manter as transformações conquistadas, é preciso uma vigilância constante do espaço de minha consciência. Algumas dicas específicas podem ajudar a reconhecer os padrões de distorções das quinze dualidades. Eu os chamo essas dicas de "eu observador especializado". Se for visitar alguém que sei que evoca em mim algum desses pontos, algum sentimento negativo, já "ativo o meu observador especializado", que me ajuda a detectar possíveis recaídas de comportamento ou sentimento. Abaixo, algumas descrições do meu "observador especializado".

1. Medo da Morte: Perceber quando/Situação: Motivação para meditar. Exagerar na auto-preservação. Situação que corre riscos.

2. Dispersão mental: Cuidar da compulsão a assistir televisão. Cuidar para priorizar sempre o trabalho real; Aquele que paga meu sustento.

3. Invasão: Quando estou com minha mulher, quando estou com mamãe, Quando estou com tipos orais.

4. Desamparo: Ao final do dia. Sentir sensações na garganta. Quando me exponho a situações de tensão; De ter que ser forte ao resolver problemas.

5. Necessidade de exclusividade nas relações: Quando viajo ou saio com a minha mulher e mais pessoas. Quando estamos juntos com o filho dela.

6. Luxúria: Quando percebo um esfriamento no interesse sexual por minha mulher.

7. Obstinação: Quando estou tenso. Quando me sinto amargo agressivo ou deprimido. Observar quando quero forçar um resultado. No transito. No supermercado. Numa reunião de trabalho.

8. Submissão: Observar situações em que preciso me impor ou tomar posições políticas. Atuando com alunos ou em reuniões profissionais. Quando estou perto de um policial.

9. Orgulho: Observar quando sou elogiado em público; Reconhecido pelo que fiz ou outro motivo. Observar quando sou olhado por outras mulheres. Observar quando estou na presença de alguém famoso ou de um estrangeiro. Observar meu apego a um trabalho bem feito; A dificuldade de deixá-lo para trás e seguir adiante.

10. Desejo de ser criança: Observar quando ingresso num ambiente profissional ou quando saio com a minha mulher.

11. Desonestidade e manipulação: Observar quando evito relevar informações para evitar minha exposição. Observar minha tendência ao exagero. Observar o ambiente de trabalho, familiar e intimo.

12. Perfeccionismo: Quando minha cabeça começa obsessivamente a querer realizar uma tarefa a custa do sacrifício do equilíbrio da minha vida. "Deixo de comer, esqueço da minha mulher, deixo de fazer tudo para terminar aquilo".

13. Mesquinhez: Observar em especial quando estou em ambiente familiar. Observar quando sou requisitado por alguém, quando me pedem coisas.

14. Isolamento: Observar minha tendência de comportamento no início do fim de semana. Observar quando chegam visitas em casa. Observar quando estou em festas ou lugares com muitas pessoas (em especial onde o tempo não está estruturado, como numa festa).

15. Inércia: Observar a minha ansiedade ou angústia quando começo a ter sucesso ou a realizar algo bom.


Fim

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Releitura crítica das Palestras de Eva Pierrakos.

Releitura crítica das Palestras de Eva Pierrakos.
Conteúdos das palestras organizados por tema.
Organizador: André Barreto C. Pereira.

O texto abaixo em forma de glossário fez parte de uma revisão crítica das palestras de Eva Pierrakos que fiz entre setembro de 2003 e junho de 2004. A razão do trabalho foi o questionamento de alguns aspectos da metodologia de Eva Pierrakos e a busca por uma nova síntese na minha abordagem de trabalho terapêutico. Nesse período reli cerca de 180 palestras, entre as 258 disponíveis. Cerca de 2.000 páginas no total. A releitura crítica foi feita com a contrapartida teórica e filosófica da obra de Ken Wilber. As observações funcionam como uma análise comparativa dessas duas fontes principais, e algumas outras abordagens pelo caminho. Questões, posicionamentos, afirmações e metodologias são questionadas à luz de uma visão não-dogmática. O objetivo é esclarecer afinal: O que e como pensa essa fonte de conhecimento que se comunicou a centenas de pessoas através das palavras de Eva Pierrakos. Essa é a primeira parte de um trabalho extenso. As palestras às quais os comentários se referem estão indicadas pelo seu número (de 001 a 258). Elas estão acessíveis no link "258 Lectures", em www.bcpandre.blogspot.com, em versões em espanhol e em inglês. Caso você não conheça a obra de Eva Pierrakos, desaconselho a seguir em frente. Convém antes ler alguns livros publicados, em que a filosofia é explicada: Minha sugestão é "Eu sem defesas", de Susan Thesenga, que é uma boa introdução; Ou "Não temas o mal", de Donovan Thesenga e Eva Pierrakos. Há outros livros disponíveis que também podem servir como uma boa introdução. Não fiz revisão do texto, então é provável a ocorrência de erros de português (falta de acentos, etc.). Qualquer comentário, pergunta ou questionamento sobre as observações aqui feitas podem ser postadas no meu blog: www.bcpandre.blogspot.com
Boa leitura.
Andre.


Parte um: Aspectos iniciais.


História da Eva Pierrakos e Canalização.

- Questões ligadas à mediunidade, limitações do médium. 003, pág. 7 e 8.

- Palestras 19, 20 e 21. Há uma razão para cada tema escolhido.

- 204 pág.1: "Não se preocupe com o processo de canalização. Existem níveis inacessíveis de realidade para o seu estado atual".

- Newsletter. História e entrevista com Eva Pierrakos.

Contexto histórico.

No final da década de 50 nos EUA, a psicologia se debatia entre o behaviorismo de Skinner e a Psicanálise, sem nenhuma ponte viável para a espiritualidade. Houve um grande número de abordagens, nesta época, como um chamado sutil direcionado às antenas sensíveis o suficiente para captá-lo, que clamaram pela união e complementaridade entre a psicologia e a espiritualidade, através do movimento do potencial humano e da psicologia humanista e transpessoal. A psicologia, por seu lado, necessitava uma dimensão de significado, transcendência e perspectiva. A espiritualidade precisava incluir a autonomia, o pensamento crítico e científico, as feridas e traumas infantis, a sexualidade. A mensagem foi interpretada de várias formas e nuances, e sua essência está no Pathwork.
Porque não aconteceu antes?
A auto-responsabilidade e liberdade de escolha exigida só foram possíveis num ambiente com a mente formal-operacional estável (pós-iluminismo/ EUA dos anos 50: estabilidade político-econômica. Ver. palestra221, pág.1, parágrafos 3 e 4. " ...but now your human condition has advanced sufficiently to see again that distortion of truth…create suffering. And perhaps now without the authoritarian punitive ness, this fact can simply be seen for what it is".). E num mundo pós-Freud, onde os conceitos de inconsciente, ego, neurose, etc. já estariam bem assimilados (Ver: Alice Bailey. "O pré-requisito para a canalização é uma mente bem trabalhada e informada").
É significativo observar que o Pathwork surgiu num ambiente cultural pós-moderno, totalmente avesso a qualquer tipo de abordagem em estágios, ou de natureza evolutiva ou hierárquica. Hoje, já início do século XXI, este ambiente já alcançou os limites de suas próprias contradições internas, seu narcisismo e niilismo inerentes, mas não naquele período, cuja abordagem soava bastante fora de propósito.

181, pág.5,6: "O mundo recebeu um novo sopro. Drogas psicodélicas revelaram a essência por trás das aparências (" Eu desaconselho o uso de drogas"). O mundo está adquirindo uma nova consciência. Ela está começando a se espalhar. É o resultado de seres cujo desenvolvimento e ligação são mais profundos que a pessoa comum. São poucos, mas seu poder é maior do que se consegue imaginar.".

204,pág.10: Pathwork apareceu na época adequada, quando as pessoas já são capazes de assumir auto-responsabilidade./ Sobre sociedades secretas e o caminho na idade média, quando era necessário uma autoridade externa que reprimisse o impulso cruel (meme azul).

