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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Temas em terapia existencial - Waldemar Augusto Angerami



Temas em Psicoterapia Existencial – Waldemar Augusto Angerami.
Resenhado por Andre Barreto.
 

  1. Introdução e pressupostos da abordagem existencial em terapia.



  1. Convergência de idéias entre a psicoterapia e a filosofia.
  2. Muitas práticas precárias de sustentação teórica se autodenominam psicoterapia existencial.
  3. Autores existencialistas são considerados ateus em sua maioria.
  4. Olson: Principais existencialistas: SorenKierkegaard ( Dinamarquês, 1813 – 1855); Friedrich Nietzsche ( Alemão, 1844 – 1900); Martin Heidegger (Alemão, 1889 – 1976); Jean Paul Sartre ( Francês, 1905 – 1980).
  5. Edmund Husserl.(Alemão, 1859 – 1938). Criador do método fenomenológico.
  6. Sartre e Heidegger. Destacam-se e dividem as duas vertentes principais do existencialismo.
  7. O autor cita referencias existencialistas em escritos de Sócrates, dos estóicos gregos, São Bernardo, Pascal.
  8. No momento em que a filosofia construiu grandes sistemas para tentar atingir a essência das coisas, perdeu também a proximidade em relação às coisas.
  9. Kierkegaard: Valorização da própria existência pessoal como fundamento da anáilise dos pressupostos filosóficos.
  10. Liberdade individual de escrever sem se ater a regras formais, utilizando-se de poesia.
  11. São essencialmente pensadores; Não são autores do coração.
  12. Rebelam-se contra a resignação e o quietismo proposto por certas correntes filosóficas.


  1. Temas existenciais. Conceitos fundamentais.



  1. Existência. Discussão da existência, em contraste à discussão da essência, tema contrário ao primeiro e em voga na filosofia. Para o homem comum e algumas correntes filosóficas, o ideal de vida é atingir uma vida de tranqüilidade sem sofrimentos, onde a felicidade plena esteja presente. O existencialista argumenta não ser possível tal meta, porque algumas agruras existenciais como a angustia, a solidão, o tédio etc. fazem parte de modo inerente à condição humana. Essa noção clara do sofrimento humano deram à corrente existencialista a denominação vulgar e errônea de “filosofia da tragédia”. Olson: “O homem não poderia tornar-se feliz sem deixar de ser homem”. Os existencialistas tem a fama de explorar o lado trágico da existência, trazendo à reflexão aspectos da vida que determinam as formas conhecidas de existência. Isto não poderia ser feito sem a inclusão de temas que legam ao homem sofrimento e desespero.



  1. Liberdade. Usada usualmente para definir situações onde as pessoas decidem determinados objetivos. “Sou livre para alcançar certos objetivos”. Se as condições são adversas para isso, então ela não é mais “livre” para realizar seu projeto inicial. Em termos políticos, temos liberdade de expressar nossa opinião através do voto, ou de manifestar nossa opinião mesmo que contrárias às da ordem estabelecida. Sartre: O homem é um ser que, livre, decide a própria vida. E arca com a responsabilidade por sua escolha. E escolher sua própria vertente significa lutar pela própria dignidade. Qualquer tentativa de fugir dessa condição é, para Sartre, uma forma de quietismo. “Nunca fomos mais livres do que sob a ocupação alemã. Porque o veneno nazista penetrava pelos poros, cada pensamento correto era uma conquista. A cada momento vivíamos o sentido desta pequena frase banal. “Todos os homens são mortais.ad A escolha que cada um fazia poderia ser expressa sob a forma: “Antes a morte que...”.Todos nós que conhecíamos fatos sobre a resistência perguntávamos: “Se me torturarem, agüentarei firme?” O segredo de um homem, para Sartre, não era seu complexo de Édipo ou de inferioridade, mas o limite efetivo de sua liberdade, seu poder de resistência ao suplício e à morte. A liberdade, portanto, é a condição excelsa do homem e que conduz em busca da verdadeira condição humana. Determina que as atitudes sejam assumidas plenamente, inclusive a parcela de responsabilidade na transformação ou manutenção da sociedade injusta e despótica que escraviza milhares de seres humanos (Aspectos Marxistas do existencialismo de Sartre).