225,pág.7: "Neste ponto, conquistamos autonomia individual. Podemos, portanto, formar grupos ( que integram os indivíduos, não as massas)./ Ver: pág.1.

Pathwork: Uma síntese de abordagens psicológica e espiritual.

Pathwork como caminho espiritual:

O que é um caminho espiritual?

"Ter alcançado o nirvana não me ajudou em nada nos meus relacionamentos"... "Continuei a mesma pessoa imatura, insegura e defensiva". Jack Kornfield, citado por Tony Schwartz.
Segundo o Guia, este é um caminho mais seguro e melhor: Quando o contato com o mundo espiritual per se não é a meta final, mas um meio de reconhecer a vontade de Deus em tudo.

"O verdadeiro sentido do misticismo é atingir e experimentar Deus na maior medida possível a um ser encarnado... mas o verdadeiro místico, em última análise, nem mesmo deseja ter essa experiência, a mais elevada de todas, como meta final, porque isso seria um objetivo egoísta... portanto, a meta do verdadeiro místico, a nossos olhos, é servir!" (018, pág.8)...

"Muitas disciplinas espirituais não dão a devida atenção àquelas áreas do ego que estão mergulhadas na negatividade e na destrutividade. Qualquer sucesso (espiritual) tem vida curta e é ilusório, embora algumas experiências possam ser genuínas... visto que os seres humanos relutam em aceitar e em lidar com certas partes de si mesmos, eles frequentemente buscam refúgio em caminhos que prometem ser possível evitar essas áreas interiores problemáticas."


Crenças ilusórias: "Qualquer coisa que exista em mim pode ser evitada" e " O que existe em mim precisa ser temido e negado"... A verdade é que por mais destruidor que seja qualquer aspecto em você pode ser transformado. A consciência de uma falha de personalidade conduz à sua cura, e não o inverso... Se, para você, um caminho espiritual é a prática da meditação pela própria meditação, ou pela esperança de alcançar experiência e consciência cósmicas de felicidade, então não é este o caminho que você deve seguir.

"O contato com o mundo divino não é o único caminho para todos os seres humanos. Para alguns, outros meios podem ser mais adequados (citando o exemplo da análise profunda, ou medicina da alma) a depender de sua personalidade". 43,pág.9,,,104,pág.5.


"Algumas religiões, ao perceber o perigo (da vontade e do intelecto), tentam elimina-las. Não dissolva sua mente por completo. Sem ela, você se tornará um imbecil". .

- Sobre as bênçãos. 107,pág.1., 109, pág.7,8./ 144,pág.1: Significado das bênçãos./164, pág.1: Benção=poder doado.

- Conceito de Alma no Pathwork. 111, pág.6,7.

- Sobre caminhos que nos incitam a "parar de lutar". 114, pág.1,2.

-< > >152, pág.3: Abordagens que removem Deus do eu e da vida diária." Retirar a realização total do agora e levá-lo para depois da morte. São o resultado do ajuste entre o que a pessoa sente como seu potencial e seu temor."

- 161, pág.6: Amor: chave para o universo. Auto-engano e hipocrisia das religiões.

- 164, pág.1,2: Neurose: Visão espiritual. Sinal de saúde e doença ao mesmo tempo.

- 187, pág.1: "O seu trabalho criou uma grande luz, um grande centro de luz no esquema universal" ("que tornou possível a transmissão da força curativa, e a união de pequenos grupos em uma comunidade"). Sobre o crescimento do campo morfogenético do Pathwork nos EUA naquele período.

- 189, pág.8: "Nenhum exercício, esforço ou esperança visando uma graça que venha de fora pode trazer-lhe consciência genuína ou o Eu espiritual."

- 193, pág.4: 2 modos de aproximação à espiritualidade. Direto ascendente e a unificação das distorções.

- 203, pág.1: "Este caminho não é novo. É o mesmo caminho fundamental".

- 207, pág.9: Unindo sexualidade e espiritualidade.

Pathwork como abordagem Psicoterapêutica.

- O trabalho emocional é o pré-requisito para a fase mais importante que vem a seguir, que começa onde a psicoterapia termina.

- Assim como em modernas técnicas de psicoterapia, a disposição de abandonar as antigas defesas e sentir a dor emocional residual é fundamental para o progresso no caminho.

- Auto-responsabilidade: Não é encorajada a dependência emocional do paciente em relação ao facilitador. Trabalho com projeção e transferência/contratransferência.

- Distanciamento: O facilitador é mais como um guia que caminhou mais que seus alunos e não uma figura orgulhosa que possui o conhecimento, (e, portanto o poder), e que paira acima de seus alunos/clientes. Além disso, o facilitador não tem como premissa preservar as informações de seu próprio processo pessoal de crescimento. Ele as partilha a fim de inspirar e exemplificar, quando isto é adequado.Ele pode expressar suas emoções ou fazer confrontações com os alunos. Isto muitas vezes é lido como fraqueza e/ou despreparo pelos alunos ( imagem de massa), e pode gerar insegurança e raiva.

- Análise profunda (ou medicina da alma). Outro modo de se alcançar o objetivo (remover os obstáculos que obstruem a centelha divina). 043, pág.9.

- Sobre o psicótico clínico. 083, pág.10.

- Sobre emoções canalizadas ou manipuladas. 104, pág.11.

- Abordagem da "Psicologia moderna sobre o eu inferior". 109, pág.3,4.

- Abordagem da psicologia sobre a identificação com o eu. 113, pág.3.

- 118: "Quando isso é verdadeiramente compreendido, não pode haver uma marca divisória entre Psicologia moderna e as idéias espirituais". Pág.3,3o par. / A compreensão parcial dos psicoterapeutas e psicanalistas. Pág.7,2o par. / Sobre transferência. Pág.5, 6,7. /Sobre irmãos e irmãs. Pág.8.

- Sobre uma abordagem maior que a freudiana. 119, pág.9.

- 124: Abordagem para o inconsciente.

- 116 pág.3,4: Diferenças no objetivo final da psicologia e do pathwork.
- 132 pág.1: Dualidade entre visão oriental (ego é indesejável) e psicanalítico-ocidental (ego =saúde mental).

- 155, pág.4 a 6: Crítica do guia às abordagens psicológica e religiosa: Sobre a ênfase exagerada em não ter recebido( Psicologia) e à abordagem religiosa de "dar amor" ( auto-sacrifício e auto-empobrecimento).

- 162 pág.6,2o par. O mais alto objetivo da psicoterapia terrena: Alcançar o nível de realidade.

- 203, pág.1 a 3: Mediação e relação entre o Pathwork e:
1) Psicoterapia.
2) Práticas espirituais.

- 246 pág.8: Integração entre psicologia e espiritualidade.

- 248 pág.1: "A modernidade foi necessária para se crescer em direção à auto-responsabilidade".

Pathwork, Religião e Ciência.

- Dissolvendo a aparente dualidade entre Fé e Ciência (221, pág. 3): "Conceito do senso comum de fé é uma crença cega em algo que você não tem como saber e nunca terá. Significa que você cegamente, e de forma não inteligente, ou ingenuamente acredita sem justificativa ou razão, normalmente sem pensamento sério, com preguiça e ignorância. Por causa disso, a fé frente à mente intelectualizada dos dias de hoje tem uma reputação ruim....de acordo com este conceito, é uma boa idéia descartar todo tipo de fé. Por causa disso ( a mente atual) permanece numa plataforma intelectual em que tudo o que é supostamente real precisa ser visto, tocado, conhecido e provado. E o passo necessário para o desconhecido nunca é dado.


- Qual seria o conceito apropriado de fé? Ela existe em vários estágios. O primeiro estágio é contemplar um novo jeito de funcionar, em oposição a continuar numa corrente negativa particular que é conhecida e habitual...é considerar tal jeito novo como uma possibilidade...makes room for alternatives not yet experienced" ( Fé no primeiro estágio = abertura para o novo).... I have mentioned in many other contexts ( portanto, isto é importante!) that this is the indispensable attitude that every serious scientist pursues…the real step in faith, that make faith a dynamic road in itself, are completely compatible with the scientific turn of mind. To consider alternatives that are as yet unknown is an honest attitude, it is objective , it is humble".


- Atitudes corretas em relação às religiões oficiais. 008, pág. 8.


- Relação entre o endurecimento das artérias do cérebro e o espírito. 124, pág.10,11.


- Como a religião cria dualidade entre Procurar Deus e ter uma vida feliz. 116, pág.2,3.


- 140, pág.4: Sobre Homeostase (em química, física).


- 181, pág.1: Comparação entre injunção científica e expansão da consciência.


- 197, pág.5: "Mau uso da palavra "mal" pela religião."


- 222, pág.2 "Teoria virando realidade, sendo "posta à prova". / Pág.6: Religiões quando surgem são canais que comunicam verdade divina á humanidade. Mais tarde, algumas vezes, são distorcidas." Sobre mentes preguiçosas que aceitam regras e generalizações. Pág.6.


- 243, pág.7: Essa terminologia (salvação) talvez seja ofensiva a vocês porque vocês a associam, desnecessariamente com uma religião que já superaram. Mas isso não altera o fato de que sua alma clama por salvação, na abordagem desta palestra.


- 246, inteira: Significado de tradição. 1) No melhor sentido. 2) Sentido distorcido. Pág.1 No melhor: A tradição é a continuação da fé nas verdades e valores eternos. Um contínuo re-experimentar dessa irrupção original. Pág.2/ Distorcido: Peso morto, carregar algo sem sentido. A manutenção de um costume ou experiência que foi válido num certo momento da história, sob certas circunstancia e condições específicas. / Sem a contínua mudança, verdades vivas e imutáveis não podem ser vividas. A verdadeira tradição precisa ser sempre acompanhada de mudança. Pág.2.


- Duas abordagens: Ortodoxia; Resistência a mudança. As próprias verdades da tradição vieram como resultado de se vencer o medo de mudar. Pág.3.


- Abordagem moderna: Rejeitar tudo ligado à tradição. Pág.3.


- Abordagem do Guia: Nem venerar nem rejeitar. Examinar com inteligência e honestidade, torná-la nova e significante. Pág.3: "O crescimento não é possível de outra forma. Ele só pode existir quando esse movimento fica tão intacto e desobstruído quanto possível. Ele deve combinar o velho e o novo. Deve reter a tradição e renová-la. Verdade e princípio eterno, aplicável a qualquer aspecto da vida. Pois o caminho é um movimento, uma jornada" .Pág.5./ Dualidade velho x novo.pág.3/ Todo objeto e conceito da terra tem origem no espírito.pág.3. / A tradição se refere a valorizar a verdade eterna em suas múltiplas manifestações, ou talvez numa certa manifestação específica. ( Parábola do elefante, descrito por vários cegos).pág.4/ Tradições se cristalizam por medo de se antagonizar aqueles que obstruíam o novo movimento e expansão.É por isso que muitas organizações, orientações e escolas de pensamento aparentemente novos aparecem constantemente. O velho ou está sendo calcificado pelo conceito distorcido da tradição ou totalmente rompido pela distorção de buscar a mudança. Pág.5,6..."Até aqui fomos bem sucedidos na tarefa de manter esse caminho em andamento no que se refere a combinar tradição e mudança, mantendo assim o espírito puro.pág.6/ Estar na verdade é ver além da dualidade.pág.8.


Pathwork: Aspectos filosóficos.


- Depois de explorar a relação entre a espiritualidade mística e o Pathwork e entre a psicoterapia e o Pathwork, surge a visão filosófica deste caminho, que considera o trabalho emocional como o prelúdio da sua parte mais importante, que é espiritual. Na mesma linha das abordagens que procuram integrar os trabalhos de meditação com o da personalidade, como abordagem do Eneagrama de Cláudio Naranjo, Jack Kornfield, Wilber, Washburn, Neo-Junguianos, Diamond Approach, etc. 071, pág. 12. "A importância da meditação somada à análise das suas emoções". Ver: 107, pág.1: 2 caminhos para se buscar o poço interior de sabedoria e Amor: auto-confrontação e meditação ( "busca da calma")./ 113,pág.6:" Enquanto o cordão umbilical emocional não é cortado, o eu não pode crescer. Só até um ponto ( como no útero)."/ Jung: "A melhor maneira de alcançar a luz é revelando a sombra"/ Theda Basso, "Hoje em dia é consenso no meio espiritualizado nos EUA que uma abordagem espiritual precisa incluir o trabalho com a criança interior". Ver 99, pág.1: Sobre Psicologia e Espiritualidade. / 118: "Quando isso é verdadeiramente compreendido, não pode haver uma marca divisória entre Psicologia moderna e as idéias espirituais". Pág.3,3o par. / A compreensão parcial dos psicoterapeutas e psicanalistas. Pág.7,2o par. / 132,pág.1: Dualidade entre visão oriental(ego é indesejável) e psicanalítica/ocidental( ego =saúde mental). / 161: Para se alcançar a verdade, transcender o ego, é preciso revelar e liberar a destrutividade oculta. Na negatividade, o ego não pode soltar-se na corrente universal. Ele não teria aonde se apoiar e se desintegraria. Portanto, segundo o guia, o trabalho de transformação dos sentimentos é pré-requisito para se alcançar a união espiritual, e não deve ser negligenciado. / 168,pág.1: Amor e verdade. Tanto faz por onde começar. Uma leva à outra. /189,pág.8:"Nenhum exercício, esforço ou esperança visando uma graça que venha de fora pode trazer-lhe consciência genuína ou o Eu espiritual."/ 193,pág.4: 2 modos de aproximação à espiritualidade. Direto ascendente e a unificação das distorções./ 204,pág.8: "Nenhuma prática pode satisfazer esse anseio (desviar do auto exame e não abrir mão da auto –imagem) por mais que vocês se dediquem à meditação e à concentração." (Ver início da palestra, quando o guia estabelece parâmetros entre o Pathwork, Psicoterapia e práticas espirituais).



- Objetivo do Pathwork: 193, pág.2, último. Unificação/ União. /154, pág.1: Descrição do Eu verdadeiro como a meta/objetivo do Pathwork. / 197, pág.3: "A tarefa de todo ser humano, ao longo de muitas encarnações, é purificar a alma e superar o mal" (Já estamos neste caminho, queiramos ou não). // 246,pág.6: "O objetivo deste caminho é efetuar o desenvolvimento pessoal até o máximo potencial do individuo, em todos os níveis."



- Segurança e ênfase no negativo: 208 pág.5: "Este é um caminho que não deixa nada pendente. O foco, durante muito tempo, precisa recair sobre as áreas sombrias. Deve ser assim para a própria proteção de vocês." / 212, pág.12: "Porque é necessária tanta ênfase no negativo?"./ "A forma específica deste trabalho significa uma maravilhosa proteção contra (... uma dolorosa desilusão)”. Pág.2.



- Sobre ser um caminho que integra o caminho ascendente e o descendente, como os plantonistas e neo-platonistas (Plotino): 210, pág.4: "O conteúdo interior se expressa no exterior. Crítica aos caminhos que são parciais, que valorizam um ou outro aspecto". 233, pág.1,2: "Os seres humanos não se elevam. É mais correto dizer que as regiões superiores descem e penetram os níveis inferiores. As consciências superiores cada vez mais penetram a terra, espiritualizando as energias menos maduras."



- 131, pág.1: 2 abordagens interdependentes: encontrar, expressar, reexaminar à luz da verdade e esvaziar-se ( colocar para fora-expressão) e impressionar, moldar, direcionar os poderes que estão dentro de você para criar circunstancias mais favoráveis (colocar para dentro-impressão) .Pág.1.



- A visão filosófica colocada nas palestras do Pathwork está alinhada com o "Spirit in action", conceito idealista de Hegel. O espírito está se desdobrando evolutivamente em busca de si mesmo. /095, pág.1: Sobre o despertar para a consciência, depois de ter passado pelas formas vegetal e animal. (Evolução: Ver: 104, pág.2). / "O universo luta no sentido da união em cada aspecto possível" 122, pág.3. /164, pág.1: Descrição do aspecto subjetivo no homem primitivo.