  1. Angústia. Normalmente considerada como patologia, no existencialismo é um determinante da condição humana, que nos direciona à nossa categoria de seres livres e únicos. É o tema mais recorrente entre os autores. Deste ponto de vista, ela não é um sentimento negativo, mas uma experiência valiosa que emerge quando tomamos consciência de nossa condição humana. É um sentimento bastante diferente do medo. É um sentimento que nos amedronta diante do nada existencial. Não pode ser aprisionado por concepções teóricas nem por determinismo psicológico. A negação da angústia é a negação da liberdade, para Sartre. Ela é a expressão do nada, que determina a existência do homem como diferente das coisas. Ela é mais que algo transitório e esporádico. É a totalidade da existência humana. É deslocada daquelas situações em que a mãe vê seu filho ameaçado por uma doença, ou possível eminência de uma guerra ou perda do emprego para o nível mais profundo de sofrimento existencial. “A angústia é o reconhecimento de que as coisas tem o significado que lhes damos...e portanto não podemos derivar deles a maneira de ser do mundo.



  1. Sentido da vida. “A vida, enquanto existência isolada e única não tem sentido. O homem existe a partir de suas realizações”.Sartre: “ A vida é absurda”. Tal consciência  nos leva em busca de realizações significativas visando dar sentido e cor à essa existência. A consciência de que a vida é um emaranhado de sofrimentos e agruras faz com que assumamos a dimensão de nossas responsabilidades enquanto seres livres e responsáveis pela construção de nossos próprios ideais de vida.Para uma criança, a vida se transcende pela própria vida. Para um adulto, entretanto, há necessidade de dar um sentido à própria vida.É através do sentido da vida que determinados sofrimentos podem ser avaliados e superados de modo livre e autentico.”O sentido é determinante da gratificação emocional obtidas pelas realizações alcançadas ao longo do existir”.


 

  1. Ser no mundo. O homem, além de existir no espaço e no tempo, existe em relação com sua condição de ser no mundo.  O estar no mundo é determinante de muito sofrimento e desespero. O mundo com suas condições e normas cerceia quase a totalidade do desdobramento das possibilidades existenciais. Assim, será muito difícil uma existência plena e digna num mundo tão despótico e caótico. O ser no mundo implica numa luta constante do homem consigo próprio para não perder sua dignidade existencial e suas características individuais. Na medida em que os valores são determinados pelo enfeixamento de normas sociais, os conflitos serão diversos e irá exigir um discernimento bastante lúcido no sentido de uma reflexão constante para não se tornar presa de um sistema social em que a dignidade humana sequer é questionada. O ser no mundo também me direciona em direção à consciência do outro.


 

  1. Transcendência. O homem não é um ser estático, mas em contínuo desenvolvimento. Sartre: “O ego se constitui na unidade de transcendências e as transcende ele mesmo, na medida em que não se reduz a nenhuma delas nem à soma das mesmas.” Ou esta: “O homem é o ser que não é o que é e que é o que não é”. A transcendência permite definir a condição humana de introspecção e meditação. Através dela o homem descobre a totalidade de suas possibilidades existenciais. A existência é um contínuo vir-a-ser.