- Sobre a existência da verdade absoluta. A posição do Guia se alinha com a posição do integralismo universal (ver: Teoria de tudo, Wilber, Cultrix pág.128,129), em contraste com o relativismo pluralista, característico de um pós-modernismo anti-modernista. (A realidade absoluta é o que está além da percepção dualista. Ou seja, tentar detectar por trás do movimento superficial incessante da vida as coisas que são imutáveis. As leis espirituais, por exemplo). / 162, pág.6: A realidade última é flexível e mutável. O homem não é colocado num universo que tem uma existência pré-determinada, cujas condições são fixas. (crítica à visão moderna universalista. Posição, portanto, pós-moderna).



- Acolhimento do Mal sem dualidade. "Just say yes"/ Não temas o mal/ Tantrismo/Hinduismo. Segundo a cosmologia do Pathwork, desde a vinda de Jesus Cristo, o reino espiritual e a própria vida passou a ter uma tendência intrinsecamente benigna. A balança pendeu, segundo o guia, para o outro lado. Não vivemos mais, como ocorre no universo da saga "Senhor dos anéis", num universo dominado pelas forças do mal. Isto mudou, segundo o Guia, com a vinda de Jesus.
(109, pág.1: 2 Fases do caminho até agora. A auto investigação e auto purificação e Perceber o Eu sem a conotação do certo e do errado). / 216, pág.1: "Vocês todos flutuam em uma nuvem segura de consciência divina e são nutridos com amor divino, quer saibam disso ou não, quer sintam isso ou não".



- Sobre a personificação de entidades: "Se não existisse a personificação dos princípios e das forças criativas, como vocês poderiam existir enquanto seres humanos"? Um ser humano é meramente uma forma de personificação. Estamos aqui para lidar com o fato de que a personificação existe em todas as gradações e negar isso estaria muito distante de um posicionamento bem informado e inteligente. Pág.5/ Jesus é a manifestação divina como personificação.



- Sentido da vida e objetivo do caminho: Ponto de vista de um espírito evoluído e desencarnado. A vida na terra não existe para que se busque o reino espiritual. Ela existe para ser vivida aqui. O objetivo da vida é abrir caminho até o eu interior, transformar a nossa negatividade e realizar a tarefa que será pedida quando a purificação se completar. Nós encarnamos porque aqui estamos sujeitos a leis que permitem uma rápida transformação (causa e efeito levando rapidamente, em comparação ao reino espiritual, à percepção da destrutividade das escolhas negativas). Se não encarnássemos, a volta ao estado de união não seria possível. Dessa forma, todos estão no caminho espiritual, quer saibamos ou não. A diferença é que alguns agem com consciência e aceleram o processo e outros não, vão vivendo sem consciência, mas avançando. Toda a manifestação da vida, do “Big bang” até hoje, faz parte do que o Guia chama de” Plano de Salvação" ( linguagem e mitologia cristã), e está de acordo com uma filosofia de visão evolucionista, como a de Hegel/Wilber ( a vida, o homem estão constantemente evoluindo para estágios de maior complexidade, sendo o homem o próprio veículo do espírito em ação)./ 099,pág.8:" As distorções existem por causa de seu nível baixo de consciência da realidade. As distorções em si mesmas são o remédio, porque sem elas vocês não poderiam perceber a verdade."/ 108,pág.1: " Este mundo está cheio de seres humanos cujas forças da alma estão de alguma forma perturbadas"./ 118,pág.1:" Esta esfera em particular oferece as condições que são compatíveis com seu envolvimento negativo"./ 161,pág.1: A entidade espiritual que está encarnada como homem é o homem em seu estado de consciência total, condensada na matéria grosseira. Ele está encarnado na matéria porque uma parte separada de sua consciência total (o ego) está separada de seu ser total. /181, pág.5: "A luta da vida (o sentido da vida) é a luta entre o bem e o mal." Segue uma descrição. / 189, pág.6: "A tarefa dos seres humanos é carregar consigo os aspectos negativos com o propósito de integrá-los e sintetizá-los. Que dignidade empresta a você considerar que assume esta importante tarefa pela causa da evolução." / 216, pág.3: "A reunificação com a essência pode ocorrer onde a entidade já esteja purificada. Mas não é aí, obviamente, que está a tarefa.".// 220, pág. 3,4: A parte de sua alma que ainda está separada precisa esquecer tudo o que sabia no estado mais desperto para que a parte não desenvolvida encontre seu próprio caminho... Se as circunstancias fossem tão sublimes, tão favoráveis, o pior dentro de vocês não se manifestaria. Vocês não saberiam da existência delas. Elas precisam de algo que as desencadeie, precisam de exposição, de provocação. Pág.4.



- Linhagem cristã/ Nível sutil: O universo é benigno graças à Cristo. O sentido da vida está em resgatar os anjos caídos (nós) da dor da separação. Todos nós somos estes anjos caídos e caímos por inveja do espírito de Cristo, segundo o Guia, o anjo mais perfeito e mais próximo do Criador. Portanto, todos nós devemos, pelo menos, nos sentir gratos a Ele.



- Visão Budista: A manifestação começou porque Deus se cansou de jantar sozinho, para sua diversão (Segundo a visão em estágios de Wilber, a cosmologia do Pathwork se adapta melhor ao nível sutil, como uma guerra entre anjos, entre as forças do bem e do mal; enquanto a cosmologia budista se direciona ao nível causal, antes da criação dos anjos e outros seres espirituais, que depois viriam a "cair"). 233, pág.2: "... A consciência de Cristo, que são mais evoluídas e purificadas". / 258: "A grande batalha entre as forças do bem e do mal, travada na penetração gradual da vida em direção ao vazio. Quando você perceber esta questão vasta e universal, como chave para todas as outras questões, você começará a colocar as coisas mais importantes em 1º lugar e a ver seu mundo particular na perspectiva apropriada". Pág.6.



- Do ponto de vista espiritual, a relação de valor se relativiza: 194 pág.13: "Não existe uma questão pequena ou grande. Tudo é importante."



- O universo é intrinsecamente benigno: 233 pág.1: "Vocês participam agora de um impulso muito positivo, que é o aspecto mais forte. O eu superior predomina cada vez mais."



- Sobrevivência do ego/personalidade após a morte. 132 pág.7: "O corpo humano e suas condições de vida são resultado direto da personalidade, que, é claro, existe antes do nascimento". Ver: Salvação: 258.



- Ênfase no cultivo, pelo aspecto feminino/descendente, do Amor (Cristianismo), em relação à busca da Verdade (Ver Deus por si mesmo/ascendente - ênfase do Budismo). Mesmo em relação ao amor e outras virtudes, o Pathwork dá ênfase ao aspecto feminino do cultivo do amor, ou seja, trabalhando diretamente com a negatividade que obscurece a manifestação do amor, o próprio Amor, indiretamente e como um subproduto, é gradualmente revelado (Em oposição às abordagens mais "masculinas", que dão ênfase ao cultivo direto do amor, como Roger Walsh/ "Questão de prática" e Assaglioli/ "Agir como se"). “Integrador- 075, pág.7-” Entender é resolver" e "cultivar pensamentos também ajuda". Ver: . 104. Pág.2 a 5. Crescimento indireto do Eu Verdadeiro:Ao usar a mente e a vontade para o Pathwork, indiretamente o Eu Verdadeiro é liberado. Não é possível liberar diretamente, com esforço ativo. "Espiritualidade é, acima de todas as coisas, Amor". Pág.3,4. / 108, pág. Amor é a chave da vida. "Sem o Amor nada conta". / "O que é o certo, sem o Amor? Nada."pág. 2 (Sobre caráter parcial de uma vida ética)/ Entretanto, o Guia em poucos momentos afirma o valor da ação consciente . 175,pág.2: Para perceber e vivenciar o mundo espiritual, o homem precisa: 1) Sintonizar-se com ele (entrar no vazio). 2) Vivenciar e entender completamente a parte que se tornou negativa. 3) Usar a capacidade de pensamento como instrumento.pág.3.



- Ênfase na celebração da vida: Ver: 119 relações entre movimento, consciência e experiência/ 108: Dizer Sim à vida, em oposição à viver por obrigação.pág.4. 154,pág.3,4,5: Sobre fugir e entrar na experiência. / "Assim, como se pode negar a vida no aqui e agora que o criador lhes deu"? 253, pág.5.



- A relação com o sexo oposto é um dos aspectos mais importantes da auto-satisfação. 122, pág.2.



- "A matéria é o resultado da falta de consciência, da não verdade". 95, pág.1. (Visão predominantemente evolutiva/nível sutil, e não evolutiva-involutiva/nível causal).


- Epistemologia da linguagem: "O que procuro fazer é guiar vocês para o âmago de seu ser, a partir de vários ângulos, usando várias abordagens" 095 pág.2. / "Eu freqüentemente mudo os termos. Quando se usa a mesma palavra sempre, o significado por trás se perde. É aconselhável usar outra expressão que o desafie a re-experimentar o significado por detrás da palavra." 104 pág.1. / “111, pág.10:” Procurem não rotular". / 116, pág.4. "Mudo o termo para não perder o impacto mais profundo de seu significado. Para obter uma compreensão independente, um pensamento criativo". A abordagem do pathwork as vezes sofre com a dualidade gerada pelo uso de termos dualísticos ( culpa "certa" e culpa 'errada") e às vezes é muito precisa em sua terminologia para evitar confusões dualistas geradas pela linguagem ( Sobre imaturidade:"trata-se menos de algo pecaminoso do que uma indicação na defasagem no desenvolvimento geral da pessoa"119,pág.6). / Caráter momentâneo e específico dos ensinamentos, sem a pretensão de ser um sistema filosófico.
177 pág.1: "Saudações aos meus amigos que estão aqui para obter nutrição e verdade, da maneira que necessitem no momento".



- Pragmatismo: "Não é necessário acreditar no que eu digo; Basta botar em prática" /" O conhecimento deve ser vivenciado pessoalmente". / 124, pág.2: "Não aceitem ensinamentos espirituais que não possam verificar dentro de si mesmo neste instante". /116, pág.2: "O conhecimento (de qualquer tipo) deve ser usado como uma luz norteadora para orientar a busca interior". / 155, pág.8,9. "Estas palavras não são uma filosofia sem praticidade, talvez bela, mas inviável na vida cotidiana". / 162, pág.2. É preferível não discutir (isso) de maneira filosófica, geral ou teórica. Quanto mais específicos e pessoais vocês puderem ser, quanto mais puderem aplicar ao cotidiano, tanto melhor. / 197, pág.1: "Qualquer filosofia que não é colocada em prática é uma abstração superficial da mente". / 204, pág.7: "Este caminho é muitíssimo pragmático..." / / 253: Dualidade espiritualidade x vida prática. "Os assuntos práticos do dia a dia são sempre uma expressão de atitudes interiores, sutis e finalmente, espirituais. É por isso que vocês consideram nosso caminho tão imensamente prático e totalmente compatível com a vida material, atividades diárias e objetivos de vocês". Pág.4.



- Mediação dialética transdisciplinar com muitas abordagens: Budismo (Conceitos de reencarnação ( 118,pág1) , karma, vazio focalizado, ver posicionamento do guia sobre ausência de desejos:013,pág.7, visão cosmológica da 175, pág.6,7), Cristianismo ( Cristo, mitologia cristã, bem e mal ), Psicanálise ou psicologia profunda ocidental ( trabalho com imagens/neuroses e máscara/persona, Fortalecimento do ego), análise transacional ou psicologia humanista ( Relacionamentos, criança interna, mapas horizontal e vertical cruzados da Susan) e abordagens corporais ( Reich, Bioenergética, Core-energétics), Desenvolvimento moral/Kohlberg (Bem e mal), Terapia cognitiva/Beck ( Imagens), Antroposofia/Steiner ( 154, ciclos em nossa vida)., Taoísmo (esforço sem esforço, 228,pág.6, 253, final), etc.



- Causa para o sofrimento: " Distortion of truth, denial of love, negative intentionality are what ultimately create suffering"- 221. (resistência=matéria=cegueira=dualismo=mal=sofrimento).



- Abordagem Metafísica: Aspectos. 104, pág.2: O estado de ser (unidade) não se manifesta repentinamente, depois da morte física. (Difere da abordagem do Livro Tibetano dos mortos). Cosmologia e Mitologia: 19, 20, 21, 22./ 119,pág1: Sobre as várias tríades que existem nas facetas espirituais da vida. / 130, pág.6,7,8,9: As várias esferas do ser./ Reinos espirituais. 012, Pág.3. / 152, pág.5: "O homem não é colocado nesta esfera, ele gera essa esfera a partir de sua condição interior". / 254, pág.2: A natureza tem natureza dual, contendo bem e mal. Há reinos espirituais totalmente bons e totalmente maus.



- Reencarnação: /169, pág.8: Como se alternam as encarnações masculina e feminina. / 190, pág.5: "Se todos os sentimentos dessa vida fossem vividos até o fim, todos os resíduos de vidas anteriores serão automaticamente enfrentados." / Sentimentos represados são acúmulos de milênios. O ciclo de vida/morte e o enfraquecimento da memória entre uma vida e outra é auto-induzido. /192, pág.4: O material acumulado (não trabalhado) busca circunstâncias e pessoas para a próxima encarnação ter outra chance de ser limpo. / Para despertar sentimentos dolorosos. "Não importa quanto isto possa parecer à 1a vista... Não apenas a matéria anímica residual desta vida, mas das anteriores, será clareada". / 197, pág.3: "este caminho leva milhares de vidas, e não centenas"/ 216 inteira.



- Abordagem fenomenológica: 125 pág.9,10: "Seu estado interior faz a terra ser um paraíso ou o inferno".



- Crítica do Guia ao relativismo pluralista pós-moderno. 005. / Sobre abordagem pós moderna construtivista: "Neste caminho, você deixa de se preocupar com crenças, doutrinas e dogmas. Opiniões sobrepostas, verdadeiras ou falsas, é entrave ao desenvolvimento pessoal. Quando o centro espiritual é liberado, a questão deixa de ser seguir teorias ou credos. 116 pág.4.



- Do ponto de vista do Guia, o Pathwork não é uma filosofia. "Minha função é apenas dar algumas dicas para os amigos aqui presentes avançarem no caminho espiritual". 002.



- O desenvolvimento moral (desenvolvimento do eu) é a substancia mais importante do alimento espiritual. 31, pág.1.



- 49 pág.2: Evoluir de mostrar as imaturidades externamente para viver o conflito internamente. Evolução coletiva.



Posição crítica do guia sobre outros temas:



- Sobre homossexualismo: "abordagem errada, mensagem mal entendida", 62, pág.4.


- Sobre sistema penal na nova era. 083, pág.11.


- Sobre Goethe. 083, pág.9.


- Interpretação do Pai nosso. 99, pág.9,10.


- Sete pecados capitais, judaísmo, Islã. 101, pág.10.


- Infelicidade falsa e a pobreza. 104, pág.8.


- Yoga. 104, pág.9.


- Educação humana. 104, pág.12.


- Drama, mitos e contos de fada. 111, pág.8.


- Sono. 113, pág.8.


- Crítica do Guia ao caráter dualista do movimento feminista atual. 146.


- 152 pág. Interpretação de Adão e Eva.


- 153. Sobre vício em drogas. Pág.8.


- 154, pág.8, 9. Sobre orgasmo.


- 192. 90% seres humanos estão adormecidos. 10% estão num caminho como este.


- 196 pág.5: Clarividência e psiquismo.


- 218 pág.2: Sobre sonhos com trens.


- 224 pág.1: Nova era e abordagens cataclísmicas. / Pág.7,8: Sobre abordagens que pregam inatividade total da mente.