 

  1. Morte. Sartre, durante um período, foi muito atraído pelas concepções de Heidegger sobre a morte ( a decisão resoluta de assumir a finitude não apenas alivia o terror original que a perspectiva da morte inspira; Serve também como ato de encerramento de nossa vida e sua constituição numa espécie de totalidade, modificando assim, a profunda brecha em nosso ser, causada pela necessidade ontológica de perpétua autotranscendencia. Assumindo a morte, interiorizamo-la como nossa possibilidade última, como elemento final de todos os atos de autotranscendencia. Na morte, somos a totalidade que não pudemos ser em vida; Mas mesmo em vida, podemos, em certo sentido, antecipar-nos a nós mesmos em direção à morte e , assumindo a morte, adotar um ponto de vista sobre nós como totalidade). Humanizando e interiorizando a morte, o homem pode alijar-lhe o caráter de restrição da liberdade. Sartre se posiciona assim, após sua reflexão filosófica de revisão crítica da obra de Heidegger: “A morte é a única coisa que ninguém pode fazer por mim. Isso considerando a morte como possibilidade última e subjetiva, evento que só concerne ao para si. Segue-se que nenhuma das outras possibilidades, tomadas desse ponto de vista, pode ser projetada em outro que não eu. Ninguém pode amar por mim, etc. Do ponto de vista da função (inferior direito - Wilber), outro sempre pode fazer o que faço (Fazer uma mulher feliz, construir com ela um lar, etc.). Minha morte entra também nessa categoria. Morrer para edificar, para testemunhar, pela pátria, etc. Qualquer um pode morrer em meu lugar.” Em seguida, menciona Rilke e sua tentativa de provar que a morte de uma pessoa é a culminação e fruto de sua vida.Segue criticando a posição de Heidegger. “Esta tentativa de ver a morte como o acorde de resolução de uma melodia (interiorização da morte de Heidegger) deve ser rigorosamente apartada. Estamos em verdade na mesma situação de um condenado que se prepara com a finco para o ato de sua execução mas é acometido de uma pneumonia e morre antes. Assim, é necessário estar permanentemente preparado para a morte, já que esta pode acontecer a qualquer hora. Assim, se espera modifica-la transformando-a em morte esperada Assim, o sentido de nossa vida se converte em espera da morte. Assim, são conselhos mais fáceis de dar do que de seguir. Para Sartre, a morte é a ocorrência que poe fim a todos os projetos elaborados. Portanto, a morte não pode fazer parte da vida como propõe Heidegger. Apesar de todas as tentativas humanas de “nadificá-la”, a morte é a experiência mais concreta da experiência humana, determinando a absurdidade da vida. Para o autor , é impossível pensar em como seria a vida sem a morte. Ela define, assim, o esteio sobre o qual a vida é sedimentada.Sem a morte, os modelos econômicos, a medicina, o poderio das nações belicistas, a exploração mercantilista, tudo não faria sentido.


 
 

  1. Solidão. Condição dada do ser humano, e não um fenômeno isolado que ocorre a algumas pessoas. “O homem nasce e vive só, deixando esse faro apenas na morte. E não se da conta da condição de solidão que seu semelhante se encontra”. Mesmo se vivêssemos numa sociedade ideal, ainda assim, a solidão atormentaria a vida humana. O confronto com a própria solidão leva o homem a buscar formas alternativas de existência para amenizá-la.



  1. Tédio existencial. Situação em que o homem sofre a dor de ver o tempo passar e não estar realizando o desdobramento de suas possibilidades existenciais. A consciência de que suas possibilidades existenciais não estão sendo alcançadas, seja por limitações impostas socialmente, seja pela falta de assumir essas responsabilidades a própria pessoa. A superfluidade da existência é colocada. “Eu mesmo, mole, fraco, obsceno, eu também sou supérfluo”. A existência humana , com o tédio existencial, passa a ser superfluamente desnecessária. Ver “A náusea”, de Sartre. Confrontando o tédio existencial, a própria cosciencia se angustia e se torna desesperada.


 

  1. Culpa. É ontológico, ou seja, pertence ao ser enquanto tal, quando o homem questiona a realização de suas possibilidades existenciais, quando renuncia a liberdade humana. Também se faz presente quando coisificamos o nosso semelhante, e quando dimensionamos nossa responsabilidade social. Boss: Todo sentimento de culpa (ontológico) baseiam-se nesse “ficar a dever”( o que deve ao que ele é e ao que há de ser).

                                                     Fim


 


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