- 225 pág.4,5: "A humanidade já está pronta para ser UM governo humano, UMA religião, etc. Mas a resistência a esse novo fluxo espiritual de mudança se nos manifesta...” Monopólios nos quais grandes grupos dominam as massas e ditam leis e valores."


- 227: Paradigma: O planeta terra chegou a uma etapa do desenvolvimento em que a velha estrutura já não pode ser mantida. O planeta já não pode suportar as tensões e restrições da velha e limitada consciência. É preciso adquirir uma nova visão na qual tudo é pág.4./ Sobre filosofias inteiras que se baseiam em uma divisão dualista. Pág.7./ Tanto atitudes reacionárias quanto radicais são bloqueios. Projeções externas com ênfase mal colocada. Pág.2.


- 228 pág.1: Sobre "matemática superior, além do nível da realidade. Sobre esforço sem esforço (princípio taoista).pág.6


- 229 Pág.2: Sobre feminismo da década de 60/70.


- 243 pág.8: Sobre a Bíblia.


- 250: Governos mundiais e a lei do dar e receber .


- 251 pág.5: Liberação feminina e revolução sexual.


- 254, pág.1 a 3: Ecologia, Arte.



Atitudes e recomendações do Guia.


Atitudes para o trabalho:


- Atitude correta e errônea em relação à própria negatividade, ou honesta investigação interior: 109: Lidando com a culpa real:2 fases do caminho: A purificação e a percepção do eu sem a conotação do certo e do errado/ Antes de encarar o Eu Inferior em sua totalidade, É preciso se aceitar e se perdoar.Reconhecer e deter a tendência a moralizar a nós próprios.Pág.2/ 2 comandos paradoxais: Se auto-explorar e purificar, e atentar ao perigo da auto-condenação e da moralização./Manter-se afastado de quaisquer implicações de pecabilidade/ Auto condenação versus auto-justificativa: Opostos duais/ Prontidão: Antes que ela se manifeste, fazer uma tentativa forçada de encarar a culpa real poderia encontrá-los completamente fechados ou poderia aniquilá-los.Pág.2/ Cultivo da flexibilidade em aceitar o Eu Inferior/ Instrumento de Trabalho: Tipo certo de meditação e de pensamento ao se aproximar dessa fase.Pág.2,3.///O Eu Verdadeiro é obstruído pelos hábitos de ocultar,moralizar e justificar. "Esta é a dificuldade para atentar para assumir o hábito de olhar, ver e tentar compreender, livre de idéias pré-concebidas".104,pág.12 .A humilde aceitação. 031. Como proceder para aceitar o mal em si e se gostar. 53. Culpa por ser imperfeito é falsa.49, pág.4 e 5. 075, pág. 1 e 2.082,pág.2: Honestidade: Junto com a coragem, um dos trunfos mais importantes para o desenvolvimento humano.Ver:89,pág.9,10.



- Sobre resistência ao trabalho do Pathwork (luta doentia que exaure energias). 114, pág.4, 5,6.



- Verifiquem onde encontram resistência e também o desejo de ignorá-la (99, pág.11). Atitude de dizer "Eu já sei, não há nada de novo". 49 pág.3, 2o par. / Ao concordar prontamente, (intelectualmente) fica fácil passar despercebido a premência de suas próprias emoções contraditórias. 071, pág.5.



- Como lidar com a descoberta de algo que invalida sua auto-imagem. 49, pág.3.



- Paciência: 072, pág. 11,12.



- 001: O mar da vida. 3 formas de vivenciar as leis espirituais: Fazer, pensar, sentir. Roberto Assaglioli: Técnica do "como se": Agir como se já sentisse compaixão: Na ordem, começar com fazer e caminhar para o sentir./Importância da vida ética para o crescimento: O que significa uma atitude ética dentro de um grupo de Pathwork? Quais são os parâmetros?



- Aceitação da vida e entrega a vida: 082- "Jesus: "Sejam como as crianças". Aprender a ter a coragem para viver agudamente, aceitar plenamente a vida. Coragem-qualidade necessária. Pior opção: entorpecer a capacidade de vivenciar, sentir. Erro de algumas religiões: procurar deliberadamente o sofrimento. pág2, 3. Para aprender a encarar o sofrimento.pág.3.



- Sobre generalizações: Comparar seres humanos é um erro. 84 pág.10 e 12(final). Ver: palestra sobre processo encarnatório. / Não se comparar com os outros, e não comparar as pessoas. Cada ser é único, tem uma história única e uma responsabilidade única/ Porque uns vivem fácil e outros não. 95, pág.9.



- A libertação interna vem exclusivamente da vivencia destas palavras como verdade. Palavras são indicadores que ajudam a abrir caminho para que você possa ver a verdade por si mesmo. É só isso que elas podem ser. " Use essas palavras como orientação para adquirirem um entendimento pessoal e emocional",93,pág.2./ 113,pág.1: Compreensão intelectual x emocional. “A verdadeira compreensão só vem, às vezes, anos depois de ter lido o material". / 158, pág.1 "Assimilar estas palavras mais como força psíquica que como memória intelectual"./ 159,pág.1: Refletir profundamente sobre o significado real desses palavras ( alcançar a autenticidade: Alinhar o que se pensa com o que se sente).



- Estar consciente dos sentimentos não é o mesmo que transformá-los em atos. (lidar com emoções e com a maldade).



- Atitude perfeccionista de dizer: "Eu já deveria ter resolvido meus problemas" ou ter raiva de si mesmo por demorar a perceber. 97, pág.9.


- 123 pág.5: "Há perfeição em se encarar seu presente imperfeição".


- Cuidado com agir pelas aparências de uma forma mais sutil97, pág. 5.



- Examinar fantasias. "98: Quanto mais satisfatória suas fantasias, menos incentivo você terá para resolver a situação".



- Duas atitudes mais importantes: Honestidade e Coragem. 155, pág.4: " É aqui que estou...". 189 pág.5: Coragem e honestidade são pré-requisitos./ 199, pág.5: "Disciplina, coragem, humildade, comprometimento".



- Conscientize-se de suas racionalizões. 157 pág.7: Ela dá uma aparência de correção aos seus argumentos e de justificativa aos seus atos.



- 192 pág.1: Despertar poderes espirituais é perigoso sem a purificação. O amor deve ser primeiro despertado na alma para que o poder esteja a salvo. / Quando se busca o espiritual pelo medo do estado oposto, as possibilidades de sucesso permanecem inalcançáveis. Isso gera a ilusão de que nenhuma possibilidade existe. Mas a direção escolhida que está equivocada. Pág.2./ Vocês devem entrar e passar por aquilo que os amedronta, para que o temor não mais exista.



- 196 pág.8: Ingressar num caminho como esse nos faz responsável. Uma responsabilidade que é um privilégio. Que nos torna livres.



- 204 pág.8,9: "O caminho só é difícil porque o homem, em sua vaidade, tem uma falsa idéia do que ele deveria ser agora."/ "Muito poucas pessoas nesta terra estão dispostas a enveredar por ele. Um número ainda menor vai até o fim".



- 213 pág.1: Atitude correta para ler as palestras: "Tentem escutar (ler) com seu ouvido interno, sentir com seu ser mais profundo, deixar em repouso a mente que duvida." (ou seja, o guia diz: "Abra mão de sua capacidade crítica", ou "abra mão de mente racional", ou ainda : "pense com o seu coração").



- 218 pág.5,6: Sobre a aceitação de onde se está. / 251, pág.6: Aceitar o seu estado. Aceitar ser quem você é. (Ver: Cap.1 Eu sem defesas).



- 222 pág.3,4: "Procurar não deixar que os preconceitos e as associações de palavras formem uma barreiras que poderia impedir que vocês assimilassem o que digo... Não se fechem para uma verdade que eu (dou) mesmo que de vez em quando ouçam uma palavra que desperte em vocês uma reação negativa."


- 258: Coragem. Pág.4,5. O maior mal: qualidade mais baixa na escala é a inércia, não o ódio. "O princípio ativo da distorção... nunca poderia por si mesmo causar a mesma destruição que o princípio passivo da distorção. (Ex: Massa silenciosa durante o Nazismo. Conivência silenciosa de muitos, para os quais salvar a própria pele era mais importante do que a verdade, a decência, honestidade, caridade, etc.) Pág.5/ Doar a Deus significa atividade. Empurrar a inércia. pág.5/ Verificar a natureza de sua inércia, e a forma exata como vocês racionalizam a fim de se entregarem a ela. Pág.6.



Avisos, conselhos, expectativas e advertências do Guia:



- No início do caminho, sente-se uma enorme quantidade de sentimentos negativos e aparentemente as coisas pioram. O que estava reprimido vem à tona. 89,pág.8. 93, pág1, "Quando o desenvolvimento e o trabalho evoluem como devem, o núcleo do problema interior aflora cada vez mais, o que gera necessariamente depressão e confusão". / 125,pág.8: A negatividade exacerbada durante o progresso no caminho.



- Por causa da repressão sistemática e da forte resistência, as emoções (negativas) aparecem quando não se está no Pathwork. 89, pág9.
- É normal sentir emoções contraditórias. Amor e ódio. Não há necessidade de culpa. 089.


- Não comecem a tentar amar e respeitar o que parece impossível para vocês agora. Comecem querendo entender. 099 pág.9./ 100, pág.8. A melhor maneira de chegar a esse ponto do crescimento (querer dar amor) é observar suas emoções. A princípio vocês sentem um vislumbre, uma visão passageira de um novo modo de sentir. Depois a sensação se desvanece. Perseverem, e os períodos aumentarão.



- 100 pág.3: Novos padrões construtivos não podem ter um alicerce firme sem sentir e passar pela dor e frustração originais e por tudo aquilo de que vocês fogem.



- 100 pág.4: “Não esperem que, ao entrar neste caminho, a vida sempre proporcionará a vocês o que vocês desejam (barganha com Deus). Na realidade, você vai aprender a lidar com os infortúnios e dificuldades, em vez de ficarem abalados com eles. Tirarão o melhor proveito de todas as oportunidades, extrairão a maior felicidade de toda experiência de vida. Perceberão as muitas oportunidades de serem felizes que não viam no passado".



- 100 pág.6: Transformar cada recaída num novo impulso, nova lição. Os novos padrões acabarão se consolidando.



- 122, pág.3. Quando há um insight profundo, uma onda de energia, alegria de viver, esperança e brilho aparecem, além de Eros. Verdade=Eros=união.



- 116 pág.1: Efeitos positivos ao se avançar no caminho. Momentos de confusão que antecedem um avanço./ "Não há atalhos para o centro interior. A chegada não é súbita e dramática. É lenta e gradual. pág.3.


- 144 pág.5, 6,7: "A destruição é sempre um processo doloroso/ O alicerce do erro precisa ruir primeiro, antes que as novas fundações possam ser erigidas/ Renúncia (não é auto-derrota) ao conceito que gera medo e desesperança".



- 190,pág.2. O medo de que a verdade fundamental sobre você e sobre a vida seja inaceitável torna impossível abandonar a auto-ilusão. "Esta é a fase mais árdua deste Pathwork".



- 190, pág.8,final: Meditação é um requisito sem o qual o caminho fica desnecessariamente mais difícil.



- 212 pág.2: "Configuração em espiral, círculos cada vez menores, convergindo para um único ponto". Por isso, as mesmas questões que já trabalhamos inúmeras vezes voltam e voltam de novo, numa outra volta da espiral. Não desanime se você se vir às voltas com o mesmo tema novamente.



- 218 pág.3: (Sobre descer do trem em algumas áreas e não descer em outras): "Quem se encontra nesta situação vivencia longos, prolongados estados de desarmonia, ansiedade, crise, depressão, turbulência."



- 222: Sobre o visível progresso inicial no caminho. Elemento motivador. "Não é mais teoria".pág.1.



- 225 pág.7: Dificilmente realizamos sozinhos a tarefa do desenvolvimento. (Precisamos de um “helper” e de um grupo).



- 235 pág.1: "Com freqüência você não sabe com qual aspecto de sua personalidade o seu caminho orgânico e interior o chama para lidar."



- 237 pág.4: Lei do desenvolvimento: Por causa do seu desenvolvimento geral, o ponto de estagnação restante tem um impacto mais pesado e repercussões mais sérias.



- 250: Expectativas realistas ao assumir compromisso no estágio 4 (doar-se aos outros).pág.7 a 9.



- 246: Sobre resistir às diversas abordagens trazidas pelo Guia: "Cada nova fase (do Pathwork) é saudada com a rebelião contra a autoridade que lhes apresenta aquilo que parece quebrar a tradição com a qual você se acostumou."... "Aqui vocês se tornam tradicionalistas".pág.5 ( Abordagem do Guia é bastante pós-moderna, pois propõe uma inter-relação entre sistemas).


Razões para entrar num caminho como o Pathwork.


- Físicas: Saúde. Emoção saudável resulta em corpo saudável. Mais vitalidade e disposição. / "Those conflicts (by not living from truth and love) pull out your life force and strangle it" (221, pág.6, par.1).



- Emocionais: "Educação emocional básica, que deveríamos ter na escola. Aprendemos a satisfazer nossas necessidades básicas. "- Guia do Pathwork./ Temos a ilusão de que , ao nos defendermos de nossos sentimentos, estaremos seguros. É justamente ao contrário. Ao vivenciarmos todos os sentimentos (a proposta do Pathwork), ganhamos em todos os sentidos (190) /Conflito do mundo da dualidade: “Quando você duvida de uma realidade maior e não se arrisca nela, você permanece no mundo da dualidade e vivencia o seguinte conflito: Se eu não for egoísta, então sofrerei. Eu não quero sofrer. Mas se eu for egoísta, serei rejeitado, não serei amado, serei abandonado e isso também é sofrimento"( 145). /" Quando você se propõe a atuar a partir do centro liberado do seu ser mais recôndito, você atrai toda a abundância da vida para você, mas não fica na dependência dela. Ela o enriquece e é a satisfação de uma necessidade legítima, mas não é a substância da vida. A substância está dentro de você." ( Caminho da autotransformação, Cultrix,pág.31).



- Mentais: Leituras que exercitam clareza e poder de síntese. Foco, propósito, liderança, ordem. "Um caminho que não seja baseado na verdade e no amor pode durar por certo tempo, mas mais cedo ou mais tarde será destruído” / “If you truly question yourself with all the logic and reason at the disposal of your mind, you will see that you are not really taking so much of a risk. If there is no such thing as a divine reality, what do you have to lose trusting in it ? You would find nothing but what you already know. But…if its manifestations are no illusion, then surrendering to it will only wise and reasonable thing to do" (221, pág.5, pár.3). / Sabedoria do Pathwork traz unidade à dualidade inerente a muitos assuntos e conceitos distorcidos, que geram sofrimento em nossa vida. / 100, pág.4: O resultado principal deste caminho é entender o processo de causa e efeito de cada um e adquirir o senso de força, independência e autoconfiança e justiça que isto proporciona. O tempo que isto levará depende de seus esforços, vontade interior de superar resistências/ 218, pág.1: "O caminho é inevitável. Portanto, que entremos nele conscientemente (Sonia Café: "ir à direção do que está vindo em nossa direção").



- Sociais: Ingresso em 4 níveis de comunidade: Grupo de estudo ( ver: John Pierrakos), regional, nacional e internacional. / Atuar nos relacionamentos a partir do seu centro, com mais autenticidade, criando relacionamentos mais autênticos e mais satisfatórios. Viver uma vida mais autentica não significa que você está fadado a viver sem aprovação, sem apreciação, amor ou sucesso. Imagem: "Ou eu vivo de acordo com o meu centro, e então devo privar-me de todo amor e reconhecimento dos outros e isolar-me, ou devo prescindir do meu eu interior porque não posso pretender uma vida tão solitária assim" ( Caminho da...pág. 31).



- Espirituais: Preenchimento, sentido e profundidade à vida e aos atos: Todo ser humano sente um anseio mais profundo do que os anseios de realização emocional e criativa. Este anseio provém da sensação de que deve existir outro estado de consciência, mais pleno, e uma capacidade maior para viver a vida. Este anseio, ao ser traduzido pela mente dualista, pode se expressar num modo confuso ou num modo realista:



- Modo confuso: Ocorre quando a personalidade deseja amor e realização, perfeição e felicidade, prazer e expansão criadora sem pagar o preço de uma auto-confrontação mais rigorosa (não assume a responsabilidade por seu estado atual ou pelo estado ao qual aspira). Por exemplo, se você se entristece consigo mesmo por sua vida vazia, e culpa os outros por sua condição atual, não importa quão errado os outros possam estar, sejam seus pais, seus companheiros ou a vida como um todo (Deus). Desse modo esta felicidade almejada será sentida como uma recompensa não merecida, e você se sentirá desapontado, ressentido, ludibriado e raivoso. Você através de fantasias mágicas e irrealizáveis crê que a realização lhe é devida por direito.



- Modo realista: Você parte da premissa de que a pista para a realização deve estar em você, e você deseja descobrir as atitudes que o impedem de viver a vida de uma maneira plena e significativa. Você aceita a realidade de que a sua felicidade deve ser conquistada através da coragem e da honestidade de olhar para si como é agora, mesmo para áreas que preferiria evitar e de estar disposto a vivenciar a dor emocional que você lutou e luta com todas as suas forças para evitar.



- Paz e felicidades profundas através do contato e da ajuda do mundo espiritual.



- 98 pág.1: "Toda vez que mesmo uma única partícula dessas obstruções ( orgulho, egoísmo, covardia) seja eliminada, mesmo um reconhecimento momentâneo, a pessoa experimenta liberdade, renovação e significado da vida em grande medida".



- 192 pág.1: A percepção sobre o próprio “self” leva à percepção sobre o “self” dos outros, que leva à percepção da vontade cósmica.



- Apoio espiritual forte: 213 pág.11: "Há muitos seres espirituais aqui ao seu redor para ajudá-los."


- Ponto de vista de Deus: Quando evoluímos, isto causa um enorme efeito no plano de salvação.



- 99,pág8: " Uma só pessoa que obtém a verdade interior é mais influente no cosmos que os milhões que permanecem em erro".



Comentários do Guia:



- 150 pág. 6: “A maioria das pessoas prefere fazer qualquer coisa, ir a qualquer parte, em vez de encarar o eu".


- 164 pág.2: Sobre um ser humano que negligencia seu crescimento espiritual.


- 192. 90% da humanidade está adormecida.



Metodologia do Guia do Pathwork:



- Visão global do ponto do trabalho em que o grupo está (do ponto de vista cronológico): 068 pág.1, 075, pág.1,2. 081, pág.1.



- Método de trabalho do guia. "Não dá para começar o trabalho atacando as grandes questões existenciais. Tem que começar com as pequenas coisas do dia a dia". 082, pág.3, último par.



-



- 93, pág.1. "Só depois de algum trabalho inicial vocês podem adquirir o entendimento pleno, geral e conciso de sua vida. Qual é sua problemática e por que. Antes de chegarem a esse ponto, uma parte de personalidade terá grande resistência e nova confusão. Não ter mais recaídas significa chegar a este entendimento mais completo".;;;109, pág.1: 2 Fases do caminho até agora. A auto investigação e auto purificação e Perceber o Eu sem a conotação do certo e do errado.



- Objetivo dos grupos, segundo o Guia: Ver 108, pág.6.



- "113 pág.1: Fica mais difícil obter mesmo o entendimento intelectual para quem não tiver ouvido as palestras anteriores, que desembocam na atual”. (Sobre sua preferência pela abordagem cronológica).



- "Mais uma vez tentarei ligar aspectos que examinamos anteriormente em separado". (Caráter sistêmico da abordagem do Guia).119,pág.1.



- "As palestras são endereçadas diretamente a estas camadas à medida que surgem" (Fazer com que as camadas da psique se tornem acessíveis à percepção).122,pág.2./125,pág.1: "Na verdade,esta palestra vai dar a eles o material de que precisam agora".



- 131 pág.1: 2 abordagens interdependentes: encontrar, expressar, reexaminar à luz da verdade e esvaziar-se ( colocar para fora-expressão) e impressionar, moldar, direcionar os poderes que estão dentro de você para criar circunstancias mais favoráveis (colocar para dentro-impressão) .Pág.1.



- 131 pág.5: "Todas as palestras, todo o material e ajudas que são dados a você neste caminho são úteis apenas quando vocês escolhem livremente um determinado aspecto, percebendo que ele é compatível com vocês, adequado a vocês naquele momento. Em outras palavras... (ver método para auto observação a partir das palestras)./Trabalhar o que é relevante para você neste momento. Meta do trabalho: Conseguir plena identidade, sob todos os pontos de vista, sem seguir autoridades de fora. "Não lhes ocorre usar o material que lhes é fornecido de acordo com as necessidades da psique naquele momento".



- 154 pág.1: A palestra inicial do ciclo anuncia a ênfase do nosso interesse, e é a continuação natural de onde havia parado.


- 162 pág.2: "Estas diferentes abordagens tem uma ordem seqüencial. Em geral, vocês encontram a mesma ordem seqüencial no próprio caminho pessoal de vocês. No entanto, não se pode forçar o caminho individual a imitar a seqüência destas palestras. O processo é que vocês encontrem sua própria verdade como uma experiência direta e espontânea, em seu íntimo." Ver: todo o segundo par. Pág. 2. Sobre releitura das palestras.



- 178 pág.8: Explicação da seqüência específica de palestras que o Guia deu naquele ano. "Uma deve ser entendida em relação às demais". Processo criativo, negatividade, força vital e prazer, etc.



- 192 pág.3, final: A necessidade de repetições e ciclos.



- 193 inteira: "Tentaremos (nesse ciclo) seguir para áreas que mais necessitam ser exploradas e vividas." Pág.1/ Resumo do Pathwork. Pág.1; Visão evolucionista dos níveis de consciência. /Objetivo do Path. Pág.2, último./ Dualidade, pág.3/ 2 modos de aproximação à espiritualidade. Ascendente e a unificação das distorções. Pág.4/ 4 níveis: mente, vontade, sentimento, físico. Pág.5/ Meditação. Pág.8/ Relação Eu Superior Inferior e Máscara, pág.9/ Auto-responsabilidade, pág.10.



- 194 pág.12: "Caminhos diferentes levam ao mesmo resultado".



- 197 pág.1: "As palestras vem em séries. Esses tópicos formam um todo, como uma cadeia em espiral".


- 208 pág.1: "Vou expor o tópico de tal modo que atenda aos novos e antigos membros".



- 212 pág.1: "Alguns já estão na fase exata discutida nesta palestra. Outros só daqui a alguns meses. Outros ainda resistem deliberadamente."



- 222 pág.2,3: O Guia não encarava seu próprio ensinamento com dualidade e separatividade em relação a outros movimentos: "Vocês são pioneiros. Outros grupos de pioneiros surgem nos vários cantos da terra.Cada um a seu modo.Cada um como deve ser." / Pág.3: Nós estamos constantemente à procura de meios e palavras para transmitir a vocês facetas da realidade sem despertar reações que seriam inadequadas, e, assim, limitariam a sua compreensão".



- 225 pág.1: "Esta palestra em particular é exatamente aquilo que vocês necessitam neste momento".



- 227 pág.9: "Vejam em que partes de vocês as palavras que eu disse encontram eco. Deixe que essas palavras alimentem e fortaleçam vocês onde for mais necessário" (Esta abordagem pode ser usada como orientação geral para uma leitura ou uma aula de Pathwok no grupo).



- 237 pág.2: Caminho exigente: "Qualquer pessoa que é suficientemente desenvolvida para ter como meta um caminho tão exigente como este..."



- 248 pág.1: Há um profundo significado na seqüência que as palestras contem,... O assunto de cada uma e sua seqüência significa uma mensagem articulada que o mundo dos espíritos está lhes enviando.


FIM